Na Liberdade, Alckmin fala em ‘promover o turismo’; candidatos nikkeis fazem contas

No bairro da Liberdade, Geraldo Alckmin pintou um dos olhos do Daruma e fez um pedido (Aldo Shiguti)
No bairro da Liberdade, Geraldo Alckmin pintou um dos olhos do Daruma e fez um pedido (Aldo Shiguti)

Quarto colocado nas pesquisas de intenção de voto – com 8% da preferência dos eleitores – o candidato à Presidência da República pelo PSDB, Geraldo Alckmin, disse nesta terça-feira (25), durante visita ao bairro da Liberdade, principal reduto das comunidades asiáticas – em especial a japonesa – que, se eleito, pretende promover o turismo brasileiro. Segundo o tucano, o Brasil tem uma tradição de receber bem os imigrantes e isso deve ser melhor aproveitado.
“O Brasil, em especial, São Paulo, tem uma tradição de receber imigrantes, é uma questão humanitária. Nós estamos no bairro da Liberdade, que recebeu uma grande comunidade japonesa há 110 anos. Aliás, aqui a gente brinca [dizendo] que São Paulo é a terra onde japonês fala português com sotaque italiano”, disse Alckmin, acrescentando que “temos uma tradição de hospitalidade, de tolerância e de receber pessoas de todos os lugares”
De acordo com o ex-governador, a ideia é promover o turismo de uma forma geral. “Nós poderemos ter perto de um milhão de empregos a mais promovendo o turismo, trazendo mais gente para o Brasil, tornando mais barata a passagem aérea, melhorando a segurança pública – que é importantíssimo para promover o turismo – fortalecendo as pequenas e médias empresas através de créditos, melhorando a questão tributária e a qualificação com cursos técnicos, tecnológicos, turismo de negócios, turismo religioso, turismo nas praias, turismo de aventuras, turismo nas montanhas, estâncias climáticas. O Brasil tem tudo para ser o campeão do turismo, mas nós recebemos menos turistas no Brasil do que a Torre Eiffel em Paris. Então nós vamos promover o Brasil, vender o Brasil, promover o turismo brasileiro”, disse Alckmin, já na Praça da Liberdade-Japão.
Primeiro – e até agora, único – presidenciável a visitar o bairro, Alckmin chegou por volta das 14h30, onde uma multidão de cabos eleitorais de candidatos a deputados federais e estaduais já o aguardava. Entre os candidatos estava o vereador Aurélio Nomura (PSDB), que concorre a uma cadeira na Assembleia Legislativa. Segundo ele, apesar de difícil, “a virada [de Alckmin] ainda é possível”.
Um dos mais entusiasmados era o presidente da Acal (Associação Cultural e Assistencial da Liberdade), Hirofumi Ikesaki. O empresário, que não se conformava com a estagnação da candidatura de Alckmin, foi cumprimentado pelo tucano e acompanhou quase toda a trajetória. Alckmin cumprimentou eleitores, posou para selfies e parou pela primeira vez na 89°C Coffee Station, na esquina da praça com a Rua dos Estudantes. Lá, Aurélio Nomura pagou um doce – “um tipo de pão recheado”, segundo o vereador.
De lá, a comitiva seguiu pela Estudantes até a loja Tenman-ya, especiaizada em utensílios de alta qualidade, como produtos de cerâmica, para restaurantes, hotéis e casas. Como manda a tradição, Alckmin pintou um dos ollhos do boneco Daruma e caminhoui em direção à loja Ikesaki, onde seu proprietário o aguardava com um sacola com produtos. Alckmin cumprimentou os funcionários e em seguida parou na lanchonete Porta do Sol para o tradicional cafezinho. Antes de encerrar sua visita, atendendo a um pedido pessoal de Ikesaki, posou para fotos no monumento que homenageia o novo nome da praça e os 110 anos da imigração japonesa no Brasil.

Jooji Hato
Jooji Hato

Polarização – Se para Alckmin, dono do maior tempo de propaganda na TV, as coisas não estão fáceis, o que dirão os candidatos aos cargos legislativos. Para o deputado estadual Jooji Hato (MDB), que busca seu terceiro mandato na Assembleia Legislativa, esta é uma eleição atípica, “tanto pelo cenário político quanto pelas alterações eleitorais”.
“A poucos dias do pleito temos uma polarização no nível federal e acirramento na disputa para os cargos do executivo (governo e presidência), isto torna os resultados imprevisíveis e afeta diretamente a eleição dos cargos legislativos. Estamos trabalhando muito para levar aos eleitores informações sobre nosso trabalho e nossa história na vida pública”, diz ele, que está se recuperando de um AVC (Acidente Vascular Cerebral).
Para Jooji, “o pior que pode acontecer em um sistema eleitoral democrático é o eleitor não dispor de múltiplas escolhas ou não sentir-se representado por seus candidatos”. “Neste sentido, fico feliz em saber que a comunidade nipo-brasileira dá um exemplo democrático, oferecendo aos eleitores o direito e a possibilidade de escolher, ainda que isto signifique para alguns pulverização dos votos, o fato é que comunidade sempre teve vários candidatos em todas as eleições”, afirma Jooji.

Jamil Ono
Jamil Ono

Positivo – Ex-prefeito de Andradina, Jamil Ono, do Patriota, também vê como um ponto positivo a quantidade de candidatos nikkeis – tanto para a Assembleia paulista como para a Câmara dos Deputados. “A maior participação fortalece a democracia e quanto mais representantes a comunidade tiver melhor será para a política nacional”, acredita Jamil, afirmando que a nova legislação eleitoral modificou muito a forma de fazer campanha e abriu uma nova perspectiva de aproximação com o eleitor.
“O que também avalio como um ponto positivo. Eu como candidato tenho mais oportunidades de apresentar as propostas e conseqüentemente os eleitores de me conhecerem antes de me confiarem o seu voto”, explica Jamil Ono, que acredita que o eleitor está “mais atento e o cenário político em um todo será de renovação”.
Com experiência de sete mandatos como vereador, Jooji Hato afirma que “o brasileiro luta por um Brasil melhor, com mais oportunidades, trabalho e qualidade de vida”. “Para eleger bons candidatos os eleitores estão pesquisando melhor a história de cada um e com certeza, irá escolher aqueles que sempre agiram com honestidade e dedicação, não importando se isto resultará em resultados conservadores ou não. Acredito que a escolha será feita levando em consideração tais critérios”, assegura.

Debates – No passado, uma das alternativas encontradas pelas entidades nikkeis para fazer uma apresentação dos candidatos nikkeis era promovendo debates. Para o vereador Aurélio Nomura (PSDB), o debate é um instrumento importante para que o eleitor conheça melhor as ideias e as propostas de cada candidato. “Há uma aproximação maior entre eleitor e candidato; é a conversa, como se diz, ‘olho no olho’. Porém, hoje, o eleitor dispõe de um grande instrumento de pesquisa que é a internet e por ele é possível escolher em quem votar. Aliás, nesta campanha, uma das mais difíceis dos últimos anos, a internet está sendo fundamental para a campanha e a qual todos podem ter acesso”, diz Nomura que, calcula que serão necessários cerca de 80 mil votos, no seu caso, para conseguir uma cadeira na Assembleia Legislativa de São Paulo.

Walter Ihoshi
Walter Ihoshi

Contas – Para o deputado federal Walter Ihoshi (PSD), a missão também é árdua. “Na nossa coligação, ampla [com PSDB, PP, PSD, DEM], que nós estamos chamando de ‘chapão’, a expectativa é fazer um número muito grande de deputados federais. De acordo com estimativas, essa coligação deve eleger pelo menos 25 deputados federais pelo Estado de São Paulo com essa coligação”, diz Ihoshi, que para conseguir seu quinto mandato calcula que serão necessário, no mínimo, 110 mil votos
Apesar disso, Walter Ihoshi acredita que é posível aumentar a atual bancada nikkei na Câmara dos Deputados, que atualmente conta com três representantes do Estado de São Paulo – Junji Abe (MDB) e Keiko Ota (PSB), além do próprio Ihoshi. “A comunidade, se organizando, poderia eleger pelo menos mais uns dois deputados acredito eu. Agora, dada as novas regras eleitorais, espero que a gente possa ao menos manter esse número que temos hoje e ampliar em pelo menos mais um”, conta.

Junji Abe
Junji Abe

Ficha-limpa – O sempre deputado Hatiro Shimomoto entrou em contato com a redação do Jornal Nippak para afirmar seu apoio à decisão do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) que deferiu, no último dia 17, por unanimidade, o registro da candidatura do deputado federal Junji Abe à reeleição. “Fui colega do Junji na Assembleia por muito tempo e também na época em que ele foi prefeito de Mogi. O que estava sendo julgado não era justo. Posso garantir que o Junji merece todo apoio da sociedade”, diz Shimomoto, que deixa claro que não está manifestando seu voto e sim seu apoio à decisão do TRE.

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