Ihoshi volta preocupado com a educação dos filhos de brasileiros e vê escassez de mão de obra no país

(Arquivo pessoal)
(Arquivo pessoal)

Convidado para integrar a comitiva de Marília formada pelo prefeito Daniel Alonso (PSDB) e pelo presidente do Nikkey Clube de Marília, Keniti Mizuno – além do empresário e diretor tesoureiro do Sindicato do Comércio Atacadista de Gêneros Alimentícios no Estado de São Paulo (Sagasp), Tokio Isobata –, que esteve em missão oficial ao Japão para a assinatura do Acordo de Cidade-Irmã com Izumisano, na província de Osaka, o deputado federal Walter Ihoshi (PSD-SP) aproveitou a viagem para cumprir uma agenda pessoal com o intuito de “resgatar as demandas” da comunidade brasileira que reside naquele país.
“Fiz questão de me reunir com as lideranças da comunidade brasileira de Hamamatsu porque, segundo relatos, hoje o grande problema dos brasileiros que estão lá refere-se à educação dos filhos. Voltei porque quero aproveitar meus últimos dias de mandato para fazer um relatório completo sobre a situação e entregar ao presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia. Espero também que esse material sirva de subsídio para os novos parlamentares que assumirão em 2019”, disse Ihoshi, que esteve também em Saitama.

Walter Ihoshi com Keniti Mizuno e o prefeito de Marília, Daniel Alonso (Arquivo pessoal)
Walter Ihoshi com Keniti Mizuno e o prefeito de Marília, Daniel Alonso (Arquivo pessoal)

Em Hamamatsu, onde esteve no dia 14 de novembro, Ihoshi foi recebido pelo cônsul geral do Brasil, Ernesto Rubarth, e participou de uma reunião com o Conselho de Cidadão de Hamamatsu. “Fui recebido por esse mesmo conselho há dois anos quando estive no Japão para participar de um intercâmbio pelo Programa “Juntos! Japão, América Latina e Caribe”, lembra o parlamentar, destacando que, na época, as lideranças brasileiras elaboraram uma série de demandas.
“Dessa vez o objetivo dessa minha visita foi resgatar essas demandas”, explicou o parlamentar, explicando que “a principal demanda que ficou na minha cabeça era sobre a retomada do Espaço do Trabalhador Brasileiro, que estava fechado desde janeiro de 2017 por falta de verba orçamentária”.

Empreendedorismo – “Constatei, porém, que esse espaço não existe mais. Ou pelo menos do jeito que estava formatado. Nesse mesmo espaço funciona agora o o Centro do Empreendedor Brasileiro, mantido com recursos do Itamaraty”, disse Ihoshi, afirmando que ele próprio tentou destinar uma emenda parlamentar para reabrir o ETB. “Na visão do cônsul, a inauguração do novo espaço representa um passo adiante para os brasileiros que residem no Japão”, argumentou o deputado, destacando que o Espaço do Trabalhador Brasileiro oferecia uma série de apoio ao trabalhador brasileiro que está lá, seja na questão jurídica ou na previdenciária.
“Eles continuam oferecendo esses serviços, mas agora com foco no empreendedorismo porque, segundo o cônsul, o perfil do trabalhador brasileiro está mudando. Tem aquele trabalhador brasileiro tradicional, que está lá há 20, 30 anos e que vai contiunuar fazendo a mesma coisa, mas agora tem também um novo grupo de trabalhadores que quer empreender e que quer montar seu próprio negócio”, explicou Ihoshi, acrescentando que o cônsul “está tentando mudar a mentalidade dos brasileiros, de fazer negócios somente com a comunidade brasileira”. “Ele quer abrir a cabeça desses empreendedores para que eles façam negócios também com os próprios japoneses”, comentou Ihoshi, afirmando que a comunidade brasileira está apoiando a iniciativa”.

Educação – No entanto, nessa mesma reunião com as lideranças de brasileiros, o que mais chamou a atenção do deputado foi a questão da educação dos filhos de brasileiros. “Muitas das escolas brasileiras credenciadas pelo MEC acabaram fechando por causa da crise. Acontece que os históricos escolares dos alunos – documento necessário para poder ingressar nas escolas públicas japonesas – estão retidos nessas escolas que fecharam. Eles solicitaram nossa ajuda junto ao MEC para que o órgão tome providências”, disse Ihoshi, explicando que essas escolas brasileiras privadas são reconhecidas pelo MEC, porém, encontram-se, de certa forma, abandonadas.
“Com isso, quem acaba sofrendo – e muito – são as crianças em idade escolar, principalmente aquelas que encontram-se na faixa etária entre os 14 e 15 anos, pois ficam paradas”, destacou o deputado, observando que “esse problema não deve ser somente em Hamamatsu”.

Deputado federal Walter Ihoshi em visita ao Instituto Educacional TS Recreação, em Saitama (Arquivo pessoal)
Deputado federal Walter Ihoshi em visita ao Instituto Educacional TS Recreação, em Saitama (Arquivo pessoal)

Hoikuen – Já em Saitama, Ihoshi visitou uma instituição que “funciona bem” apesar das dificuldades financeiras, como alegou o paranaense Walter Saito, que encontra-se no Brasil. Fundada em 1997, com ensino fundamental e médio reconhecido pelo MEC, o Instituto Educacional TS Recreação implantou, em 2015, o sistema de creche pública, sendo a primeira escola brasileira no Japão a ter implantado Hoikuen mantido pelo governo japonês. Em 2016, quem conheceu a instituição foi a primeira-dama Marcela Temer por ocasião da visita do presidente Michel Temer (PMDB) ao país nipônico.
Segundo Ihoshi, a escola atende não somente filhos de brasileiros como também filhos de trabalhadores de outros países, principalmente da América Latina, além de crianças japonesas. “Lá, uma das dificuldades é contratar professores estrangeiros”, conta o deputado explicando que a instituição oferece aulas de japonês, inglês e português.

O prefeito de Marília, Daniel Alonso, com o prefeito de Izumisano (Arquivo pessoal)
O prefeito de Marília, Daniel Alonso, com o prefeito de Izumisano (Arquivo pessoal)

Cidades-irmãs – Ihoshi, que participou da cerimônia de assinatura do acordo de cidades-irmãs entre Izumisano e Marília realizada em um hotel da cidade de Izumisano, cidade com pouco mais de 100 mil habitantes – e da visita da comitiva a Higashihiroshima, na província de Hiroshima – cidade com quem Marília mantém um acordo semelhante há 38 anos – também aproveitou a oportunidade para se reunir com “velhos conhecidos” da comunidade, entre eles o ex-cônsul geral do Japão em São Paulo, Takahiro Nakamae – atualmente diretor geral do Escritório de Assuntos da América Latina e Caribe do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Japão – e o ex-cônsul de Assuntos Políticos e Gerais do Consulado Geral do Japão em São Paulo, Jiro Takamoto, além do vice-primeiro-ministro e ministro das Finanças do Japão, Taro Aso e o deputado Takeo Kawamura.
Com Taro Aso, que já esteve no Brasil em várias ocasiões, Ihoshi disse que teve uma audiência de cerca de 30 minutos, tempo suficiente para falar sobre política, em especial a eleição do novo presidente, Jair Bolsonaro e as perspectivas para o país.

Walter Ihoshi e Tokio Isobata com Takeo Kawamura e o vice-ministro do Japão, Taro Aso (Arquivo pessoal)
Walter Ihoshi e Tokio Isobata com Takeo Kawamura e o vice-ministro do Japão, Taro Aso (Arquivo pessoal)

Visto para yonsei – “Aproveitei, é claro, para questionar sobre o visto para yonseis (brasileiros descendentes da quarta geração de japoneses). Tem um novo projeto, mas ainda não pegou. Tanto que apenas três ou quatro conseguiram obter o visto até agora. Falei para o ministro que, na minha opinião, a principal dificuldade é a exigência do idioma básico japonês, o equivalente ao nível 4 do teste de proficiência da língua japonesa. Eu, que conheço a cultura japonesa e falo o idioma, teria que estudar muito para passar nesse teste”, ponderou Ihoshi.

Escassez de mao de obra – “O Takeo Kawamura, que estava acompanhando a conversa, se prontificou a acompanhar o assunto. O Ministério dos Negócios Estrangeiros também está monitorando a situação, mas o nosso problema maior é com o Ministério da Justiça”, disse o parlamentar, que constatou, in loco, a falta de mão de obra no Japão.
“Tanto que, recentemente, o governo japonês aprovou uma lei que permiti ampliar a concessão de autorização de residência a trabalhadores estrangeiros pouco qualificados justamente com o objetivo de suprir a escassez de mão de obra no país em setores mais afetados como a construção civil, a agricultura, os serviços médicos e assistência a idosos e pessoas dependentes”, explicou Ihoshi, que em sua estadia no país viu muitos trabalhadores de várias nacionalidades, como indianos, atuando em diversos empregos.

Futuro – “Eles estão mesmo precisando de mão de obra estrangeira. Como vão fazer isso é o que pretendemos saber”, comentou Ihoshi, que, indagado sobre seu futuro, respondeu que tem dois caminhos a seguir. Ou continua na vida pública, atuando direta ou indiretamente próximo ao setor público para manter o trabalho conquistado ao longo de três mandatos como deputado federal, ou volta para a iniciativa privada. “Se voltar para a inciativa privada, perco praticamente tudo que fiz. Vamos aguardar o que virá pela frente”, disse.

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