Homenageados destacam importância do Prêmio

André Kirihara, do beisebol, com familiares (Jiro Mochizuki)

Reconhecimento e estímulo. Essas são duas das principais qualidades do Prêmio Paulista de Esportes, na opinião dos homenageados entrevistados pelo Jornal Nippak na noite de 4 de abril no salão nobre da Camara Municipal de São Paulo, palco da cerimônia de entrega da 62ª edição. “Para mim foi uma surpresa, mas encaro como um estímulo para continuar me dedicando ainda mais”, disse a instrutora Midori Kiyohara, de 67 anos, homenageada na modalidade Kenko Taisso.
Para o jogador de beisebol André Kazuyoshi Kirihara, de 32 anos, o Prêmio Paulista de Esportes é fruto de “bastante dedicação”. Praticante desde os seis anos de idade, André conta que começou sua carreira nas categorias de base do Coopercotia Atlético Clube com incentivo de seu avô. Até conseguir seu primeiro título de destaque – o de campeão Brasileiro Interseleções Pré-Junior – André era considerado “sem perfil” para esportes.
Com apoio da família e dos amigos, principalmente da sua mãe, Laura, e do seu pai, Seigo, passou pela Academia da Yakult, em Ibiúna (SP), e acumula prêmios individuais como o de Melhor Rebatedor e Defensor Externo na Taça Brasil Adulto de 2017, e o de Melhor Defensor Externo na Taça Brasil Adulto de 2016. Com passagem pela seleção brasileira, André defende atualmente o time da Faculdade de Medicina da USP. Segundo ele, o apoio da família foi muito importante nessa caminhada.

Antenor Yuzo Sato e Kohei Ozako com dirigentes do sumô (Jiro Mochizuki)

De Esteio, no Rio Grande do Sul, o sumotori Antenor Yuzo Sato conta que o Prêmio Paulista de Esportes é um “reconhecimento”. “Agradeço a Confederação Brasileira de Sumô por ter sido indicado. Hoje estou sendo homenageado, mas quem merece esse prêmio são todos que praticam sumô no Brasil pois todos nós encontramos muitas dificuldades para seguirmos adiante”, disse Yuzo Sato, que ao lado de outros lutadores veteranos como René Crespo e Carlos Rauch, além de outros da nova geração como Adiecson Gross Bobsin, tenta manter viva a tradição no Estado. “No Sul, a maioria dos praticantes são de não nikkeis”, explica Yuzo, lembrando que os gaúchos começaram a praticar sumô no início da década de 60. “Hoje nós temos pessoas de todas as origens e classes sociais”, diz Yuzo, que começou a particar com sete anos de idade e hoje, aos 49, tenta passar o gosto pelo esporte aos filhos Yuuki e Issamu. Yuuki, aliás, ao lado de Adiecson, deve representar o Brasil no Campeonato Mundial de Taiwan, marcado para julho deste ano.

Reconhecimento – Com 13 dos seus 17 anos dedicados ao softbol, Rebeca Diniz Laudino começou sua carreira com apenas quatro de idade no Gigante. Aos 11 anos foi transferida para o Gecebs e há dois anos defende o Nippon Blue Jays. “É um prêmio muito importante porque, além de reconhecimento, vai servir de incentivo para continuar defendendo a seleção brasileira”, conta Rebeca, que acaba de terminar o Ensino Médio.
Ela ainda não nascida quando Kohei Ozako começou a praticar sumô, em 1951, estimulado pela vinda de lutadores profissionais do Japão, formada pelos atletas Hidenoyama, Hatasegawa e Minanogawa, além do juiz Kanda. Então com 90 quilos, Kohei Ozako quase não tinha adversários. “Na época, o Brasil tinha cerca de 400 lutadores, principalmente nas regiões Noroeste Sorocabana, Paulista e no Paraná”, diz Ozako, acrescentando que só acreditou que seria um dos homenageados deste ano quando viu sua fotografia no Nippak. “Acho que não merecia”, conta, acrescentando que, sempre que pode acompanha o sumô profissional japonês pela televisão.

Corpo e alma – Taeko Takeuchi, de 70 anos, também não esperava ser indicada. “Meu marido, Kenichi Takeuchi, um dos fundadores do Departamento de Kendô do Departamento de Kendô da Associação Cultural e Assistencial Mie Kenjin do Brasil, recebeu esse mesmo prêmio em 2011 e achava que só ele como homenageado já estava de bom tamanho”, disse Taeko, referindo-se à 55ª edição do Prêmio Paulista de Esportes, realizado no Sesc Vila Mariana (zona Sul de São Paulo), quando seu marido recebeu o prêmio das mãos do então vereador Ushitaro Kamia.
“Recebo o Prêmio com muita alegria, orgulho e satisfação”, disse Álvaro Yamakawa, homenageado do mallet golf. “Para a gente que se dedica de corpo e alma na vida esportiva, sabemos que o segmento esportivo é o segmento que mais integra as pessoas, a família, a própria sociedade e porque não dizer, a humanidade. Basta observar a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos, que reúne mais de 200 países numa grande festa de confraternização. Por isso sou um apaixonado pelo esporte”, destaca Yamakawa, que foi um dos responsáveis pela implantação da modalidade no Nippon Country Club, em Arujá (SP), onde atualmente desepenha o cargo de diretor de esportes. “O Nippon hoje conta com uma invejável estrutura para a prática de esportes, entre eles o mallet golf”, conta Yamakawa, que há 30 anos pratica também tênis de campo.

Da Argentina – Um dos indicados ao Prêmio Especial deste ano na categoria Atletismo, Antonio Tomihiko Shimizu disse que “ganhar o Prêmio Paulista de Esportes foi a coisa mais bonita desde que aparecemos – ele e a esposa, dona Ignes Mitsu Shimizu – no Globo Repórter”. Campeão de salto em altura, seu Antonio não pensa em parar tão cedo. Aos 90 anos, já estabeleceu sua meta para este ano. “Se estiver bem pretendo disputar o Campeonato Mundial que acontece em Málaga, na Espanha”.
O Kobudo conferiu status de “internacional” ao Prêmio Paulista de Esportes com a homenageada Marina Flávia Saiva, uma das primeiras alunas de kenjutsu, iaijutsu e jojutsu da Unidade do Instituto Niten na Argentina. Aluna argentina com a graduação mais alta de kenjutsu pelo sensei Jorge Kishikawa – fundador do Niten e idealizador do Método (KIR) – Ken Intensive Recuperation – Marina foi a primeira mulher na Argentina a receber a graduação de Shoden no estilo Niten Ichi Ryu. ”Encontrei no Kobudo uma forma de me despertar espritualmente. Tudo que aprendo aplico no dia a dia, como ter mais desenvoltura e trabalhar em equipe”, conta Marina.

O desembargador Luiz Oyama (Jiro Mochizuki)

Indicado pela Comissão Organizadora do Intercolonial de Tênis de Mesa, o desembargador Luiz Taro Oyama discursou em nome dos homenageados. Ao Jornal Nippak, o desembargador disse que os valores que acompanham as modalidades trazidas pelos pioneiros, como educação, ética e disciplina, são importantes num momento como esse que o país atravessa, uma crise de “desconfiança nas instiuições e na classe política”. “É importante que todos participem desse processo, que são as eleições gerais, pois através do voto é possível promover mudanças. Se o cidadão deixar de praticar sua cidadania, que é votar, fará com que outra pessoa vote no seu lugar”, disse Oyama, destacando que o Prêmio Paulista de Esportes deste ano se reveste de uma significado ainda maior “pois em 2018 comemoramos os 110 anos da imigração japonesa no Brasil”.

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