Livro conta a história do empresário Fumio Horii

(Aldo Shiguti)
(Aldo Shiguti)

Visionário para alguns, homem de poucas palavras para praticamente todos que o conhecem – aliás, pouquíssimas palavras como constatou in loco a própria reportagem do Jornal Nippak – a vida do empresário Fumio Horii renderia um livro. E foi justamente o que aconteceu no dia 13 de dezembro, na sede social da Associação Cultural de Mogi das Cruzes (Bunkyo), com o lançamento de “Rei do Caulim – Fumio Horii – Minha História de 80 Anos de Imigrante no Brasil”. Organizado pelo Bunkyo de Mogi das Cruzes, o evento – conduzido pelo apresentador Kendi Yamai – reuniu familiares, amigos, autoridades e convidados que fizeram – e fazem – parte de sua trajetória.

Muitos amigos prestigiaram o lançamento, como Yoshiharu Kikuchi e Nobolo Mori (Aldo Shiguti)
Muitos amigos prestigiaram o lançamento, como Yoshiharu Kikuchi e Nobolo Mori (Aldo Shiguti)

Estiveram presentes o presidente do Bunkyo de Mogi das Cruzes, Frank Tuda; o avicultor Haruhiko Yamamoto – que assina o prefácio do livro –, o médico Nobolo Mori; o empresário e ex-secretário municipal de Agricultura de Mogi das Cruzes, Oswaldo Nagao; o vice-prefeito de Mogi das Cruzes, Juliano Abe; o prefeito de Suzano, Rodrigo Ashiuchi; o deputado estadual Luiz Carlos Gondim; o presidente da Câmara Municipal de Mogi das Cruzes, Pedro Komura; representantes de diversas associações agrícolas como a Associação Sul de Mogi das Cruzes – Capela 11, Associação Cultural Agrícola de Vila Moraes; Associação Cultural do Rio Acima; Associação Cultural e Agrícola de Itapeti; Associação Rural de Pindorama; Associação dos Agricultores de Cocuera; Associação Rural de Porteira Preta e Associação Cultural Desportiva de Biritiba Mirim, entre outras, além do vice-presidente do Bunkyo (Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social), Roberto Nishio – na ocasião representando a presidente da entidade, Harumi Goya – o presidente da Associação Pró-Excepcionais Kodomo-No-Sono, André Korosue e o presidente da Assistência Social Dom José Gaspar – Ikoi-No-Sono, Sunao Sato.

O amigo Haruhiko Yamamoto assina o prefácio da obra (Aldo Shiguti)
O amigo Haruhiko Yamamoto assina o prefácio da obra (Aldo Shiguti)

Visionário – Todos que fizeram uso da palavra e também os entrevistados pela reportagem do Jornal Nippak destacaram pelo menos duas características em comum no empresário: ser um visionário e um ótimo ouvinte. Sobre isso, Haruhiko Yamamoto, “vizinho de muitos anos”, lembrou uma passagem curiosa. “Diz um amigo do senhor Horii, o doutor Nobolo Mori, fundador do Hospital Ipiranga, que quando ele joga golfe, apenas o doutor Mori é que fala. O senhor Horii apenas ouve, sempre com um sorriso no rosto e demostrando humildade”, disse Yamamoto, afirmando que ficou “admirado” ao ler o livro de antemão” para escrever o prefácio.
”Como todos sabem, o senhor Horii é de poucas palavras e acredito que o jornalista, o senhor Gen Oura, tenha tido um pouco de trabalho para conseguir as informações”, disse Yamamoto, acrescentando que, “como o senhor Horii é muito discreto, apenas recentemente fiquei sabendo, em uma conversa, que o Kazuto, segundo filho de Fumio Horii, é prefeito na cidade de Bodoquena, em Mato Grosso do Sul,”. “Fiquei surpreso. Falei: ‘Nossa, seu filho é prefeito?’. Qualquer pai teria muito orgulho e estaria falando isso para todo mundo”, afirmou, explicando que “esse episódio mostra como os senhor Horii é discreto”.
Segundo Yamamoto, assim, aos poucos, como a montagem de uma quebra-cabeça, foi sendo criada essa autobiografia. “O livro mostra que, com muita dedicação e amor ao trabalho e à família, de forma honesta, é possível superar grandes crises econômicas. A sorte é uma consequência desse esforço”, disse Yamamoto, explicando que o livro é indicado para jovens empreendedores “que queiram ter sucesso e que sirva para o surgimento de novos empresários como o senhor Horii na nossa comunidade”.

O casal Fumio e dona Fusako Horii (Aldo Shiguti)
O casal Fumio e dona Fusako Horii (Aldo Shiguti)

Modelo – Ao Jornal Nippak, o vice-prefeito de Mogi das Cruzes, Juliano Abe, disse que “muitas pessoas podem até ter se referir à sorte do senhor Horii em relação a uma escavação que ele fez no passado e achou minério”. “Eu e o meu pai [o deputado federal Junji Abe]costumamos dizer que a sorte acompanha o trabalhador. O senhor Horii, além de ser um grande empresário, além de ser um grande cidadão de Mogi – e porque não dizer do Brasil – o senhor Horii também é um grande modelo de trabalhador. Ele é um exemplo para todos nós, sejamos políticos ou pessoas que não integram a gestão pública. Ele é um exemplo de que trabalho vale a pena, que trabalho enobrece o homem, que o trabalho faz sim uma família boa, que trabalho gera dinheiro e grandes amizades como a gente vê numa festa como essa”, observou Juliano, afirmando que “o senhor Horii é um ídolo do trabalho para mim, não da sorte e não apenas do empreendedorismo, mas de que esforço, dedicação e suor nessa vida é o que o Brasil e todos nós precisamos”.

Lançamento ocorreu na sede social do Bunkyo de Mogi das Cruzes (Aldo Shiguti)
Lançamento ocorreu na sede social do Bunkyo de Mogi das Cruzes (Aldo Shiguti)

Sensacional – Para o prefeito de Suzano, Rodrigo Ashiuchi, Fumio Horii é, antes de tudo, uma pessoa merecedora”. “Tem uma linda e rica história de vida que orgulha não só Mogi das Cruzes como orgulha também toda a região do Alto Tietê. Que essa história de vida sirva de exemplo não só para aqueles que terão oportunidade de ler o livro mas para todos aqueles que possam conhecer a trajetória vitoriosa e de sucesso de um dos maiores empresários da nossa região e do país”.
Já o presidente da Câmara Municipal de Mogi das Cruzes, Pedro Komura, saudou o Bunkyo de Mogi das Cruzes em nome dos vereadores e parabeizou Fumio Horii pelo livro, “que conta um pouquinho das história da vida dele, desde seu início como agricultor, passando por suas lutas, e hoje um grande contribuidor da cidade de Mogi das Cruzes, da comunidade nipo-brasileira e das entidades assistenciais”.
Amigo de longa data, o empresário e ex-secretário municipal de Agricultura de Mogi das Cruzes, Oswaldo Nagao comentou que, “como figura humana, o senhor Horii é uma pessoa sensacional, um grande colaborador da comunidade, principalmente do Bunkyo de Mogi”. “Ele carerega a associação de Mogi das Cruzes nas costas e isso é muito importante porque nós temos um parceiro que dá o sangue para comunidade nipo-brasileira em Mogi das Cruzes”, disse Nagao, lembrando que o empresário é patrono do Akimtsuri – Festival de Outono, evento organizado anualmente pelo Bunkyo de Mogi das Cruzes, e investiu na construção de um Ginásio Esportivo para a entidade.
O deputado Luiz Carlos Gondim também falou sobre sua felicidade de cumprimentar “um grande amigo, que veio para Mogi, plantou tantas árvores, construiu um patrimônio e agora complementa a vida dele escrevendo um livro”. “Assim, dizem, que o homem fecha a sua caminhada quando escreve um livro. E você [Fumio Horii] está fazendo esta caminhada com muita beleza e admirada por todos nós”.

O presidente do Bunkyo de Mogi das Cruzes, Frank Tuda (Aldo Shiguti)
O presidente do Bunkyo de Mogi das Cruzes, Frank Tuda (Aldo Shiguti)

Sonho – Presidente do Bunkyo de Mogi das Cruzes, Frank Tuda disse que, “para nós, ele é muito mais que um empresário”. “É um amigo, um padrinho e um grande conselheiro, que tem nos ajudado ao longo dos anos na missão de disseminar a cultura japonesa”, discursou Tuda, revelando que “foi com a ajuda dele que construímos o Centro Esportivo do Bunkyo, onde hoje é realizado o Akimatsuri – considerado atualmente um dos principais eventos da comunidade nipo-brasileira e que também tem uma grande participação do senhor Horii”.
“Lembro, na minha juventude, do senhor Horii dirigindo um trator e fazendo a terraplanagem, comandando a todos na construção do campo de beisebol e o ginásio, que é utilizado para práticas esportivas até hoje”, observou Frank Tuda, acrescentando que seu grande sonho é transformar o centro esportivo em um grande centro de eventos e esportes, “terminando uma grande obra que teve início graças ao senhor Fumio Horii”. “Sei que esse sonho ainda poderá demorar muitos anos, mas acredito que, com a ajuda da comunidade, dos bairros e dos diretores do Bunkyo o tornaremos realidade”, finalizou, afirmando que o empresário ajuda ainda muitas entidades sociais e filantrópicas.
“Como forma de gratidão por tudo que o senhor Fumio Horii fez – e contiua fazendo – organizamos esse evento para reunir amigos e familiares para o lançamento do livro que narra a sua história de luta, perseverança e empreendedorismo. “Que seu exemplo sirva de inspiração para nós e para as futuras gerações”, concluiu Tuda.

Touro enfezado – Filho mais velho do casal Fumio e Fusako, Hissao disse à reportagem do Jornal Nippak que o lançamento do livro “é uma das coisas bacanas que fica para a memória, não só dele como da família toda”. “É um grande orgulho para gente”, disse Hissao que aponta como uma das principais qualidades do pai sua visão para os negócios. “Ele busca coisas que não são comuns às pessoas, que são quase inimagináveis . Ele enxerga aquilo e vai atrás como um touro enfezado, não desiste nunca”, afirmou Hissao.

Rei do Caulim – Nascido no mesmo dia, mês e ano do atual imperador do Japão, Akihito (23 de dezembro de 1933), na província de Hiroshima, Fumio Horii desembarcou no país com a família em 28 de fevereiro de 1937 – então com apenas três anos de idade. Inicialmentge, foram parar na Fazenda São Martinho, em Ribeirão Preto (SP), onde permaneceram até 1940. Posteriormente, a família mudou-se para Santo André (na Região do ABC paulista) até fixar residência em Mogi das Cruzes, em 1952.
Em 1961, já no bairro de Varinhas (conhecido como Colônia Daruma), uma descoberta que mudaria sua vida e a de dona Fusako, sua esposa. Ao escavar um poço de 1,5m de diâmetro até uma profundidade de 2 metros, se deparou com uma terra branca. Era caulim, mineral que tem como principal ingrediente silicatos hidratados de alumínio, muito utilizado na fabricação de produtos cerâmicos, refratários, vidros, louças sanitárias e recentemente na fabricação de papel, fibra de vidro, produtos farmacêuticos e plásticos, entre outras atribuições.

Inauguração do Templo Hompa Hongwanji de Mogi das Cruzes (Aldo Shiguti)
Inauguração do Templo Hompa Hongwanji de Mogi das Cruzes (Aldo Shiguti)

Benfeitor – Benfeitor de entidades como o Bunkyo de Mogi das Cruzes, Enkyo (Beneficência Nipo-Brasileira de São Paulo) e do Templo Hongwanji de Mogi, entre outros, Fumio Horii agradeceu os convidados e lembrou que “como todos sabem, vim de uma família de agricultores, começando a minha carreira há pouco mais de 60 anos em Mogi das Cruzes”.
“Comecei com a agricultura, depois fui para a mineração, onde continuo até hoje. De alguns anos para cá construí um campo de golfe e o hotel Paradise, que hoje se encontra sob a administração de um grupo francês”, disse Horii, afirmando que “quando começo alguma coisa, me dedico totalmente, não sou de desistir”. “Quando quero alguma coisa, vou até o fim”, garantiu, revelando que “os meus projetos eu idealizo na minha cabeça e antes de terminar já sei como será a obra acabada. Foi assim que sempre fiz na minha vida”, disse Horii, que agradeceu seus pais, Isamu e Yoshimi, e seus antepassados “que me trouxeram ao Brasil para que eu pudesse trilhar este caminho”.

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