ARTIGO: ‘Não podemos compactuar com a impunidade e o conluio’

Aurélio Nomura (*)

O Brasil vive um dos momentos mais importantes de sua história, não apenas devido à prisão do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, mas pelo fato de despertar no País nos últimos anos, uma nova conscientização política e social dos cidadãos e muito mais crítica.
Essa realidade começou a se desenhar a partir de 2014 quando teve início a operação Lava Jato, comandada pelo Juiz Sérgio Moro, que expôs para todos nós um sistema de corrupção, subornos e desvios de dinheiro público nunca antes vistos.
A dimensão dessa pilhagem está nos números: até agora são 118 condenações. Hoje, o momento é outro, e a prisão de Lula confirma que os alicerces republicanos da democracia brasileira estão mais fortes do que nunca.
Tamanha roubalheira, e por tantos anos, é o motivo da indignação, revolta e repúdio dos cidadãos de bens. Deixar de prender qualquer um dos envolvidos, julgados e condenados, como é o caso do ex-presidente Lula, é compactuar com a impunidade e o conluio entre as corporações e o poder político. É dar as costas para a Justiça e para as pessoas honestas e trabalhadoras.
Os tentáculos são tão longos e variados que certamente alcançarão mais pessoas e que terão de ser presas, independente do cargo, da posição social ou de filiação partidária. O Brasil está vivendo um processo de depuração político-social-moral que não pode ficar pela metade. É preciso ir até o fim para que este momento fique registrado como o início de uma nova história para o nosso País.
Sem dúvida, todos esses acontecimentos terão grandes reflexos nas próximas eleições e, por extensão, no País. Mais uma vez, será um ano de extrema importância para todos nós, pois teremos em nossas mãos a arma da moralização e do poder democrático, que é o voto. Será a nossa chance de dar a resposta a toda essa situação que tanto tem denegrido a imagem do Brasil em nível internacional, e moralizar o Executivo, o Congresso Nacional e as Assembleias Legislativas.
É repugnante, imoral e repulsivo que se abuse e use o dinheiro público como moeda de troca, em negociatas clandestinas, para benefício próprio ou dos amigos do rei, desviando e roubando recursos que deveriam ir para a saúde, a educação, a habitação popular, a segurança e o combate à pobreza.
Tudo ao que temos assistido nos últimos anos indica que os tempos da corrupção impune e da propina em troca de regalias, podem estar chegando ao fim – e também renova as esperanças de todos nós brasileiros.

(Divulgação)

(*) Aurélio Nomura é vereador (PSDB) e presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara Municipal de São Paulo

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