Prefeitura formaliza entrega de monumento ao Kenren

Prefeito e secretários municipais ao lado de representantes das comunidade nikkei (Jiro Mochizuki)
Prefeito e secretários municipais ao lado de representantes das comunidade nikkei (Jiro Mochizuki)

A Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal de Cultura, formalizou no último dia 4, em evento realizado no Salão Nobre do Bunkyo (Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social), no bairro da Liberdade, em São Paulo, entrega simbólica do Termo de Cooperação para manutenção do Memorial em Homenagem aos Imigrantes Pioneiros Falecidos – Ireihi – localizado no Parque do Ibirapuera (zona Sul de São Paulo), à Federação das Associações de Províncias do Japão no Brasil (Kenren).
O evento contou com a presença do prefeito Bruno Covas (PSDB); do vereador Aurélio Nomura (PSDB); do secretário municipal de Relações Internacionais, embaixador Affonso Massot; do secretário municipal de Cultura, André Sturm; do secretário municipal da Casa Civil, Eduardo Tuma, do prefeito Regional da Vila Mariana, Benedito Mascarenhas; da presidente do Bunkyo, Harumi Goya; do presidente do Kenren, Yasuo Yamada e do presidente do Comitê Executivo da Comissão para Comemoração dos 110 Anos da Imigração Japonesa no Brasil, Yoshiharu Kikuchi, além de representantes de diversos kenjinkais (associações de províncias) e dirigentes de entidades nipo-brasileiras.
Pelo acordo, feito no Programa Adote Uma Obra Artística, o Kenren ficará responsável pela manutenção do monumento por 36 meses (renováveis). Durante esse período, a federação ficará encarregada de realizar os serviços de limpeza, jardinagem e a poda de arbustos em seu entorno, além da varrição diária do local onde ele está instalado. Os serviços estão avaliados em R$ 10 mil.

Yamada, Kikuchi, Aurélio Nomura e Harumi Goya (Jiro Mochizuki)
Yamada, Kikuchi, Aurélio Nomura e Harumi Goya (Jiro Mochizuki)

Responsável por sensibilizar o governo municipal para a necessidade de tirar o Pavilhão Japonês e o Ireihi do processo de privatização, Aurélio Nomura destacou o empenho do atual prefeito Bruno Covas.
“Na verdade, é um reconhecimento que a gente tem da Prefeitura pelos trabalhos realizados pelos imigrantes japoneses. Quando estava trabalhando na concessão do Parque do Ibirapuera, foram discutidos vários temas, entre eles o monumento e o Pavilhão. Imediatamente nós levantamos a questão e ficamos cutucando porque já tinha até pessoas querendo usar o Pavilhão para outras finalidades. Começamos a conversar e muitos não conheciam o assunto, ao tomarem conhecimento, reconheceram a necessidade e a demanda que tanto o Pavilhão como o monumento requerem. Não é só o ato de varrer, de limpar, eles requerem cuidados especiais”, disse Nomura, lembrando que, “para a reforma do Pavilhão foram necessários trazer materiais e mão de obra especializada do Japão”.

Significado – “Além disso, tem todo o significado espiritual. Portanto, ele deveria ficar obrigatoriamente sob a tutela dos japoneses ou seja, o monumento com o Kenren e o Pavilhão com o Bunkyo, com já vinha ocorrendo”, ressaltou o parlamentar, acrescentando que, “no caso do prefeito Bruno Covas ficou mais fácil de conversar por causa desse vínculo com a comunidade japonesa [Bruno Covas foi casado por dez anos com uma nikkei e tem um filho nikkei].

Presidente do Kenren, Yasuo Yamada lembrou que, desde sua inauguração, em 23 de agosto de 1975, o Ireihi foi visitado por muitas “personalidades ilustres do Japão”, entre eles ministros de Estado, deputados federais, governadores e deputados de províncias, incluindo membros da família imperial e o próprio imperador”.
“Acredito que com a documentação regularizada, as chamas dos pioneiros passarão a descansar em paz e nós, da comunidade nikkei, só temos a agradecer por ter sido reconhecido publicamente o direito do Kenren ser o responsável pela guarda desse importante patrimônio municipal”, destacou Yamada.

A Cesar – Bruno Covas iniciou sua fala com uma frase bíblica: “A Cesar o que é de Cesar”. E logo em seguida brincou, reconhecendo o trabalho “insistente” do vereador Aurélio Nomura. “Muito fácil tomar essa decisão. Difícil é ter alguém que fique ligando todo o dia pra gente para que essa decisão saia. E foi esse o papel do vereador Aurélio Nomura. Ligava insistentemente – não vou dizer que estava dificultando a aprovação de projetos na Câmara enquanto não se decidisse isso porque aí seria demais, até porque ele era o líder de Governo – mas a todo momento que me encontrava ou ao Doria (ex-prefeito e candidato ao governo de São Paulo), insistia na retirada do Pavilhão e do monumento da concessão do Parque do Ibirapuera. Falou comigo, falou com o João Doria, falou com o Wilson Poit (secretário de Desestatização), foi falar com o secretário do Meio Ambiente, enfim, parabéns, Aurélio. Acho que grande parte dessa conquista se deve ao seu trabalho, até porque você faz honrar aqueles que acreditam no seu trabalho retribuindo com muito trabalho”, disse Covas, acrescentando que a ação também é fácil de ser justificada “por se tratar de dois importantes espaços relacionados aos japoneses aqui em São Paulo e no Brasil”.
“Estamos falando aqui na cidade de São Paulo de centenas de milhares de descendentes que formam a maior colônia japonesa fora do Japão. São Paulo nunca foi a capital do Brasil mas é a capital cultural e econômica, além de ser o grande centro da América Latina”, disse o prefeito, afirmando que “o segredo da cidade de São Paulo é o nosso RH”.

Arigatô – “São pessoas que para cá vieram de vários cantos do mundo em busca de oportunidade. Não tenho a menor dúvida que grande parte desse trabalho também se deve a todos os japoneses que acreditaram na cidade de São Paulo, que vieram para cá e ajudam a construir a cidade. Portanto, mais do que justificar, a gente fazer essa exceção, retirando esses espaços da concessão, é acima de tudo, saber que eles serão muito bem cuidados a partir deste termo que a gente faz e que a sociedade japonesa vai colaborar ajudando na manutenção, lembrando a importância daqueles que para cá vieram e difundiram a cultura japonesa e ajudaram a construir a cidade de São Paulo e o Brasil”, destacou o prefeito, que encerrou seu discurso com um “arigatô”.

Bruno Covas recebe Diploma de Gratidão (Jiro Mochizuki)
Bruno Covas recebe Diploma de Gratidão (Jiro Mochizuki)

Gratidão – Durante a cerimônia, Bruno Covas e Aurélio Nomura receberam Diploma de Gratidão do Bunkyo e do Kenren pela atuação de ambos na viabilização do reconhecimento pela Prefeitura da continuidade da responsabilidade da admiistração, manutenção e conservação do Pavilhão Japonês ao Bunkyo e da área denomionada “Monumento aos Pioneiros da Imigração Japonesa Falecidos” ao Kenren.
Na saída o prefeito Bruno Covas foi presenteado com a obra coletiva Intercâmbio Cultural Brasil-Japão pelo coordenador Kiyoshi Harada.

 

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