SILVIO SANO > NIPÔNICA: O Meio Faz o Homem?!

Sempre acreditei na máxima de que o Meio Faz o Homem, a ponto de, durante certo período, tê-la adotado como título desta minha seção, bem como ao de minha primeira antologia (1998) de artigos.
Era adequado à seção porque meu intuito era comparar atitudes cidadãs de lá, Japão, com as de cá diante de situações semelhantes do cotidiano.
Foi um período profícuo, pela novidade e pelo ainda não esgotamento do assunto. E deve ter sido a razão de, depois de algum tempo, ter desvirtuado um pouco (?) o escopo… pra não dizer por culpa do advento PT (Lula) no Brasil… rs. Mas isto é outra história.
E por que não mais acredito?
É que, recentemente, soube que cidades turísticas do Japão estão preocupadas com o lixo jogado no chão por turistas estrangeiros quando fazem suas refeições andando ou em bancos de praças. Para quem não sabe, isso sempre foi permitido no Japão. Tanto que até venda de comidas em plataformas de trens existe de modo que o cidadão que a compra com o trem chegando, leva-a consigo ao vagão para consumi-la de vez e, em seguida… pasmem!, devolver a tigelinha na banca da plataforma onde desceria.
As duas situações ocorreram comigo. Isso, há mais de 40 anos, quando não havia a invasão de estrangeiros atual, muito menos de brasileiros, bem entendido. Joguei meu lixo no… lixo!
E por que sempre acreditara?
Porque convivendo com decasséguis brasileiros testemunhei a transformação deles, isso, quase 30 anos atrás. E os vi como passaram a se portar diante dessas situações. Nem bitucas de cigarros mais jogavam ao chão!
Mas o contrário também me ocorreu quando um amigo japonês veio me visitar no Brasil, ao jogar seu maço de cigarros vazio pela janela do carro, em plena Av. Paulista, mesmo diante de minha admoestação, respondendo-me: “Aqui pode!”
O Meio Faz o Homem? Pelo exemplo dos turistas atuais, acima, não!
Culpa do mal que, parece-me, sempre vence o bem… e por comodismo. Por isso, vendo as notícias de poluição ambiental pelo globo, a tendência dessa máxima é de se inverter para O Homem faz o Meio. Né, não?

Comentários
Loading...