Mesmo sem pódio, brasileiros celebram participação no Mundial

Tadao Ebihara (ao fundo) arbitrando a final de Equipes entre Coreia do Sul e Japão (Kendo Photography)
Tadao Ebihara (ao fundo) arbitrando a final de Equipes entre Coreia do Sul e Japão (Kendo Photography)

A cidade de Incheon, na Coréia do Sul, recebeu, nos dias 14, 15 e 16 de setembro, o 17º Campeonato Mundial de Kendô. Este ano o evento teve a participação de 56 países. O Brasil foi representado no torneio com 20 atletas, 4 técnicos e um chefe de delegação, sendo uma das três delegações mais completas da competição.
Devido à imigração japonesa, a maioria da seleção brasileira é de descendentes japoneses – um dos motivos da forte manutenção das tradições dessa arte que tem como foco manter o caráter humano através do caminho da espada.

(Bernardo Arruda)
(Bernardo Arruda)

A prática do kendô no Brasil é controlada pela Confederação Brasileira de Kendô (CBK), que pertence à Federação Internacional de Kendô (FIK), única entidade oficial que realiza o evento mais importante do kendô no mundo – apenas seus países federados podem participar.
Apesar de já ter conquistado excelentes resultados em edições anteriores, este ano o Brasil não foi bem, tanto individualmente como na disputa por equipes. Mas mesmo assim teve três atletas premiados com o “Fighting Spirit”, dado aos atletas que mais se destacaram na competição.

Família Takayama com quatro representantes no Campeonato Mundial de Kendô (Bernardo Arruda)
Família Takayama com quatro representantes no Campeonato Mundial de Kendô (Bernardo Arruda)

Foram eles: Celso Tsuyoshi Takayama, 5º dan, da Associação Cultural e Assistencial Mie Kenjin do Brasil (São Paulo), Elina Hideko Onaka, 4º dan, da Academia BunBuKan Kendô (Santa Catarina) e Edson Jundi Toida, 6º dan, da Academia Seibukan Kendô – São Paulo.
Além dos atletas, juízes de arbitragem também são convocados e o Brasil teve a honra de ser representado por Tadao Ebihara, 7º dan, também presidente da Confederação Brasileira de Kendô. Tadao Ebihara além de arbitrar durante todo o campeonato, foi convocado para arbitrar a final dificílima e muito acirrada de Japão e Coréia na categoria de Equipes.
(Tábita Wenckstern Sáez Takayama, especial para o Nippak)

Depoimentos

Celso Tsuyoshi Takayama com a técnica Miwa Onaka (Bernardo Arruda)
Celso Tsuyoshi Takayama com a técnica Miwa Onaka (Bernardo Arruda)

Celso Tsuyoshi Takayama, 5º dan, da Academia Associação Cultural e Assistencial Mie Kenjin do Brasil – São Paulo
“Foi uma mistura de alegria, alívio, emoção e gratidão. No grande dia passam muitos filmes na cabeça, dos quase 3 anos de preparação para poder estar lá, sacrifício de outros compromissos, de todo apoio que recebemos, etc. Tudo para esse único dia. Momentos antes das lutas e até mesmo durante elas, a ansiedade era tão grande que não adiantava o quanto eu falasse para mim mesmo para ficar calmo, simplesmente não conseguia. Então o meu maior desafio foi controlar essa ansiedade e transformá-la em um sentimento positivo. Sentia que se eu permitisse por um instante que essa ansiedade se tornasse negativa, iria tudo por água abaixo.
Depois que acabou a última luta, você ainda não sabe direito o que sente, mas depois que você vê a sua família e as pessoas queridas, finalmente toda aquela ansiedade e tensão vão embora e as lágrimas simplesmente vieram sem você saber o ‘por quê’, e o primeiro sentimento de fato que vem na cabeça é “gratidão”, por tudo e todos que tornaram esse momento possível. Só conseguia pensar em Obrigado, arigatou”.

Elina Hideko Onaka, da Academia Bunbukan (Bernardo Arruda)
Elina Hideko Onaka, da Academia Bunbukan (Bernardo Arruda)

Elina Hideko Onaka, 4º dan, da Academia: BunBuKan Kendô – Santa Catarina
“Para mim a sensação de ter ganho a premiação de honra ao mérito foi muito gratificante. Analisando minhas lutas acredito que ganhei essa premiação devido a minha performance contra a Polônia. Era um situação de muita pressão psicológica, já estávamos perdendo por 2 lutas, se eu perdesse meu time perderia, se eu empatasse deixaria muita carga para as duas atletas que lutariam depois de mim, pois elas teriam que ganhar. Entrei para ganhar e o segundo plano era não perder. O meu desafio era conseguir deixar fluir em mim 100% do meu kendo na quadra, e dar o meu máximo sem deixar que os fatores externos influenciaram negativamente na minha performance. O fator psicológico foi muito importante para ter conseguido ganhar a luta. O kendo me ensina a cada luta uma nova lição e dentre muitas lições que aprendi nesse processo de ter sido atleta da seleção, vou destacar uma que parece clichê mas que acho que aos poucos estou entendendo melhor – A unificação do Corpo- Mente- Espírito no momento da luta. Entender que o treinamento anterior da luta deve ser para fortalecer esses 3 pontos, conhecer seus pontos fracos e encontrar estratégias para fortalecê-los. Me sinto muito honrada em ter representado meu país no Mundial de Kendo e acho que tudo que aprendi foi devido ao esforço de muitos, meu desejo agora é retribuir de alguma forma a comunidade tudo que aprendi nesse processo pois acredito que o aprendizado será recíproco e evolutivo quando compartilhado”.

Edson Jundi Toida, da Academia Seibukan (Bernardo Arruda)
Edson Jundi Toida, da Academia Seibukan (Bernardo Arruda)

Edson Jundi Toida, 6º dan, da Academia: Seibukan Kendô – São Paulo

“A sensação que tenho é de ter um sonho realizado por todos esses anos de dedicação e treinamento ao lado de pessoas que fizeram parte da seleção brasileira e fora dela. Participei dos treinos da seleção desde 1996 e apenas em 2006 consegui entrar na seleção brasileira e agora, 2018, foi o meu último mundial como atleta. Espero que no futuro possa ajudar a seleção de outras formas e acredito que o Brasil tenha um grande potencial para crescer ainda mais”.

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