Jornal São Paulo Shimbun encerra 72 anos de história por causa da redução drástica de leitores e aumento de despesas

Segue um resumo do artigo publicado pelo editor-chefe do jornal, Masao Suzuki

Artigo do editor-chefe que explica os motivos para o encerramento do jornal.
Artigo do editor-chefe que explica os motivos para o encerramento do jornal.

No dia 20, o jornal São Paulo Shimbun anunciou o encerramento de sua publicação. A edição do dia 22 deste mês foi a última regular e, com o número especial de Ano-Novo, de 1 de janeiro de 2019, encerrará suas atividades. No topo da seção da comunidade nipo-brasileira da mesma edição, o editor-chefe Suzuki publicou o artigo “Motivos para o encerramento do jornal”, explicando o processo. A manchete diz: “Fatores cruciais foram a redução drástica de leitores e o aumento de despesas. Decisão foi tomada por série de capitais de giro de curto prazo”. Esse não é um caso isolado, pois este jornal também passa por dificuldades. O São Paulo Shimbun foi fundado em outubro de 1946. É um grande acontecimento que ficará marcado na história da comunidade nipo-brasileira. Abaixo, segue um resumo do artigo do editor-chefe. (Departamento Editorial do Jornal Nikkey Shimbun)

À mercê de investidor, nem sempre grandes promessas dão resultados notáveis

Na época, planejava fazer um anúncio na edição do dia 8. Mas no dia 1, uma pessoa que foi relacionada com o jornal São Paulo Shimbun entrou em contato: “É inadmissível que um jornal de tão longa história termine. Deixe-me ver se posso ajudar”. Quando expliquei a situação financeira da empresa, ele pediu dez dias de prazo e, posteriormente, mais tempo.
As condições do jornal São Paulo Shimbun eram capital de giro de, pelo menos, seis meses, e uma explicação aos funcionários das medidas tomadas. O editor-chefe Suzuki achava que a edição do dia 15 seria o limite para anunciar um comunicado da empresa, por isso pediu por uma resposta até o dia 13, mas o retorno que obteve foi: “No momento, posso apenas dizer que a possibilidade é grande”, indicando que não houve progresso.
No fim das contas, na tarde do dia 18, a situação terminou sem qualquer negociação. O editor-chefe desculpou-se pelo anúncio ter sido feito em cima da hora: “O que a pessoa queria era apenas se aproveitar do nome do jornal e desconsiderou os leitores e funcionários. Sinto muito e peço desculpas aos leitores”.

Os funcionários serão demitidos e a empresa liquidará as despesas

No artigo, ele explicou a situação atual: “O número de exemplares diminuiu drasticamente nos últimos anos e, aliado a alta das despesas de impressão e distribuição, dificultou a publicação do jornal como era feita, o que nos fez tomar providências”.
Neste ano, principalmente, a situação piorou: “O atraso no pagamento das despesas com impressão e distribuição tornou-se frequente e agravou ainda mais o atraso no pagamento de salários dos funcionários, gerando falta de capital de giro”. Além disso, o pagamento do INSS e do FGTS dos funcionários também começou a atrasar: “Fomos obrigados a decidir pelo encerramento do jornal em outubro”.
O artigo também explicou: “No final de outubro, informamos aos funcionários sobre o encerramento do jornal e a demissão, ainda que informalmente. Concluímos que, se pagássemos a parte restante do FGTS até a demissão, o mínimo dos direitos dos funcionários estaria assegurado”. Sobre o acerto das férias indenizadas, ele disse: “A sócia-proprietária do jornal, Helena Mizumoto, informou e assinou por escrito a intenção de, após a venda do imóvel onde fica a sede da empresa, pagar o devido a cada funcionário”.
Também lamentou: “Aos leitores e funcionários, foi de partir o coração encerrar um jornal que está em publicação há 73 anos”.

Jornal poderá continuar com edição online?

Anúncio da empresa publicado na edição do dia 20 no São Paulo Shimbun
Anúncio da empresa publicado na edição do dia 20 no São Paulo Shimbun

O editor-chefe Masao Suzuki publicou também o artigo “Será possível uma versão online? A primeira questão seria enfrentar a crise financeira”, em que indica um rumo futuro.
Ele disse que, neste momento, está visitando clientes e conhecidos no Japão para garantir o pagamento dos funcionários: “São poucos os que colaboram, porque encerrar um jornal é como declarar a derrota em uma guerra. Mas algumas disseram que vão fazer o possível para ajudar. Fico muito contente. Deve ser porque o jornal trabalhou com dedicação”.
Também descreveu o modelo do “novo jornal”: “Como seria um “novo jornal” online? Ainda está muito vago e não existe um conteúdo mais concreto para mostrar. O que posso dizer é que não será algo voltado para os leitores que temos hoje, centrado apenas na comunidade nipo-brasileira, mas para os japoneses que moram no Japão e em outras partes do mundo, para pessoas interessadas no Brasil e para os jovens descendentes de japoneses do Brasil. (texto original foi pubulicado no dia 21 de Dezembro de 2018 no Jornal Nikkey Shimbun)

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