Novo presidente da Japan House São Paulo quer reforçar parceria com a comunidade nikkei

O museólogo Marcelo Mattos Araujo, que assumiu a presidência da Japan House São Paulo no dia 1º (Nikkey Shimbun)
O museólogo Marcelo Mattos Araujo, que assumiu a presidência da Japan House São Paulo no dia 1º (Nikkey Shimbun)

Aprender japonês, reabrir o restaurante e retornar ao Japão. Não necessariamente nesta ordem, mas essas devem ser algumas das novidades do novo presidente da Japan House São Paulo, Marcelo Mattos Araujo, que assumiu o cargo, por tempo indeterminado, nesta segunda-feira (1º de outubro). Bacharel em Direito pela Universidade de São Paulo, especialista em Museologia pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo e Doutor pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, ele assume a vaga deixada por Ângela Hirata com a missão de aumentar e consolidar o sucesso da casa que, em pouco mais de um ano já foi visitada por mais de um milhão de pessoas.
Em seu primeiro dia no cargo, o escolhido pela Dentsu Inc – que administra o empreendimento no Brasil e tem como uma de suas atribuições selecionar as equipes locais de planejamento e gestão – teve como primeira tarefa acompanhar o cônsul geral do Japão em São Paulo, Yasushi Noguchi, a uma visita às redações dos jornais da comunidade japonesa “numa demonstração de reconhecimento que nós temos da importância da comunidade japonesa como nossos parceiros privilegiados na construção e na ampliação da Japan House São Paulo”, embora lembre que a Japan House “não foi pensada para comunidade japonesa.
“A Japan House São Paulo foi pensada para a sociedade brasileira como um todo, mas sem dúvida, ela tem na comunidade japonesa os parceiros primeiros e privilegiados para o desenvolvimento das atividades”, diz ele.

Desafio – Entusiasmado, Marcelo Araujo conta que até a semana passada estava à frente do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), uma autarquia vinculada ao Ministério da Cultura e responsável pela gestão direta de 27 museus no Brasil. Para ele, assumir a presidência da JHSP será um novo desafio em sua carreira. “Desde o primeiro momento achei o projeto todo muito exitoso. A ideia de espaços que possam promover esta visão de um Japão contemporâneo e moderno é uma iniciativa muito importante e evidencia uma visão muito construtiva do governo japonês. Acho que a JHSP, pela localização, pelo projeto arquitetônico, pela qualidade das exposições e eventos sempre foi, desde o primeiro momento, uma instituição de referência e conseguiu um espaço enorme. Tanto que essa visitação que ela conseguiu neste primeiro ano é muito expressiva e muito exemplar”, explica o novo presidente, lembrando que, logo no início das tratativas foi convidado pelo então cônsul Takahiro Nakamae – atualmente o diretor geral para a América Latina e o Caribe do Ministério dos Negócios Estrangeiros – para conhecer o projeto do centro cultural.

Continuidade – “Depois da inauguração fui lá várias vezes e pude acompanhar o sucesso do projeto neste primeiro ano e meio. Isto, claro, me deixou muito entusiasmado de estar assumindo a presidência e colaborando com o projeto nesta nova fase”, disse Marcelo Araujo, destacando que “sempre que estive na JHSP sai de lá com uma impressão muito positiva, a começar pela própria arquitetura do prédio, que é muito exitosa”.
“As exposições que vi sempre me agradaram muito tanto quanto o conjunto das atividades – ainda que não tenha tido oportunidade de estar presente em todas. Acho que eles tiveram êxito no sentido de buscar e oferecer essa visão ampla e diversa do que é o Japão contemporâneo. A ideia é continuar nessa mesma linha”, conta o presidente, antecipando que pretende reabrir o restaurante “o mais rápido posível”. “Já estamos conversando com com alguns chefs”, revela Mattos, que antes de presidir o Ibram – onde entrou em 2016 – ficou quatro anos à frente da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo e,” antes disso”, ficou dez anos na Diretoria da Pinacoteca do Estado de São Paulo.

Mentor – Mas foi em sua passagem como diretor do Museu Lasar Segall (1997 a 2002) que ele conheceu o fotógrafo e museólogo Luiz Sadaki Hossaka (1928-2009), ex-curador do Masp (Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand), a quem Marcelo Araujo chama carinhosamente de “mentor”. “O Luiz Hossaka foi a grande figura de referência na minha formação de museologia, uma figura querídissima. Muito do que aprendi de museu foi com ele”, disse Mattos, explicando que espera que sua experiência profissional possa agregar não só conhecimento na gestão do espaço como também possa ajudar a captar recursos para a sustentabilidade do centro cultural.

Recursos – “Ao lado dos recursos que o governo japonês aloca para o seu funciomento, a própria Japan House já vem trabalhando com a busca de patrocínio e apoio e esperamos também incrementar isso, buscando é claro, facilitar a sustentabilidade da instituição”, diz Mattos, que considera importante “conseguir a articulação entre os recursos que são destinados pelo governo japonês junto com apoio e patrocínio que nós possamos conseguiur aqui no Brasil”.
Com investimento de cerca de 30 milhões de dólares até março de 2019, a ideia era que a JHSP a partir daí pudesse ser autossustentável. Para o cônsul, algo difícil de acontecer nessa fase.
“Agora, o Ministério dos Negócios Estrangeiros está em negociação com o Ministério da Fazenda e solicitando um novo orçamento. Ainda não temos nenhum resultado concreto, mas esperamos que o Ministério dos Negócios Estrangeiros tenha sucesso no sentido de obter a aprovação de recursos necessários”, explicou Noguchi, lembrando que os valores só devem ser anunciado em abril de 2019, quando começa o ano fiscal no Japão. “Junto com o orçamento, a Japan House São Paulo também vai empenhar muitos esforços para arrecadar patrocínio próprio. Desta maneira esperamos que a JHSP continue e seja sustentável, ms autossustentável ainda não”, disse o cônsul, afirmando que está “mito feliz” com a escolha da Dentsu.

Japão – “Estamos muito felizes com a escolha porque o doutor Marcelo tem muita experiência em curadoria e também em artes japonesas”, comentou Noguchi, explicando que em 1994 Marcelo Araujo teve oportunidade de ficar três meses no Japão através de uma bolsa que ganhou da Fundação Japão.
“Fiquei praticamanete um mês e meio morando em Tóquio, mas trabalhando em Kamakura e depois fiquei um mês e meio viajando”, diz, lembrando que, nesse período, teve oportunidade de conhecer muitas cidades, entre elas Osaka, Nagoya e Hiroshima.
“Achei todas muito interessantes, elas são muito distintas, mas imagino que para muito estrangeiros que visitam o Japão, Quito e Nara são as cidades que causam uma impresão mais forte, pelos templos e pelo passado histórico”, conta Marcelo Araujo, afirmando que depois de 25 anos tem muita vontade de voltar para descobrir novas instituições e organizações que surgiram nesse meio tempo.
Segundo ele, o conceito da JHSP é justamente esse, o de mostrar o Japão e sua diversidade. “Acho que essa é uma preocupação, de trazer ações, produções e projetos do Japão como um todo, de diferentes regiões, não há um foco em nenhuma cidade ou região mas buscando sempre dar conta dessa enorme diversidade de todas as províncias japonesas. Sempre com esse foco no Japão moderno e contemporâneo”, explica o presidente, afirmando que suas primeiras ações à frente da JHSP serão a de se inteirar com sua equipe de todas as ações e dos projetos que estão sendo desenvolvidos e conversar com a Dentsu, com o Consulado e com os representantes da comunidade”, conta Mattos, que trabalhou nas comemorações do Centenário da Imigração Japonesa no Brasil.

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