O brilhante rastro dos pioneiros; Cultura Japonesa Vol. 8 já à venda

Histórias de destaque em diversas áreas, apresentado em japonês e português

A Biblioteca para Jovens de São Paulo e o Jornal Nikkey Shimbun lançaram esta semana a “Cultura Japonesa – Entendendo o Japão Vol. 8 – Os Pioneiros da História da Imigração”. A maioria dos imigrantes japoneses de antes da guerra foi trabalhar nas Fazendas de Café, mas o livro traz a história de seis pioneiros que trilharam por caminhos completamente diferentes. O desbravador que se destacou nos EUA; o lendário artista marcial; a pessoa chave da indústria da juta; o homem apaixonado pela cultura do chá preto; o Keio Boy que veio de uma família zaibatsu; e o líder da sociedade nikkei que se dedicou às obras de caridade. Os pioneiros se destacaram em diversas áreas para ajudar a criar a sociedade nikkei e o Brasil que conhecemos hoje.

Noboru Seshimo, liderança da Colônia Aliança, no Estado de São Paulo, tinha um espírito desbravador indômito e reimigrou para o Brasil depois de ter vivido 18 anos nos Estados Unidos. Nos EUA, ele juntou dinheiro fazendo trabalhos arriscados como operário construtor da linha ferroviária ou como mineiro e abriu um restaurante com o capital que guardou. Criou o “Nipponjin Kurabu (Clube dos Japoneses)” para cuidar dos jovens japoneses que se arruinavam nos jogos de azar.
Nessa época, ainda era um jovem de 28 anos em toda a plenitude. Casou-se com a esposa do subordinado e como forma de ressarcimento entregou todo o negócio que havia criado para voltar a ser mineiro. A história desse romântico japonês que preferiu trocar a posição e o patrimônio pela paixão é imperdível.
Mitsuyo Maeda que ficou famoso com a alcunha de “Conde Koma” é um artista marcial lendário que registrou 2 mil vitórias e nenhuma derrota ao longo da vida. Com sua habilidade incomum, colecionou vitórias nos países ocidentais por onde passou até vir a Belém, no Brasil. Ele possui inúmeros episódios marcantes como ter ensinado o jiu-jitsu à família Gracie, o que depois viria a se tornar o sucesso do jiu-jitsu brasileiro.
No entanto, poucos sabem que na fase final da vida, Maeda se dedicou a ajudar os imigrantes japoneses. Ele recebeu e acompanhou o trabalho de exploração da 1ª Missão Amazônica do governo japonês em 1926. Em 1929, quando o primeiro grupo de imigrantes japoneses chegou à Amazônia, ele estava no porto para recebê-los.
Depois se dedicou ao trabalho de imigração atuando como conselheiro fiscal da Nambei Takushoku KK ou auxiliando na procura de empregos a quem necessitava. Faleceu aos 62 anos e o povo se aglomerou em seu velório.
Depois do fim da febre da borracha, a decadente Manaus recuperou sua energia com a ascensão da Indústria da Juta. Ryota Oyama que veio ao Brasil aos 51 anos, plantou as sementes que adquiriu na Índia e, ao ver duas plantas crescerem mais, descobriu uma variedade mais comprida. Esta foi uma grande descoberta.
É muito interessante descobrir que os imigrantes japoneses que cultivavam a juta não sofreram perseguição mesmo durante a guerra. Na terra onde Oyama morreu foi inaugurada a Escola Estadual Ryota Oyama de Ensino Fundamental e seu mérito continua a ser lembrado até hoje.
Torazo Okamoto trouxe mudas de firmiana simplex do Japão com o sonho de cultivar a árvore no Brasil, mas perdeu-as em um rio pouco antes de chegar a Registro, em São Paulo. Depois de se assentar, começou cultivando o arroz, mas mudou para a indústria do chá que era sua verdadeira especialidade, dando início à sua busca de viabilizar o cultivo do chá preto.
Vale a pena destacar o episódio em que ele contrabandeou as sementes de chá preto da ilha do Ceilão, então sob o controle do Reino Unido. Se não fosse por isso, Registro nunca seria conhecido como a Capital Brasileira do Chá.
Takeo Atomiya era filho da família Atomiya, um legítimo zaibatsu japonês que se sobressaiu em Taiwan. Ele foi um colonizador precoce que comprou um terreno no Brasil e plantou 5 mil mudas de café quando ainda estava no primeiro ano da Faculdade de Keio. Ele comprou seu terreno no norte do Paraná em uma época em que ainda não havia nenhum imigrante japonês nessa região.
Atomiya retornou ao Japão e no terceiro ano da faculdade, apaixonou-se pela miss Japão escolhida no Concurso de Beleza, buscou o contato da moça e convenceu-a se casar com ele. Levou sua nova esposa no meio da mata selvagem para desbravar. Em diversos momentos passaram dificuldades financeiras, mas graças à intrepidez natural e à dedicação da esposa, superou as dificuldades.
Kumaki Nakao, que se dedicou às obras de caridade, era um talento prodígio que publicou “Como escrever cartas em português” com apenas 22 anos. Foi o primeiro japonês a abrir uma empresa de sociedade anônima no Brasil e ofereceu educação gratuita aos funcionários e os filhos deles abrindo uma escola.
Em 1953, quando o Japão ainda estava em fase de reconstrução no período pós-guerra, enviou doações para sua terra natal, Yokoshimamura, Tamana-gun, província de Kumamoto, com a condição de criarem um regime de bolsa de estudos. Ele chegou a enviar o equivalente a 3 milhões de ienes em 10 anos. Ele também custeou a viagem ao Japão de 73 japoneses na fase inicial da imigração no Brasil com dinheiro próprio. Conhecido de longa data, o pintor Tomoo Handa classificou o amigo como sendo alguém que “apesar de se dedicar tanto aos outros, possui uma vida pessoal bem simples”.
256 páginas. Edição bilíngue. À venda nas livrarias: Livraria Sol (11-3208-6588, www.livrariasol.com.br), Livraria Fonomag (11-3104-3329, www.fonomag.com.br/), Livraria Takano (11-3209-3313)

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