Homenagens marcam cerimônias na Assembleia Legislativa e no Palácio dos Bandeirantes

A Associação Okinawa Kenjin do Brasil/Centro Cultural Okinawa do Brasil comemorou o 110º aniversário da imigração okinawana com uma série de eventos que contou com a participação de uma comitiva da província-mãe liderada pelo vice-governador de Okinawa, Moritake Tomikawa, pelo presidente da Assembleia Legislativa de Okinawa, Yonekichi Shinzato e pela prefeita de Naha, Mikiko Shiroma, além de prefeitos de outras localidades e demais autoridades, totalizando cerca de 120 pessoas.

A programação teve início na sexta-feira, 3, com uma visita ao Memorial em Homenagem aos Imigrantes Pioneiros Falecidos e ao Pavilhão Japonês – ambos no Parque do Ibirapuera –, na zona Sul de São Paulo, onde depositaram coroas de flores e conferiram os últimos dias da exposição “Bancos Indígenas do Brasil” – que ficou em cartaz até o último dia 5.

Depois, participaram da Sessão Solene em comemoração aos 110 Anos da Imigração Okinawa no Brasil realizada no Plenário Juscelino Kubitschek da Assembleia Legislativa de São Paulo.

A cerimônia, convocada pelos deputados nikkeis da Casa – Jooji Hato (MDB), Pedro Kaká (Pode) e Hélio Nishimoto (PSDB) – teve como ponto alto a outorga do Colar de Honra ao Mérito Legislativdo do Estado de São Paulo –  a mais alta honraria oferecida pela Alesp a pessoas ou entidades que contribuem para o desenvolvimento social cultural e econômico do Estado – à Associação Okinawea Kenjin do Brasil e ao governador da província de Okinawa, Takeshi Onaga – na oportunidade representado pelo vice, Moritake Tomikawa (o governador veio a falecer nesta quarta-feira).

O governo de Okinawa também prestou homenagens a pessoas com mais de 90 anos de idade, pessoas com mais de 100 anos de idade e Beneméritos.

Em seu discurso, Eiki Shimabukuro agradeceu a realização da sessão solene e lembrou que, há 110 anos, chegava o navio Kasato Maru no porto de Santos trazendo os primeiros 781 imigrantes japoneses, dos quais 325 provenientes da provincia de Okinawa. “Em 1926 os okinawanos fundavam o Kyuyokyokai, antes da AOKB, com o objetivo de receber os novos imigrantes e propiciar ajuda mútua numa terra com cultura, língua, comida e costumes diferentes. Trabalharam bravamente para propiciar educação e dias melhores para suas famílias. Muitos formaram, abriram caminhos e conquistaram seus sonhos. Mas com muita perseverança, suor e lágrimas construíram a base para seus descendentes transmitindo seus valores como honestidade, respeito, ética, perseverança e honra. Hoje, os seus descendentes somam cerca de 190 mil – 10% de todos os nikkeis no Brasil – e atuam com sucesso em diversas áreas na sociedade brasileira contribuindo com o progresso da nação”, disse Eiki, acrescentando que “a Associação Okinawa Kenjin do Brasil é considerada bastante unida, atuante e solidária”. “Certamente é o reflexo dos valores okinawanos como ‘Ichariba Chode’ (ao nos encontrarmos, somos todos irmãos) e ‘Yuimaaru’ (ajuda mútua)”, explicou Eiki, afirmando que, “a Associação Okinawa Kenjin do Brasil continuará, através de jovens descendentes brasileiros, difundindo esses valores para toda a sociedade”.

Shimabukuro fez questão de compartilhar a homenagem com todos os jovens como um incentivo para que a AOKB continue contribuindo para o bem estar da sociedade brasileira”.

 

Okinawa Sobá – Presente na cerimônia, o cônsul geral do Japão em São Paulo, Yasushi Noguchi destacou que “sempre fico impressionado com a presença da comunidade okinawana no Brasil e em especial no Estado de São Paulo”.

Noguchi lembrou que, três das cinco principais entidades nipo-brasileiras, são presididas por descendentes de okinawanos: Harumi Goya no Bunkyo (Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social); Yokio Oshiro, na Aliança Cultural Brasil-Japão; e Akeo Yogui, no Enkyo (Beneficência Nipo-Brasileira de São Paulo.). “Quando fui a Campo Grande, capital de Mato Grosso do Sul, também fiquei bastante impressionado com a enorme presença de okinawanos. Tanto que o Okinawa Sobá é a comida mais popular no Estado. Os japoneses contribuíram muito para o desenvolvimento do país e, ao mesmo tempo, agradeço o governo e os brasileiros pela acolhida aos imigrantes”, disse.

Discursando em nome de todos os homenageados, Issamu Yamashiro agradeceu afirmando que a honraria “valeu por toda uma vida”. Prometeu que vai cuidar cada vez mais da saúde para “espalhar alegria e continuar colaborando com a divulgação da cultura japonesa”.

 

Na Prefeitura – Ainda na sexta-feira, 3, a comitiva de Okinawa visitou a sede da Prefeitura paulistana, onde foi recepcionada pelo prefeito Bruno Covas (PSDB), pelo secretário municipal de Relações Internacionais, embaixador Affonso Massot, e pelo vereador Aurélio Nomura (PSDB), que intermediou o encontro.

Massot destacou o momento “auspcioso” da visita da comitiva okinawana pois, recentemente, São Paulo recebeu a visita da princesa Mako – neta mais velha do atual imperador Akihito – para celebrar os 110 anos da imigração japonesa no Brasil. “Os okinawanos ocupam um lugar especial no coração dos paulistanos e este ano o acordo de cidades irmãs São Paulo – Naha está celebrando 20 anos. São laços econômicos, mas sobretudo, são laços de sangue e cidadania”, disse o secretário.

Falando em nome também do ex-deputado federal e ex-prefeito de São Vicente, Koyu Iha, o vereador Aurélio Nomura destacou a “excepcional contribuição que os okinawanos deram para o país, em especial para o Estado de São Paulo”.

Ao Jornal Nippak, Bruno Covas disse que “a cidade se sente feliz e homenageada por receber a comitiva no ano em que comemoramos os 110 anos da imigração japonesa no Brasil”. “Cerca de 40% dos imigrantes que vieram no Kasato Maru eram de Okinawa e, portanto, devemos muito a eles pelo sucesso alcançado pela imigração japonesa. E ficamos felizes em poder estreitarmos cada vez mais esses laços econômicos e culturais com Naha, com Okinawa e com o Japão”.

 

Palácio dos Bandeirantes – Fechando a programação de sexta-feira, a delegação okinawana – sempre acompanhada pela diretoria da AOKB e pelo presidente da Comissão Organizadora dos Festejos, Tério Uehara – foi recepcionada pelo governador do Estado de São Paulo, Márcio França (PSB), no Salão dos Pratos do Palácio dos Bandeirantes, sede do Governo paulista.

O encontro teve como ponto alto a cerimônia de outorga da Gran Cruz da Ordem do Ipiranga para o governador de Okinawa, Takeshi Onaga, em Homenagem aos 110 anos da Imigração Okinawana no Brasil. A Ordem do Ipiranga é a mais elevada honraria do Estado, sendo reservada aos cidadãos nacionais e estrangeiros que tiveram méritos pessoais e serviços de relevância prestados a São Paulo.

A prefeita de Naha, Mikiko Shiroma, também foi agraciada com o grau Grande Oficial. Receberam ainda a Medalha dos Bandeirantes o presidente da AOKB, Eiki Shimabukuro, o presidente da Assembleia Legislativa de Okinawa, Yonekichi Shinzato, o presidente da Câmara Municipal de Naha, Shunei Onaga e o presidente honorário da AOKB, Issamu Yamashiro.

Em seu discurso, Márcio França disse que “a província de Okinawa e a minha vida estão cruzadas há muitos anos em função da minha vida em São Vicente”. “Os paulistas e os okinawanos tem muito em comum. Nós tivemos lutas parecidas pela liberdade, pela Constituição. Como aconteceu aqui em São Paulo em relação ao Brasil, também os okinawanos lutaram na Batalha de Okinawa que culminou na morte de mais de 200 mil homens naquele país. Assim como os okinawanos fizeram, nós também construímos aqui no Estado de São Paulo a locomotiva e a força que movem todo o Brasil. Quando estive em Okinawa, há muitos anos, percebi o carinho com que os okinawanos nos recebem e fiquei impressionado com a cultura, com a música, com a característica da culinária e até mesmo a língua que os okinawanos falam”, lembrou o governador, acrescentando que “tudo isso começou em função de uma iniciativa e a passagem do meu amigo Koyu Iha pela Prefeitura de São Vicente”.

 

Awamori – “Nós temos uma grande comunidade okinawana em São Vicente e no Estado de São Paulo. E a manutenção do convênio em São Vicente permitiu que esses laços ficassem fortes para sempre”, contou Márcio França, que revelou uma curiosidade. “O tempo passou e a vida quis, nesse instante, que o prefeito de Naha, na época, hoje fosse governador e eu, que era prefeito de São Vicente, me tornasse governador de São Paulo”.

Ao Jornal Nippak, o governador disse que ainda cultiva vários hábitos japoneses que aprendeu em Okinawa “e outros tantos que aprendo aqui”. “Acho que São Paulo deve ser a cidade que mais tem restaurantes japoneses no mundo e todos os meus netos criaram hábitos japoneses e eu em especial porque em Okinawa tem uma bebida que é o awamori, um saquê especial muito forte que costumo tomar quando vamos comemorar”.

(Aldo Shiguti)

 

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