Novo Horizonte, cidade referência

Eu que moro no Japão há 20 anos, me deparo algumas vezes com informações estereotipadas em todos os aspectos. E sempre que retorno ao Brasil, tento buscar referências que façam com que eu acredite no futuro do Brasil, e que eu possa levar histórias e fatos bem sucedidos para mostrar aos brasileiros que vivem no Japão.

Pois bem, o que escuto muito no Japão, mas muito mesmo, é que a escola pública no Brasil é um sistema falido, e que o aluno do ensino público é fadado ao fracasso. Eu sei que não é bem assim, afinal, minha filha estuda em escola pública, escola excelente por sinal. E aí quero fazer uma pergunta: Você conhece Novo Horizonte?

Novo Horizonte, uma cidade no interior de São Paulo, com mais ou menos 40 mil habitantes e um EXEMPLO EM EDUCAÇÃO PÚBLICA.

Fui pessoalmente comprovar o que eu apenas tinha ouvido falar. E é verdade! Ontem estive em Novo Horizonte, estive com o prefeito Sr. Toshio Toyota, e conheci um dos responsáveis pelo bom andamento do ensino público de qualidade na cidade: Paulo Magri, secretário municipal de educação.

Se fizermos uma pesquisa rápida e despretensiosa na internet, veremos que a cidade desponta em todos os tipos de avaliações dos alunos. Como é possível? Trabalho, trabalho, trabalho e muita dedicação. Existe um empenho coordenado de toda a equipe de Paulo Magri, o Paulinho.

Perguntei qual o item de diferenciação que a cidade utiliza, e a resposta foi que, há um sistema de avaliação semanal com os alunos, onde o objetivo não é avaliar o aluno, e sim mensurar o seu conhecimento, para que a equipe trabalhe em torno das respostas obtidas nas avaliações.

É difícil? Sim! Cansativo? Sim! Mas comprovadamente possível! E isso me faz acreditar tanto no Brasil. Sei que pode ser um grão de areia, perto da imensidão do país, mas é uma realidade, que prova a viabilidade de trabalho sério, e o resultado, quando aparece é muito compensador!

Na verdade, cheguei a Novo Horizonte pela família Biasi, que conheci no Japão. E quem gosta de futebol, como eu, sabe a história do Novorizontino. Quem não lembra da final caipira, no campeonato paulista? Novorizontino x Bragantino.

E foi nessa época do campeonato paulista que eu soube da história do Grêmio Novorizontino, a família Biasi, apaixonada por futebol, montou o time, construiu estádio, deu muita perspectiva de futuro para uma cidade interiorana. Já comecei admirar a família, nesse momento.

E quis o destino que, muitos anos depois, eu conhecesse Roberto Biasi e sua esposa Jô, no Japão.

E se eu já era fã da história do futebol de Novo Horizonte, hoje, sou fã da família Biasi, por todo o empenho social na cidade.

Sempre acreditei na tríplice vertente: educação, esporte e cultura. Para mim, esses três pés são a base para a formação do caráter de uma pessoa. Quer tirar um menino da rua? Dê estudos, uma bola de futebol e um instrumento musical. Duvido que essa criança vá escolher a marginalidade.

E a família Biasi, também acredita nisso, tanto é que, apesar de todos os encargos profissionais, o trabalho social foi o que mais me chamou a atenção.

Os moradores da cidade, têm orgulho de serem de Novo Horizonte, orgulho que vem pelo futebol, pela educação pública de qualidade, pelo agronegócio que envolve a cidade.

Só gostaria de fazer uma ressalva: a cidade poderia mudar o nome para Novos Horizontes, pois é isso que vou levar para o Japão, se me falarem que o Brasil está ruim, concordarei sim, mas já emendo: Conhece Novo Horizonte?

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