JORGE NAGAO

1) Uma rebelião nos cárceres gera uma reação em cadeia.
2) Para se inteirar dos fatos, é preciso ir às quebradas.
3) O problema dos transportes públicos não é passageiro.
4) A trepadeira é uma planta muito sem begônia.
5) A luta continua: contra o continuísmo.
6) O salário de R$ 954 é aviltante. Para dizer o mínimo.
7) Decida: todo santo ajuda.
8) O militar é, antes de tudo, um Forte.
9) Tecnocratas, não desanimais. Animais!
10) Diálogo, pra eles, é levar a gente na conversa.
11) A aposentadoria ainda vai dar trabalho.
12) Amor platônico é a ausência de sexo. Sem tirar, nem por.
13) Camelô é um desempregado que bota banca.
14) Salário comprimido dá dor de cabeça.
15) Como Maluf não vai ao povo, o povo vaia Maluf.
16) O governo que aí está, não está nem aí.
17) A classe média virou café pequeno.
18) Devo não nego pagarei quando pool der.
19) Direita vou ver. De novo.
20) Mau hálito? Vira essa boca pra lá!
21) Para o paraíba, o importante é ter charque.
22) A cultura popular é uma broa.
23) Candidato sujo merece uma levada.
24) Jânio: – Fí-la porque tequila!
25) Maluf é um medalhão graças às medalhinhas.
26) Para o chinês, a nossa política médica é muito bula.
27) A saída para o alcoolismo está na saideira.
28) O dia do juízo final será a maior loucura.
29) Consumir faz parte da etiqueta.
30) Quem não quebra o galho, quebra o pau.
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Escrever direito – não o curso

Escrever está na moda – não a das passarelas. Quem não recebe e-mails e tem que responder na bucha – não aquela de tomar banho?
Para escrever um bom português – não aquele da padaria – é preciso técnica – não a assistência.
Cada oração – não aquela antes de dormir – clama pela palavra precisa para que a frase fique clara – não aquela do ovo.
É bonita a nossa língua – não a da boca – sonora, rica e generosa. Mas basta um pequeno escorregão para você cair na boca – não júniors – do povo.
Escrever direito – não o curso para futuros advogados – significa ser direto e simples – não o imposto da pequena empresa. Curta a frase curta. Evite o chavão – não aquela chave pesada do presídio – assim você encanta e prende – não o criminoso – mas o seu leitor.
Cuidado com a regência – não aquela de D.Pedro I – que é a rainha dos erros nas redações – não as dos jornais – mas dos alunos de escola pública e privada – não aquela…
Para escrever bem – não é você, meu bem – faça com que a sua redação seja concisa, enxuta – não a lavadora. Portanto não encha lingüiça – não a toscana – se não ela será tosca e sem charme – não o cigarro.
Na hora de escrever tenha rigor – não trajando um smoking – mas usando o bom senso porque a elegância do texto vem do seu interior – não o de Minas. Para continuar a escrever bem é preciso ler sempre um clássico – não o Fla x Flu – mas sim um da literatura universal – não a igreja – ou um jornal que não dá pra não LER – não DORT. Erro de concordância, em grau, número e gênero – não o alimentício – é humano – não o das minas. Derruba até o mais experiente redator de coluna – não a lombar – e o de crônica – não a doença.
É sempre bom salvar o texto mas é bom saber que um texto ruim nem Cristo e Cia. – não a Vale do Rio Doce – salvam.
Aplicadas as dicas deste palpiteiro, você poderá desbancar o Coelho – não o da Páscoa – e tirar de letra qualquer trabalho que pintar – não o quadro. Só não se esqueça da minha comissão: um terço – não aquele de rezar, oras! Amém – não do-in. E ponto final – não o do ônibus.

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