Violência Doméstica

Pensei muito antes de escolher esse tema para escrever. Mas como agora estou no Brasil, e nos noticiários têm repercutido alguns casos sobre mulheres que morreram em consequência da agressão sofrida dentro de casa, resolvi falar,

No Japão também tem aumentado o número de violência doméstica dentro da comunidade brasileira. É um assunto tão delicado, que eu não sabia como começar a escrever, esperei até o último momento para tentar ser sútil com um tema tão pesado.

Todos sabem que trabalho em uma ONG que presta assistência aos brasileiros que vivem no Japão, pois bem, foi aí que percebi o número de aumento nos casos de violência doméstica, O que eu não sei dizer é se realmente houve o aumento nos casos, ou se, só agora as mulheres decidiram buscar ajuda,

Vi a reportagem na TV sobre o assunto, os depoimentos das vítimas, e me coloquei no lugar delas, de forma a me fazer pensar com a cabeça delas, quase pirei… Porque é uma situação tão difícil e para quem sofre, chega a ser humilhante.

Para quem está de fora, é muito fácil resolver a situação, apenas falar: larga essa pessoa, sai desse relacionamento, por que ainda está nessa relação?

Mas para a vítima não é tão fácil assim, e empaticamente, me colocando no lugar da vítima, percebi que é um turbilhão de pensamentos que passa pela cabeça, e muitas vezes são N motivos que fazem com que falte a coragem para sair dessa situação.

Agora imaginem passar por tudo isso, no Japão. Um país extremamente machista, culturalmente diferente, em que a maioria dos brasileiros não dominam o idioma…

São casos e mais casos que chegam ao nosso conhecimento, e cada um é único, cada caso com características e motivos próprios. E um detalhe único, é muito difícil de ajudar.

O difícil que eu falo engloba tudo, desde a má vontade da polícia japonesa (que age de forma machista), até a falta de acesso as informações, devido ao não conhecimento do idioma. E o que é pior, muitas vezes, mas muitas vezes mesmo, depois de ajudarmos a vítima, ela acaba voltando para o companheiro, o que cai por terra todo o nosso trabalho.

E, para quem está de fora é muito fácil criticar. Até mesmo você, leitor, que está lendo tudo isso agora, pode estar pensando que é um ato de burrice a vítima continuar com  o agressor, como o seu parceiro. E eu peço, mais empatia por favor! Não sabemos o real motivo, e como eu disse, para a vítima é muito difícil qualquer decisão, quem está vivendo tudo isso, coloca como prioridades várias outras questões, como filhos, por exemplo.

E em muitos casos, para a vítima, continuar nesse relacionamento é um ato de coragem também, e é uma decisão, por mais difícil que seja entender isso.

Temos que ajudar? Sim, temos. Antes de criticar, poderíamos tentar conscientizar o quão maléfico é manter uma relação assim.

Para quem vive isso, sabe que precisa sair, mas não sabe como, não tem noção de como aquela relação faz mal, e que sair disso será libertador.

Portanto, peço que antes de criticar, vamos nos colocar no lugar da vítima e tentar ajudar de uma forma que machuque o menos possível para uma pessoa que já está despedaçada.

E no Japão, estarei sempre a disposição para ajudar, pois essa é uma das bandeiras que escolhi carregar, a proteção as vítimas de violência doméstica num país machista como o Japão.

 

 

 

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