Fundação Kunito Miyasaka inaugura Parque Ecológico Imigrantes em agradecimento ao país

(Aldo Shiguti)
(Aldo Shiguti)

A população brasileira, em especial os paulistas, acabam de ganhar um presente. E que presente. Inaugurado no último dia 29 com a presença de diversas autoridades – entre elas o prefeito de São Bernardo do Campo, Orlando Morando (PSDB), o promotor público e curador de fundações de São Paulo, Airton Grazzioli e o cônsul geral do Japão em São Paulo, Yasushi Noguchi – o Parque Ecológico Imigrantes, idealizado e realizado pela Fundação Kunito Miyasaka, tem como principal objetivo preservar e educar por meio do conceito de desenvolvimento sustentável e da filosofia japonesa do mottainai (termo japonês que transmite sensação de pesar em relação ao desperdício).
Localizado no Km 34,5 da Rodovia dos Imigrantes, em São Bernardo do Campo (Região do ABC paulista), entre a Serra do Mar e a Represa Billings, o parque conta com uma área de 484 mil metros quadrados de mata preservada.

Passarela suspensa com aproximadamente 500 metros (Jiro Mochizuki)
Passarela suspensa com aproximadamente 500 metros (Jiro Mochizuki)

Como destaque, conta com seis trilhas – sendo a principal uma passarela suspensa com cerca de 500 metros feita com sobras de madeira, como serragem, e resíduos de plástico, como garrafas PET – e uma trilha sensorial, onde os visitantes – inclusive cadeirantes e portadores de necessidades especiais podem ter contato com a flora e fauna locais – são cerca de 200 espécies da flora nativa. Outra atração é o funicular – ou bondinho como é mais conhecido – com capacidade para dois cadeirantes ou dez pessoas. No topo, a ideia é futuramente construir um auditório para pesquisas e recepções.
O PEI é primeiro parque do mundo a conquistar a certificação internacional – de origem francesa – Alta Qualidade Ambiental (AQUA-HQE) outorgado pela Fundação Vanzolini, atribuindo ao parque a condição de primeiro parque sustentável do mundo.
Na inauguração, que contou também com a presença dos secretários municipais do Meio Ambiente e Proteção Animal de São Bernardo do Campo, José Carlos Gobbis Pagliuca, e o de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia, Trabalho e Turismo, Hiroyuki Minami, além de cinco netos de Kunito Miyasaka, o promotor Grazzioli destacou a importância do Parque Ecológico Imigrantes para as próximas gerações.

Airton Grazzioli: consciência (Jiro Mochizuki)
Airton Grazzioli: consciência (Jiro Mochizuki)

“À parte das atividades sociais que são desenvolvidas pela Fundação Kunito Miyasaka, hoje ela efetivamente entrega um legado à sociedade brasileira que se perpetuará no tempo. É um presente efetivamente difuso que beneficiará a todos nós enquanto sociedade brasileira. A par de um parque com sua beleza, coonstruído com responsabilidade social e ambiental, nós temos um sinal singelo da mesma importância, importância essa efetivamente superlativa, o despertar de um olhar da importância e do respeito que devemos ter à nossa mãe natrueza”, destacou Grazzioli, afirmando que “acho que esse é o grande feito que a Fundação Kunito Miyasaka hoje entrega à sociedade”.

Diretores da FKM e netos de Kunito Miyasaka (Jiro Mochizuki)
Diretores da FKM e netos de Kunito Miyasaka (Jiro Mochizuki)

Consciência ambiental – “É esse gesto que nós temos que reverenciar permanentemente, o nosso patrimônio ambiental. E é esse o gesto mais efetivo que a fundação dá hoje à nossa sociedade porque é uma ação social que se perpetuará no tempo com várias frentes de atuação, inclusive, na formação de uma nova consciência ambiental, que é o que a nossa sociedade brasileira necessita urgentemente”, disse o promotor.

Cônsul: gratidão (Jiro Mochizuki)
Cônsul: gratidão (Jiro Mochizuki)

O cônsul geral do Japão em São Paulo também destacou a contribuição do Parque Ecológico Imigrantes para a conscientização e a educação ambiental dos brasileiros.
“Quero expressar meu respeito à Fundação Kunito Miyasaka por mostrar sua gratidão ao povo brasileiro inaugurando este parque ecológico, que certamente irá contribuir muito com a conscientização e educação ambiental dos brasileiros quanto à importância da conservação da natureza. Espero, sinceramente, que muitos brasileiros, em especial as crianças e os jovens, visitem o parque para que possam sentir a importância da conservação da natureza. Esperamos que este parque seja símbolo da amizade entre os dois países”, disse Yasushi Noguchi, lembrando que sua inauguração se reveste de um significado ainda maior “por ser em um ano em que comemoramos os 110 Anos da Imigração Japonesa no Brasil”. “Como cônsul geral do Japão em São Paulo, estou muito orgulhoso da contribuição que os japoneses e seus descendentes deram ao Brasil e, ao mesmo tempo, quero agradecer o povo brasileiro pela acolhida aos imigrantes japoneses”, concluiu.

Preservação, educação, sustentabilidade e acessibilidade: alicerces (Jiro Mochizuki)
Preservação, educação, sustentabilidade e acessibilidade: alicerces (Jiro Mochizuki)

Parque aéreo – Agradecimento também foi a tônica do discurso do prefeito de São Bernardo do Campo. “Nosso papel hoje é de agradecimento. Agradecimento por esse brilhante e importante presente que a cidade de São Bernardo do Campo recebe no dia de hoje. Tive oportunidade de conhecer o parque no ano passado e fiquei profundamente encantado por várias razões”, disse Orlando Morando, explicando que “o que mais chamou a atenção foi a ousadia e pioneirismo de ter quase um parque aéreo sobre a mata atlântica”.

Orlando Morando: ousadia (Jiro Mochizuki)
Orlando Morando: ousadia (Jiro Mochizuki)

“Se não bastasse a ousadia da arquitetura, não teve dinheiro público. O Brasil está acostumado a fazer obras caras, mal feitas e com dinheiro público. Vocês fizeram um parque muito bem feito, bem pensado e elaborado exclusivamente com recursos da iniciativa privada. Isso muito nos orgulha e mais uma vez o povo japonês no Brasil nos dá um grande ensinamento de parceria, de participação e de patriotismo de uma pátria que não era de vocês – mas hoje também é”, disse o prefeito, acrescentando que “o dia 29 de novembro ficará marcado como um grande legado de pessoas que há 110 anos vieram ajudar a colonizar este país e trouxeram, acima de tudo, esse espírito público de servir ao próximo”, explicou Morando, afirmando que o Parque Ecológico Imigrantes “coroa” uma série de ações da Prefeitura de São Bernardo do Campo, como o Programa Pró-Billings, obra que já esta´sendo executada com recursos da Jica (Japan International Cooperation Agency), “onde iremos tratar 90% de todos os efluentes produzidos e que hoje são lançados sem nenhum tratamento na represa Billings.
“De um lado estamos protegendo o que ainda não foi degradado e de outro estamos recuperando aquilo que se degradou. Tenho certeza que todos aqueles que por aqui irão passar poderão absorver não só a beleza, o cheiro da mata, a flora e a sua fauna, mas também o espírito de proteção para que as próximas gerações possam ter direito de conhecer os maracás, os ipês e tudo aquilo que a mata atlantica nos oferece”, afirmou o prefeito, que “incumbiu” o secretário de Desevolvimento Hiroyuki Minami de retribuir o presente, denominando um patrimônio público de São Bernardo do Campo com o nome de Kohei Denda, “o grande idealizador que presenteou o município com quase 500 mil metros quadrados de área verde e que hoje se transforma efetivamente no Parque Ecológico Imigrantes”.

Autoridades participam da bênção após plantio de ipês e cerejeiras (Jiro Mochizuki)
Autoridades participam da bênção após plantio de ipês e cerejeiras (Jiro Mochizuki)

Semente – Presidente da Fundação Kunito Miyasaka, Roberto Yoshihiro Nishio iniciou seu discurso justamente lembrando que o projeto teve início em 2005, “quando o saudoso Kohei Denda, então superintendente geral da nossa instituição, sugeriu dar uso nobre a este imóvel, situado na Mata Atlàntica”.

Roberto Nishio: presente (Jiro Mochizuki)
Roberto Nishio: presente (Jiro Mochizuki)

“Àquela época, praticamente à véspera da celebração em 2008 da Comemoração do Centenário da Imigração Japonesa no Brasil, a comunidade nipo-brasileira preparava-se com afinco para uma condigna comemoração desse marco de sua história, com o propósito de homenagear os pioneiros imigrantes e agradecer ao povo brasileiro pela acolhida que lhes deu, permitindo aos descendentes de japoneses aqui nascidos plena integração e condição de desenvolvimento cultural e social”, destacou Nishio, acrescentando que a Fundação Kunito Miyasaka, “cujo patrono senhor Kunito Miyasaka foi protagonista importante na história da imigração japonesa, não poderia ficar alheia a esse movimento da comunidade a que está intimamente ligada”.
Segundo ele, após “exaustivos estudos” foi lançada a ideia de construção de um parque ecológico que pudesse se tornar referência na pesquisa da fauna e da flora da Mata Atlântica”. Além disso, conta, procurou-se, desde o início, criar um projeto inovador que possibilitasse a acessibilidade de portadores de necessidades especiais.
“A ideia foi lançada em 2008 como um projeto comemorativo do Centenário da Imigração Japonesa no Brasil”, lembra Nishio, destacando, no entanto, que a pedra fundamental só seria lançada em 2012. “Desde então, tudo foi executado com extremo cuidado, visando causar o mínimo possível de impacto ao meio ambiente, o menor consumo de recursos naturais, a inclusão social das pessoas do entorno do parque e o conforto dos futuros usuários, esforços reconhecidos na Certificação AQUA-HQE ((Alta Qualidade Ambiental”, recebida da Fundação Vanzolini.

Antonio Rosa Neto (Jiro Mochizuki)
Antonio Rosa Neto (Jiro Mochizuki)

“Enfim, podemos afirmar que construímos um parque ecológico, cuja filosofia está alicerçada nos princípios da preservação e educação ambiental, sustentabilidade, acessibilidade e inclusão social”, disse Nishio que, dirigindo-se ao ex-presidente da Fundação Kunito Miyasaka, Antonio Rosa Neto, destacou que, “seu sonho, comungado pelo saudoso senhor Kohei Denda e por todos nós, enfim está se tornando realidade e esteja certo de que todos os esforços desenvolveremos para que o Parque Ecológico Imigrantes cumpra efetivamente os almejados objetivos, tornando-se referência na campanha de preservação da Mata Atlântica em nossa região”.

Diretores da Fundação Kunito Miyasaka, cônsul, autoridades e netos de Kunito Miyasaka na inauguração (Jiro Mochizuki)
Diretores da Fundação Kunito Miyasaka, cônsul, autoridades e netos de Kunito Miyasaka na inauguração (Jiro Mochizuki)

Visitas – Ao Jornal Nippak, Roberto Nishio disse que a inauguração marca o início de uma nova fase. Segundo ele, a partir de agora a Fundação Kunito Miyasaka vai ter que administar as visitações, que serão marcadas a partir do dia 10 de dezembro, com as visitas começando efetivamente a partir de janeiro de 2019.
Nishio explica que as visitas serão acompanhadas por um monitor. A ideia é formar grupos de 50 pessoas mas os interessados podem se inscrever individualmente. Já as empresas podem agendar diretamente na Fundação.
Nishio explica que a visita é gratuita, mas para grupos de 10 pessoas será solicitado uma contribuição no valor de R$ 150,00 para pagamento dos monitores.– que não são funcionários da Fundação Kunito Miyasaka, mas moradores da comunidade do entorno da região conhecida como pós-balsa
Informações e agendamento de visitas pelo telefone: 11 /3147 2300 ou contato@fkm.org.br

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