Sai o segundo visto especial para yonsei. Alex Fujimoto embarca este mês e ‘inaugura nova rota’

Alex Fujimoto deve embarcar no final deste mês para o Japão (divulgação)
Alex Fujimoto deve embarcar no final deste mês para o Japão (divulgação)

“Depois que juntar algum dinheiro no Japão, quero estudar turismo no Canadá ou nos Estados Unidos. Não quero voltar ao Brasil. Minha mãe aconselhou o mesmo, porque no Japão é mais seguro”. É com esse pensamento que Alex Fujimoto, que conseguiu o primeiro visto de residência para yonsei no Brasil, embarca no final deste mês para o Japão. Sul-Mato-Grossense, Fujimoto, de 28 anos, prestou o nível E-F da prova J-Test da empresa Gobun Kenkyusha em julho e recebeu o aviso de aprovação em agosto. No dia 5 de novembro, cerca de dois meses depois, Fujimoto recebeu o visto, dando início a uma nova etapa de brasileiros rumo ao Japão.
Na próxima semana deve sair o segundo visto para yonsei, para David Wesley Costa.
Nascido em Campo Grande, Fujimoto mudou-se com a mãe para a cidade de Okazaki, na província de Aichi com apenas dois anos de idade. Lá, estudou em uma escola de ensino público até o terceiro ano do primário. Desde que retornou ao Brasil, quando cursava o quarto ano, visitou o Japão três vezes.
O motivo para ter solicitado o visto de residência desta vez foi por causa da violência e criminalidade no Brasil. No Japão, vai trabalhar em um mercado de produtos brasileiros e pretende cursar uma escola de língua japonesa. A idade para obter o visto de residente para yonsei é entre 18 a 30 anos, mas para aqueles que obtiveram o primeiro visto aos 30 anos, poderá continuar a renová-lo. Uma das principais características deste programa é ter um “assistente de recepção”, que no caso de Alex, foi sua mãe.
Em entrevista por telefone à reportagem do Nikkey Shimbun, Fujimoto disse que, “para estender o prazo de permanência, é preciso mostrar conhecimentos em cerimônia do chá, kendô entre outros aspectos da cultura japonesa”. “Acredito que o programa foi pensado com foco nos estudos e isso é bom”, contou.
Segundo ele, “existem muitos yonsei com 30, 35 anos”. “E conheço muitos que gostariam de ir ao Japão. A restrição de idade é rigorosa”, disse, explicando que, “como eu sabia dessa restrição, tive pressa em solicitar o visto”.

Requisitos – Os requisitos para o programa de recepção são: ser yonsei e ter entre 18 a 30 anos. No momento de entrada no país, deve comprovar nível básico de língua japonesa, como o N4 do JLPT (Exame de Proficiência em Língua Japonesa) e, para estender o prazo de permanência além de dois anos, deve ter o nível intermediário de língua japonesa (N3 do JLPT) e mostrar que está aprendendo atividades da cultura japonesa.
O assistente de recepção, que deve assessorar gratuitamente a vida do yonsei no Japão, “pode ser um parente, host family ou a pessoa ou empresa contratante. No site do Ministério da Justiça do Japão, há uma lista de assistentes de recepção aos yonsei (grupos)”. Até o momento, essa lista não foi publicada.
A Associação Kaigai Nikkeijin Kyokai (com sede em Yokohama, e-mail: info@jadesas.or.jp) está servindo como intermediário entre os yonsei que desejam ir ao Japão e os assistentes. Em resposta a entrevista cedida por e-mail, a associação explicou o motivo para a lista de assistentes não ter sido publicada, mesmo cinco meses após o início do programa, em julho: “Não vamos publicar dados sobre os assistentes individuais para proteger informações pessoais. Sobre os grupos, conseguimos garantir um certo número, que será divulgado conforme a necessidade. Seria para evitar o excesso de contatos para apenas um grupo”.

Orientação – Por recomendação da mãe, Fujimoto contratou a empresa Yukimi Assessoria, que oferece serviços como aluguel de imóveis e tradução de documentos, para solicitar o visto japonês. Logo após receber o aviso de aprovação no J-Test, enviou o resultado para a empresa, que retornou com formulários para que Fujimoto entregasse ao Consulado Geral do Japão em São Paulo, obtendo o visto neste mês. Ele pagou 1.500 reais a empresa. Segundo o Consulado Geral do Japão em São Paulo, o solicitante não deve pagar nada para que aceite ser seu assistente de recepção, mas não há problema se for para pagar as taxas de uma agência.
(Yuzuki Kokubu, do Nikkey Shimbun)

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