Luiz Nishimori diz que principal desafio do novo governo será ‘cortar gastos público’

(Aldo Shiguti)
(Aldo Shiguti)

Com o anúncio do general Carlos Alberto dos Santos Cruz, nesta segunda-feira (26), para a Secretaria de Governo – o seu 12º ministro – o presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) começa a dar pistas de como será seu governo. Para o deputado federal Luiz Nishimori (PR-PR), a composição da equipe que o presidente eleito está montando “agrada”. Ele afirma que “assina embaixo”, por exemplo, a escolha da deputada federal Tereza Cristina (DEM-MS) para a pasta da Agricultura. “Ela é agrônoma e já foi secretária da Agricultura do Mato Grosso do Sul, um estado essencialmente agrícola”, disse Nishimori, que esteve de passagem pela capital paulista na semana passada para palestrar no encontro mensal dos associados da Câmara de Comércio e Indústria Japonesa do Brasil – abordou o tema “A nova perspectiva política do Brasil”.
Em entrevista exclusiva ao Jornal Nippak, Nishimori conta que “o próprio Bolsonaro pediu para que a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) indicasse um nome para o Ministério”. “No momento, tínhamos outros nomes, até o meu estava no meio”, explicou o parlamentar, revelando que outro que estava cotado era o deputado federal Alceu Moreira da Silva (MDB-RS). “Apareceu ainda outro candidato da UDR [União Democrática Ruralista]. Fizemos uma reunião na casa do Alceu Moreira e todos abriram mão pois o Bolsonaro estava sendo cobrado para indicar uma mulher para sua equipe. Mas não foi só isso. Trabalhei durante praticamente três anos com a Tereza Cristina na questão dos defensivos agrícola e pude constatar sua competência. Eu era o relator e ela a presidente da FPA”, lembrou o deputado, afirmando que “para ser ministro tem que esperar o momento certo e estar no lugar certo”.

Reforma Previdenciária – “Não adianta planejar. Todos têm competência, mas o momento é da Teresa”, conta Nishimori, garantindo que aceitaria o cargo de ministro “se fosse para pendurar as chuteiras”. “O cargo de ministro é para quem está terminado a carreira política porque é muito desgastante. O Brasil tem muitos problemas na área da agricultura. Tanto que o próprio Bolsonaro cogitou fundir o Ministério da Agricultura com o Meio Ambiente mas, pressionado pela FPA, entendeu a importância e recuou. Felizmente”, disse Nishimori, para quem o principal desafio do novo governo será aprovar a Reforma Previdenciária.
Para ele, “da maneira que o relator Arthur Maia (PPS-BA) colocou será difícil aprovar”. “Na minha opinião, temos que melhorar o texto. O problema maior é o gasto com o setor público. O setor privado não precisa mexer pois só colabora. Lógico que é preciso fixar o limite de idade, se são 65 anos para homem e 63 anos para mulher. No Japão já se fala em 70 poucos para se aposentar. Mas no Brasil acredito que a idade mínima de 65 anos está bom. É um absurdo ficar como está. Qualquer servidor público hoje recebe 10, 11, 20 mil reais de aposentadoria. Tem que fazer como no setor público, que existe um teto. Afinal, estamos morando no mesmo país”, disse Nishimori, afirmando que “o setor privado sustenta o público, que é uma máquina muito pesada”.

Coragem – “Nós temos que ter coragem para fazer a Reforma Previdenciária caso contrário o Brasil não irá para frente”, conta o parlamentar, destacando que, “da forma como está sendo colocada sofrem os pequenos agricultores e quem quem ganha salário minimo”. “Os agricultores, por exemplo, pegam pesado e têm a vida curta. Na minha opinião, também não deve mexer com quem ganha pouco”, disse Nishimori, explicando que o presidente eleito também terá que discutir a Reforma Tributária porque “os empresários já não aguentam mais”.
“O retorno deles [empresários] é muito pouco. Daí a vontade de se acabar, primeiro, com a corrupção e depois, com o gasto público”, diz Nishimori, que também defende privatizar “quem está no vermelho”. “Se não está dando lucro, privatiza”, destaca o parlamentar, afirmando que o presidente eleito “não é de extrema direita como dizem”.

Brasil-Japão – “Quem o conhece bem sabe que não é assim. Ele será um ótimo parceiro do Japão, mais do que os dois últimos presidentes, que tinham relações muito próximas com Cuba, Venezuela e outros países mais de esquerda. O Bolsonaro vai querer estreitar relações com o outro lado, com os Estados Unidos, a Alemanha, o Japão e a Coreia do Sul. É por aí que ele vai fazer sua política de diplomacia. É lógico que não podemos ignorar um país como a China”, diz Nishimori, que em fevereiro deste ano acompanhou o então presidenciável em uma visita ao Japão, Coreia do Sul e Taiwan ao lado do também deputado federal Onyx Lorenzoni (DEM-RS) e dos três filhos de Bolsonaro.
Segundo o deputado, uma das áreas que chamou a atenção de Bolsonaro foi a Educação, em especial temas ligados ao ensino profissionalizante. “Precisamos formar mais engenheiros do que advogados, porque é de engenheiros que o país está precisando, mas não daqueles engravatados. Precismos formar também mais técnicos agrícolas, pois são eles que mexem no bico do pulverizador, e não os agrônomos”, destacou Nishimori, afirmando que “temos um potencial para o agronegócio que deve continuar. “E o Bolsonaro quer o bem para o Brasil”, afirmou, acrescentando que o presidente eleito dará uma atenção especial para os três setores que o elegeram: o agronegócio, os evangélicos e os militares, “além dos que votaram por mudança”.

Luiz Nishimori esteve na lista de nomes indicados para ocupar o Ministério da Agricultura (Aldo Shiguti)
Luiz Nishimori esteve na lista de nomes indicados para ocupar o Ministério da Agricultura (Aldo Shiguti)

Temer – “Acho que o principal recado dos eleitores foi a vontade acabar com a corrupção. Tanto que praticamente varreu metade da Câmara dos Deputados. Foi a maior renovação em 20 anos. Normalmente a renovação é de 30% na Câmara e desta vez alcançou a casa dos 50%. No Senado foi ainda pior, com mais de 80%. O recado foi dado em todos os estados brasileiros. Lógico que a política está mudando e os políticos também tem que se adequar a essa nova realidade. Agora, tem muitos projetos que este novo governo receberá até razoavelmente bem deste governo que está chegando ao fim. Apesar das críticas e dos problemas com a população, na área econômica o Temer fez um bom trabalho. A economia está mais ou menos estável e a inflação também melhorou”, defende Nishimori.
“Ele pegou uma economia quebrada e trabalhou bem. Trata-se de uma pessoa competente, inteligente, professor da USP e pelo qual tenho respeito”, declarou Nishimori, lembrando que em 2016 acompanhou a viagem de Temer ao Japão.
“Para a relação Brasil-Japão, o Temer foi um dos melhores presidentes que representou o Brasil. Ele fez um excelente trabalho porque o Brasil estava com uma imagem muito ruim, pois todo mundo se lembra que a ex-presidente Dilma ensaiou duas vezes e nas duas vezes cancelou a viagem. Cobrei muito a ex-presidente porque a diplomacia não funciona assim. Uma vez que você assume um compromisso com um país tem que honrar”, disse Nishimori, destacando que “baterei palmas para os dois [Temer e Bolsonaro] caso o ex-presidente seja convidado a assumir a Embaixada brasileira na Itália.

Esperança – Apesar dos elogios, para Nishimori a população terá que ter um pouco de paciência nos primeiros meses. “Apesar de o Temer estar entregando o país um pouco mais redondo do que pegou, os dois primeiros anos não serão fáceis. O Bolsonaro está montando uma equipe que, se todos trabalharem, os resultados não demorarão a aparecer, mas é claro que será necessário um remédio um pouco amargo nos dois primeiros anos e alguns podem até chiar. O desgaste será natural até as pessoas entenderem os ajustes necessários. Mas toda vida foi assim. O Lula foi considerado um excelente presidente no fim do seu mandato, embora atrás desse sucesso tivesse toda essa corrupção que ninguém enxergava e que foi aparecer no governo Dilma. O Bolsonaro vai precisar trabalhar muito para as regiões Norte e Nordeste, onde o Lula tem muita força e por lá contruiu uma imagem de herói. Entendo que o Bolsonaro terá que dar uma atenção especial para essas regiões onde ele não venceu”, disse Nishimori, afirmando que “Israel já ofereceu a tecnologia para poder ajudar essas regiões, duramente castigadas pelas secas.
“Mas de qualquer forma é uma esperança que nós temos. Os brasileiros votaram na esperança que esses politicos sejam contra a corrupção para que haja uma melhoria na qualidade. O Bolsonaro representa uma esperança que está nascendo”, disse Nishimori, afirmando que o presidente eleito está dando “carta branca” para todos os seus ministros, “mas também vai cobrar resultados”. “
É o jeito dele, de confiar nas pessoas e cobrar resultados. O Bolsonaro escuta, não é de bater na mesa Ele analisa, chama as pessoas e daí um tempo decide”, diz Nishimori.

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