Imprensa japonesa destaca vitória de ‘Trump do Brasil’; deputados nikkeis comentam eleição

Bolsonaro fala logo após resultado final das eleições (Redes Sociais)
Bolsonaro fala logo após resultado final das eleições (Redes Sociais)

A vitória de Jair Bolsonaro (PSL) também repercutiu no Japão, onde o presidente eleito obteve uma vitória esmagadora – no segundo turno, em algumas seções, como a de Nagoya, Bolsonaro venceu o candidato do PT, Fernando Haddad, com 93% da preferência dos eleitores. Os meios de comunicação do país também deram destaque à eleição do ex-militar. A NHK, emissora pública do país, publicou em seu site que “o candidato da extrema direita, Jair Bolsonaro, foi eleito presidente do Brasil”. De acordo com a matéria, “Bolsonaro conclamava pelo fim da corrupção e ajuda à camada social de baixa renda, enquanto Haddad defendia trabalhadores”.
Segundo a reportagem, “Bolsonaro tinha o apoio de eleitores das classes média e alta, que estavam insatisfeitos com o atual governo”. O texto diz ainda que “o ex-militar, de 63 anos, vem sendo considerado o “Trump do Brasil’”. “Durante a campanha eleitoral, ele prometeu tornar o Brasil um grande país novamente, e fez comentários discriminatórios sobre negros e mulheres”, publicou.

Esperança – Por aqui, a vitória de Bolsonaro foi comemorada pelo deputado federal Walter Ihoshi (PSD-SP). “O Bolsonaro era a melhor opção em um cenário onde o PT dominou por muito tempo, seja com o Lula, com a Dilma e depois o Temer, que fez parte da coligação. Acho que eles mostraram o que tinham que mostrar. Agora, a esperança por um país melhor se renova”, explicou Ihoshi, que no segundo turno aderiu ao slogan “BolsoDoria”, que fazia referência à dobradinha Jair Bolsonaro à Presidência da República e João Doria (PSDB) ao governo do Estado de São Paulo.
Para Ihoshi, um dos fatores que chamou a atenção em Bolsonaro foi a “simplicidade de seu discurso”. “Ele pregou aquilo que acredita e disse o que as pessoas queriam ouvir, além de nunca ter se envolvido com corrupção”, disse o parlamentar, destacando que “agora, a campanha acabou”. “Ele terá que fazer o país voltar a funcionar e terá que ser rápído. Em dezembro temos a votação do Orçamento Geral da União para 2019. Os analistas estão prevendo uma equação difícil poara equilibrar as despesas e as receitas e um dos grandes desafios do presidente será impedir a queda da arrecadação ou o aumento das despesas”, disse Ihoshi, acrescentando ainda que Bolsonaro terá que dar atenção especial para questões que tratou diretamente com seu eleitorado, como a questão da segurança pública, e outras como a reforma da previdência.
“Não sabemos se a do Temer ou a que ele mesmo deve estar ouvindo. De qualquer forma ele terá que buscar apoio tanto na Câmara dos Deputados como no Senado pois ninguém governa sozinho”, destacou Ihoshi, que também comemorou a vitória de Doria ao governo paulista. O parlamentar, que ocupa a sétima suplência de sua coligação, disse que ficou particularmente entusiasmado com o anúncio da criação da Secretaria do Interior. “Pretendo trabalhar para ser o interlocutor da minha região, Marília, com o novo governo”, avisou Ihoshi.

Reformas – Já para o deputado federal Junji Abe (MDB), com a definição de Bolsonaro como próximo presidente, “é momento de alicerçarmos o que virá”. Segundo ele, o Brasil está vivendo um “momento cíclico, seguido de várias crises, sejam elas econômica, financeira e social e, especialmente, crise moral e ética”. “Nessas circunstâncias, Bolsonaro foi a escolha certa”, disse Junji, acrescentando que, “não deveríamos nem estar debatendo requisitos como ética e moral pois elas são inerentes do ser humano”. “Veja a que ponto chegamos”, diz Junji, afirmando que “não adianta o Bolsonaro apenas combater a corrupção”. “Ele terá que estar atento para o mercado interno e externo. O Bolsonaro terá que fazer as reformas caminharem, doa a quem doer, se não daqui a 20 anos corremos o risco de termos um Brasil pior que temos hoje”, conta Junji.

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