JORGE NAGAO: São Paulo city na MPB

São Paulo city na MPB

A nossa Paulirada Desvaiceia, ôps, Pauliceia Desvairada, inspirou dezenas de canções. Eis as mais conhecidas.

A mais antiga que me lembro é Êh São Paulo, gravada por Alvarenga e Ranchinho: “Êh êh êh São Paulo/ êh São Paulo/ São Paulo da garoa/ São Paulo, que terra boa!” (cadê a garoa?)

Billy Blanco compôs a Sinfonia Paulistana mais conhecida como “vão bora, vão bora, olha a hora”, cuja história escrevi aqui: http://www.portalnikkei.com.br/jorge-nagao-vao-bora-vao-bora-olha-a-hora-vao-bora/

Inezita Barroso, na canção Lampião de gás, de Zica Bergami, numa quadrinha descreve parte da cidade: “Da garoinha fria, fininha/ escorregando pela vidraça/ do sabugueiro grande e cheiroso/ lá no quintal da Rua da Graça// Lampião de gás, lampião de gás, quanta saudade você me traz…( para exaltar o meu Santos FC, eu cantava assim: “ Campeão demais, campeão demais/ quantas conquistas você me traz”

Ronda, de Paulo Vanzolini, a campeã do karaokê da Liberdade, onde é grafado Honda, o Centro de São Paulo é o cenário da canção: “ De noite, eu rondo a cidade a te procurar/ hei de encontrar/ bebendo com outras mulheres/ rolando um dadinho/ jogando bilhar/ e nesse dia então vai dar na primeira edição/ cena de sangue no bar/ da avenida São João.

Tom Zé venceu um festival nos anos 60 com a canção “São, São Paulo, meu amor”. Eis o início da letra: “ “São São Paulo meu amor, São São Paulo quanta dor”¨(2x) / São 8 milhões de habitantes/ de todo canto e nação/ que se agridem cortesmente/ correndo a todo vapor/ se amando com todo ódio/ se odeiam com todo amor/ são oito milhões de habitantes/ aglomerada solidão…” ( hoje somos 12 milhões correndo a todo vapor)

Caetano Veloso retratou São Pulo que ganhou o carinhoso apelido de Sampa. “ Alguma coisa acontece no meu coração/ que só quando cruzo a Ipiranga e a avenida São João/ É que quando eu cheguei por aqui/ eu nada entendi/ da dura poesia concreta de tuas esquinas/ da deselegância discreta de suas meninas// Do povo oprimido nas filas, nas vilas, favelas/ da força da grana que ergue e destrói coisas belas” (Arigratô, Caetano).

O grupo Premê faz uma paródia de “New York, New York”, e surgiu “São Paulo, São Paulo”, uma canção bem animada. “ É sempre lindo andar na cidade de São Paulo/ o clima engana, a vida é grana em São Paulo/ A japonesa loura, a nordestina moura de São Paulo/ gatinhas punks, um jeito yankee de São Paulo// Na grande cidade me realizar/ morando num BNH/ na periferia/ a fábrica escurece o dia.” Em seguida, eles cantam alguns bairros e vilas de São Paulo, num ritmo bem paulistano:

“Chora Menino, Freguesia do Ó, Carandiru, Mandaqui, ali/ Vila Sônia, Vila Ema, Vila Alpina/ Vila Carrão, Morumbi, Pari/ Butantã, Utinga, Embu e Imirim/ Brás, Brás, Belém, Bom Retiro, Barra Funda, Ermelino Matarazzo/ Mooca, Penha, Sé, Jabaquara, Pirituba, Tucuruvi, Tatuapé”. (Tá tu a pé ou de Carrão?)

Em Sampa Midnight, Itamar Assumpção, canta a avenida mais charmosa da cidade: “Tenebrosa noite faltou light na Paulista/ Breu no Trianon, cadê a Consolação?
Escureceu o museu onde está o chão”.

Outra música que exalta a nossa querida avenida é Paulista, de Eduardo Gudin e Costa Netto, gravada por Vânia Bastos.

Outra música que exalta a nossa querida avenida é Paulista, de Eduardo Gudin e Costa Netto, gravada por Vânia Bastos. “Na Paulista/ Os faróis já vão abrir/ e um milhão de estrelas/ prontas pra invadir/ os jardins onde a gente aqueceu// Numa paixão/ manhãs frias de abril/ se a avenida

Exilou seus casarões/ quem reconstruiria nossas ilusões/
me lembrei de contar pra você”. (belíssima!)

Gilberto Gil, nos anos 80, fez sucesso com o “Punk da periferia”. Lembra? “ Sou um punk da periferia/ sou da Freguesia do Ó, Ó Ó Ó Ó Ó Aqui pra vocês/ Sou da Freguesia, sou da Freguesia// Transo lixo/ curto porcaria/ tenho dó da esperança vã/ da minha tia, da vovó/ Esgotada a nossa paciência/ eis que esta cidade/ é um esgoto só.”

Apesar de tudo, parafraseio Caymmi:

“Quem não gosta de Sampa, bom sujeito não é”.

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