Monge chinês Dachan traz exposição mundial a São Paulo

Exposição, que reúne 48 obras, ficará em cartaz até o dia 15/1 - Divulgação
Exposição, que reúne 48 obras, ficará em cartaz até o dia 15/1 – Divulgação

Foi inaugurada nesta quarta-feira (9), no Centro Cultural Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo, a exposição internacional itinerante do renomado monge budista chinês Dachan. “A Arte de Dachan: A Arte De Uma Era Espiritual Ilumina Todas as Coisas Vivas”, que percorreu 13 países, apresenta 48 obras, incluindo pinturas e caligrafias produzidas nos últimos dez anos. Além de China, Japão, Coréia do Sul, Tailândia, Arábia Saudita, Índia, Alemanha, Hong Kong, Rússia, Itália, a turnê já passou pelo icônico British Museum, de Londres, na Inglaterra. É a primeira exposição do artista no Brasil, cuja mostra fica em cartaz somente até o próximo dia 15 – e segue para O Museu de Arte Moderna, na África do Sul.
Para a curadora Astrid Narguet, as pinturas de Dachan são acessíveis mesmo para aqueles que não tem ligação com a arte chinesa. “É possível transitar dentro de seu universo e na sua ideia de humanidade”, afirma.
A turnê mundial é descrita como “jornada global de cultura espiritual”. Com criatividade, Dachan apresenta as pinturas tradicionais, as caligrafias e aguadas de uma maneira contemporânea, integrando organicamente o espírito interior da arte moderna chinesa com a sensibilidade zen.
De acordo com Aurora Sosveen, da Associação China Itália, “as pinturas de Dachan baseiam-se em técnicas tradicionais chinesas, mas têm um toque particular muito distinto e suave”. Segundo ela, “nas suas pinturas em aquarela cada pincelada tem significado, e, ao contrário da pintura a óleo, você não pode repintar nada quando usa essa técnica, tudo precisa ser calculado com precisão antes de levar o pincel para a tela”. Sosveen observa ainda que “apesar dessa precisão quase matemática, suas pinturas ainda parecem espontâneas, cheias de vitalidade e com uma extraordinária coerência”. “O resultado são pinturas com a fluidez da água, com contrastes suaves e uma bela paleta de cores. Um motivo central em sua obra é a flor de lótus, um símbolo importante dentro do budismo. A flor cresce na água lamacenta, e se eleva acima dela para alcançar a iluminação. Cores diferentes carregam diferentes significados, todos presentes nas obras de Dachan. Sua poesia justapõe objetivos do mundo material com os do mundo espiritual. Por exemplo, sua caligrafia “Dragão”, um personagem normalmente associado à força e ao vigor, é pintado com firmeza, mas ao mesmo tempo, muita delicadeza, tornando-se quase invisível. Isso mostra que até mesmo algo poderoso pode ser tão gentil quanto a seda””, comenta Sosveen.

Autodidata – Pintor, poeta e calígrafo, Dachan é um renomado artista contemporâneo chinês. Ele também é conhecido como Zisong Xuanzhu (Mestre do Pavilhão dos Pinheiros Lilás). Autodidata, desde cedo apaixonou-se pela poesia, caligrafia e pintura e foi através delas, de uma compreensão gradual de suas sutilezas estéticas que ele alcançou a iluminação, segundo o Zen.
Sua caligrafia e pintura têm bases sólidas, mas não se deixam restringir pelas formas clássicas, alcançando um estilo próprio. Seu pensamento engloba o novo e o desconhecido, assim como o profundo e o remoto. Um tranquilo humor permeia todo o seu trabalho. Sua poesia tem a simplicidade espontânea e natural da caligrafia chinesa, sua caligrafia baseia-se nos princípios da pintura, e sua pintura funda-se sobre os princípios da natureza; e juntas, todas essas expressões estão imbuídas do espírito do Zen.

A Arte de Dachan
Quando: Até 15 de janeiro, das 12h às 17h.
Centro Cultural Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo (R. Cantareira, 1331 – Centro)
Gratuito

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