OPINIÃO: Que tal um monumento para o bicentenário da independência do Brasil?

A "Fonte dos Desejos - Glória", monumento doado pela comunidade italiana em 1918
A “Fonte dos Desejos – Glória”, monumento doado pela comunidade italiana em 1918

Apesar de o próximo presidente eleito ser o futuro responsável por coordenar as comemorações do bicentenário da independência do Brasil em seu último ano de mandato, até agora não vi um candidato comentar a respeito dos planos para a celebração.

Apesar de os presidenciáveis não colocarem o assunto em pauta, talvez esteja na hora de a sociedade nikkei já começar a fazer os preparativos do bicentenário da independência visto que a comemoração dos 110 anos da imigração japonesa ao Brasil chegou ao fim. Se doássemos um marco admirável, estaríamos contribuindo para a sociedade brasileira por meio de um belo legado.

Inscrição do monumento: "A Colônia Italiana do Estado de São Paulo no Primeiro Centenário da Independência do Brasil"
Inscrição do monumento: “A Colônia Italiana do Estado de São Paulo no Primeiro Centenário da Independência do Brasil”

Não faltam exemplos do passado. Em 1918, a colônia italiana homenageou o centenário com um monumento grandioso. Trata-se do conjunto que fica entre o Teatro Municipal e o Vale do Anhangabaú.

Na época, o compositor de óperas, Carlos Gomes era uma das figuras mais notórias do Brasil. Um chafariz foi construído ao redor da estátua de bronze do artista, com mais doze estátuas posicionadas ao redor perfazendo o conjunto monumental da Fonte dos Desejos – Glória. Lá estão as imagens dos principais personagens das peças do compositor, incluindo o índio Guarani, saído da famosa ópera que foi aclamada na Itália.

Estátua de bronze do Guarani que faz parte do conjunto de "A Fonte dos Desejos - Glória"
Estátua de bronze do Guarani que faz parte do conjunto de “A Fonte dos Desejos – Glória”

O artista italiano que assinou o monumento, Luigi Brizzolara, criou a fonte inspirado na Fonte dos Desejos de Roma, um dos famosos pontos turísticos da Itália. Ou seja, a colônia italiana escolheu o genial compositor que buscava por uma identidade nacional e uma cultura genuinamente brasileira para ser o símbolo do centenário e ergueu uma obra em estilo italiano para homenageá-lo.

A Praça Ramos de Azevedo onde fica o conjunto monumental traz o nome do famoso arquiteto brasileiro que projetou o Teatro Municipal. A proposta de construir um monumento inspirado em um músico representativo do Brasil ao lado de um cartão postal da cidade de São Paulo foi admirável.

A Colônia Sírio-Libanesa também homenageou o Centenário doando o monumento Amizade Sírio-Libanesa. Atualmente, ele se localiza na Praça Ragueb Choh que fica numa das extremidades da Rua 25 de Março, região onde a colônia possui forte influência. No entanto, quando nosso fotógrafo se dirigiu até lá, no dia 7, o local estava tomado por moradores de rua e não oferecia segurança para uma aproximação. A obra estava lamentavelmente degradada e marcada por pichações.

Monumento doado pela colônia sírio-libanesa que agora está tomado por moradores de rua
Monumento doado pela colônia sírio-libanesa que agora está tomado por moradores de rua

A Fonte dos Desejos também estava em situação parecida até meados do ano passado. No entanto, a colônia italiana doou 4,5 milhões de reais para a prefeitura e bancou a obra de restauração. Graças a isso, o conjunto recuperou sua beleza original. O ex-prefeito Dória ficou tão empolgado com o sucesso da parceria que chegou a requerer que a colônia japonesa também fizesse um investimento semelhante na Praça da Liberdade.

No passado, em 1954, a colônia japonesa já construiu e doou o Pavilhão Japonês no Parque do Ibirapuera para comemorar os 400 anos da cidade de São Paulo. Não é o único exemplo.

Temos um tempo antes da chegada dos 120 anos da imigração japonesa, mas, quatro anos não é um tempo longo para o bicentenário da independência. Que tal se a sociedade nikkei reunisse esforços para homenagear o bicentenário erguendo um magnífico monumento na Praça da Liberdade?

Em vez de uma pedra com escritas japonesas, poderia ser um monumento de visual artístico e chamativo para servir de cartão postal como o portal Torii. O ideal é ser algo que proporcionasse à sociedade nikkei uma boa reputação em todo o Brasil.

 

(11 de setembro de 2018, jornal Nikkey Shimbun, Masayuki Fukasawa)

 

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