JORGE NAGAO: Dr. Hirata, de Nikkei  pra Nikkei

Na década passada, havia uma excelente revista dirigida aos nikkeis, a Made in Japan, da editora JBC. Na sua edição dos seus 7 anos, a matéria de capa era De Nikkei para Nikkei, quatro especialistas de sucesso davam dicas específicas para os descendentes. Celso Kimura – maquiador, Roberto Shinyashiki – escritor, Içami Tiba – psiquiatra e Mauricio Hirata – médico.
Nos segredos para o oriental viver mais e melhor, o Dr. Mauricio Hirata, sansei, clínico geral e endocrinologista formou uma equipe de especialistas e passou a cuidar das causas da saúde, bem estar e boa forma, físicas, emocionais e até comportamentais. “ Basta dar uma olhada, não precisa nem fazer exame”, afirma com segurança. Grande parte do seu conhecimento foi adquirido com muito trabalho e atendimento clínico diz o guru de artistas e socialites.
A comida ocidental, em geral, afeta a saúde do oriental e dos nikkeis. Uma dieta saudável deve incluir os seguintes alimentos: tofu, soja, legumes e verduras de preferência escuros, fibras e peixes de água profunda como atum e sardinha. Fala, dr. Hirata:
1) Nikkeis devem comer menos carboidratos: o oriental tem uma tendência menor de ganhar peso. O nikkei tem uma sensibilidade maior ao carboidrato. Ele engorda mais facilmente com o macarrão que um italiano. Os japoneses que adotam uma dieta ocidental têm mais problemas cardíacos e diabetes. O nikkei tem alta taxa de triglicérides, primeiro aviso de diabetes.
2) Álcool: os nikkeis tendem a ficar vermelho após consumo de álcool, causa de diabetes no futuro.
3) Menos hormônio: as mulheres devem buscar métodos anticoncepcionais com dosagens mais baixas a fim de minimizar o índice de complicação.
4) Altura: japoneses e descendentes estão mais altos devido ao consumo de carne bovina e leite.
5) Como se molda a estrutura corporal? Para isso, é bom fazer exercício como a musculação. A alimentação e a falta de exercícios na infância e na adolescência fizeram com que os japoneses adquirissem formas mais retas. A natação pode ser outra boa opção.
6) Mais chances de ter depressão: os orientais sofrem mais com a depressão. Muitas vezes, transtornos de ansiedade ou fobia social são erroneamente interpretados como timidez. É doença quando atrapalha o andamento normal da vida.
7) Diminua o sal da comida: um dos povos que tem mais derrame/AVC no mundo é o japonês. A alimentação japonesa tem o maior índice do mundo de sal. Os responsáveis são os derivados de soja, como shoyu e missô. Os sanseis também parecem mais sensíveis à dieta ocidental. O colesterol parece subir mais rapidamente.
8) Peixe cru ajuda a viver mais: O sashimi é um dos principais responsáveis pela longevidade japonesa. O salmão e o atum tem um alto índice de ácido graxo linoleico que ajuda a manter a vitalidade. Um alerta: os mesmos peixes cozidos perdem muito da propriedade nutritiva.
9) Não exagere na soja: o alto consumo de soja está relacionada à atrofia cerebral. É útil quando ingerido com moderação: três ou quatro vezes por semana, uns 50g, o que já é muito.
10)Calma no chá verde: nenhum estudo comprovou que o chá verde tenha algum tipo de ação cancerígena. O chá possui ações antioxidantes que combatem os radicais livres, mas como ele tem muita cafeína, não podemos tomar à vontade como o pessoal está fazendo. As possíveis consequências desfavoráveis do consumo excessivo são taquicardia, ansiedade e insônia.

Mandamentos de Hirata: a) arrume um espaço na agenda para fazer ginástica; b) não perca tempo no trânsito; c) deixe a janela do quarto entreaberta se tem dificuldade em acordar cedo. Cuide-se!

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