ERIKA TAMURA: Visita da princesa Mako em Araçatuba

Vou começar escrevendo que, fiquei muito feliz quando soube que Araçatuba faria parte da rota da visita de um membro da família real japonesa. Muito feliz mesmo!
Fiquei mais feliz ainda, quando soube que meus pais, meus filhos e meu avô foram convidados para a cerimônia de recepção da princesa Mako em Araçatuba.
Quem não é descendente de japoneses, talvez não entenda tamanha euforia. Ou até mesmo quem é descendente mas nunca viveu a cultura nipônica, talvez também não entenda. Confesso que antes de morar no Japão, enquanto vivia em Araçatuba, pouco me interessava pela história da família real japonesa.
Hoje, depois de 20 anos vivendo no Japão, consigo entender exatamente o que o imperador japonês e a sua família significa para o povo japonês. Os japoneses têm verdadeira adoração pela família imperial, mas uma adoração conquistada pelo respeito, pois os integrantes da família imperial, possui deveres e obrigações para com o povo japonês é uma troca de devoções.
A família imperial é o que tem de mais tradicional no Japão, e mesmo após perder a guerra, onde o imperador foi para o rádio falar que ele não é mais uma divindade, para o povo japonês, eles ainda são divindades.
Nesse ano, comemoramos 110 anos da imigração japonesa no Brasil, e a princesa Mako, como um símbolo da tradição japonesa, desempenhou o papel de representar o Japão nas solenidades. Afinal esse é o papel da família real no Japão, representar o seu país, o seu povo, onde quer que se vá.
E Araçatuba, por toda a sua história com a colônia japonesa, entrou nessa rota. E eu entendo o significado das solenidades em torno da recepção a princesa, afinal é a primeira vez que os japoneses de Araçatuba têm a chance de receber uma figura real, e tão significativa para cada um.
Minha filha me contou sobre o discurso da princesa em Araçatuba, onde ela disse estar muito surpresa com tudo o que ela aprendeu com a história que ouviu e, muito feliz por ter sido tão bem recebida. A princesa ainda destacou alguns pontos sobre o que ela viu no Brasil. Em uma outra entrevista, vi a princesa falando sobre o início da imigração japonesa no Brasil, que imagina o quão difícil foi para os japoneses em se adaptar a um novo mundo. Mas que hoje, ela percebe que as dificuldades foram vencidas.
Agora, falando um pouco mais da princesa Mako. É a neta mais velha do imperador atual, Akihito. Culta, inteligente, fala inglês e alemão fluentemente, estudou em Londres, onde optou em ser muito discreta e não falava abertamente que era a princesa do Japão, pois gosta da vida simples e discreta.
Tão simples que estava de casamento marcado com um plebeu japonês, que até um tempo atrás estava sendo amplamente divulgado na imprensa japonesa, e ultimamente nada se comentava. Foi onde eu soube que o casamento que estava marcado para esse ano, fora adiado para o ano que vem.
A princesa Mako, casando com um plebeu, ela perde todo o título de nobreza e passa a ser uma pessoa comum, sem desfrutar de nenhum privilégio da família imperial.
Será que se a princesa gostar dos compromissos imperiais, ela desistirá do casamento? Essa é a pergunta que os japoneses têm feito…
Enfim, o que importa é que a princesa Mako visitou Araçatuba, bem como tantas outras cidades, numa agenda apertadíssima e cheia de compromissos no Brasil. E esbanjou humildade, muita humildade, tanto é que quebrou o protocolo e fez questão de cumprimentar no estilo brasileiro, dando a mão. Na verdade, existe todo um ritual e uma série de etiqueta para com os integrantes da família real japonesa, como por exemplo, abaixar a cabeça para cumprimenta-los e não olhar nos olhos. Mas o avô da princesa Mako, o imperador Akihito, em sua primeira visita ao Brasil, disse que queria seguir as regras do país em que ele iria visitar, portanto deu a mão para cumprimentar a todos.
Novos tempos, até mesmo a família mais tradicional do Japão está tentando se renovar, fazendo com que os jovens assumam deveres. E isso é realmente necessário para que a tradição se mantenha.
Eu sou uma grande fã da família imperial japonesa, aprendi a respeita-los e acho incrível o papel do imperador perante o povo japonês.

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