JORGE NAGAO: Ryoki Inoue, um nikkei no Guiness Book

Desde 1993, Ryoki Inoue está no Guiness Book. Ryoki escreveu 999 livros, entre 1986 e 1992, usando pseudônimos como James Monroe, Bill Purse, Steve Bridder e muitos outros. Publicou 665 livros de faroeste, 112 de espionagem, 73 de guerra, 68 policiais, 61 de aventuras e 20 de ficção científica. Estima que escreveu mais de 80 mil laudas, e que já ultrapassou a marca de 10 milhões de livros negociados. No lançamento do seu milésimo livro, E agora presidente?, ele resolveu assinar com o seu próprio nome. O livro vendeu bem: 15 mil exemplares, cifra excelente para o mercado nacional. Depois veio ”Onde está Pablo Escobar?”, sobre um jornalista que tenta escrever uma biografia autorizada do ex-chefão do narcotráfico colombiano, que vendeu 5 mil exemplares, bem acima dos 3 mil de uma edição normal que raramente se esgota.
Ao ver Ryoki no Guinness Book, Matt Moffett, jornalista americano do Wall Street Journal, teve sua curiosidade despertada para o processo de criação do escritor. Assim lançou um desafio ao escritor e aportou em São José dos Campos, no final de janeiro de 1996. Uma semana depois, Moffett contou, num dos jornais mais famosos do mundo, como nasceu o livro de Ryoki Inoue – Sequestro Fast Food, elaborado em uma noite, mais precisamente das 23h30 às 4h.
Nascido em julho de 1946, em São Paulo, de mãe portuguesa e pai japonês, formou-se em medicina. A vida de romancista começou por acaso. Insatisfeito como médico ortopedista, decidiu em uma tarde escrever uma história de pistoleiros, como a dos filmes a que assistia na infância em um cinema de Taubaté-SP.
Assim nasceu o livro “Os colts de McLee” e o enviou ao editor Juan Fernandez Salomon, da Monterey. Em resposta recebeu U$20 e a encomenda de mais três livros no mesmo estilo. Mostrando o seu valor, passou a receber U$150 por um novo livro conseguindo a estabilidade financeira sonhada. Chegou a escrever três livros por dia durante um mês. Com essa produção imensa, 95% dos livros das bancas ara de sua autoria. Ryoki, agora com 72 anos, continua escrevendo e, certamente, em breve, teremos novidades.

Okki de Souza, em prefácio de livro de Ryuki

Quem conhece a obra de Ryoki Inoue sabe do extremo apuro com que ele elabora seus romances. Os contextos históricos e geográficos são exaustivamente pesquisados para que seus personagens se movam no cenário adequado. A linguagem elegante e os diálogos precisos fazem da leitura um prazer. Os conflitos centrais das narrativas se desenvolvem de forma a prender a atenção do leitor até o fim. Pois bem: Ryoki resolveu compartilhar sua técnica afiada com os candidatos a escritores.

Isto é Ryoki – Padre Barca

– Fiquei completamente desorientado – confessou-me o ex-padre – Entrei num bar e bebi até cair… Depois, quando despertei, deitado no banco de um jardim, comecei a pensar melhor. Não podia deixar que a vida se escoasse daquela maneira, não podia permitir que tudo se acabasse. Eu tinha um carro, tinha algumas economias. Se não era possível dar aulas, poderia ao menos negociar com mercadorias. Comprei um caminhão velho, depois um mais novo e, por fim, tenho conseguido sobreviver até que razoavelmente bem…
Levantou-se, não me deixou pagar sua despesa.
Acompanhei-o até o caminhão, um belo Scania novo, todo enfeitado e equipado.
– Está bonito! – elogiei, subindo à cabina para vê-la por dentro.
Televisão, rádio, toca-fitas, CD-player, ar-condicionado, até mesmo um transceptor faixa-do-cidadão! Completa, a cabina do monstro!
E, bem no meio do painel, um adesivo magnético de Nossa Senhora Aparecida, com uma fotografia de uma criança louríssima, os olhos bem claros e uma face linda.
Embaixo da fotografia, os dizeres:

Papai, guie com cuidado. Em casa, Mamãe e eu esperamos por você.

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