ERIKA TAMURA: O mundo de Amanda

Amanda no Sekai (O mundo de Amanda). Esse é o nome da exposição que visitei semana passada em Hamamatsu, Shizuoka.
Soube desse evento pela mídia local, e logo me entusiasmei, pois Amanda é brasileira, pertence à nossa comunidade aqui no Japão, é uma criança de apenas 10 anos e, diagnosticada com autismo desde os 3 anos de idade.
Somente com essas informações, já achei incrível, pois o pouco que eu sabia, me deixou curiosa em conhecer as obras da Amanda. O que eu não sabia era o quão revolucionário seria para mim, visitar essa exposição.
Fui tomada por vários sentimentos, e a cada obra que eu via, eu chorava! Simplesmente inexplicável o que aconteceu!
Me perguntava como pode uma criança ser autora de tamanha maestria? Como foi descoberto esse talento? E a mãe, como lida com toda essa qualidade?
Foi então que conheci Jin Takahashi, o descobridor da Amanda. Jin é artista plástico brasileiro e que também é professor em escolas de educação especial em Hamamatsu, e foi assim que Amanda chegou até Jin, através da escola. A mãe de Amanda, Cíntia, então mostrou uma pintura que Amanda fez para Jin, que ficou impressionado com o talento de Amanda. Daí em diante foi o início de tudo…
E hoje, 3 anos depois, foi feita a primeira exposição das obras da Amanda, mostrando a verdadeira comunicação através da arte. Aquela comunicação que não precisa ser falada, e sim, sentida.
Até mesmo artistas profissionais ficaram encantados pelas obras da Amanda, ainda mais ao saberem que a autora era uma criança de apenas 10 anos de idade.
Eu não sou profissional da área, nem tão pouco sou entendedora do assunto, mas eu gosto do bonito, me sinto atraída pelo bom senso, e nesse caso, não sei explicar o que aconteceu. Parece que os quadros falavam comigo visualmente e chegavam no meu coração.
E quando conheci a mãe de Amanda, eu só queria abraçá-la e dar parabéns! Porque eu sou mãe, e sei como é difícil ser mãe no Japão, e fico imaginando as batalhas diárias que a Cíntia passou para que a Amanda tenha a melhor educação.
Mas também não podemos esquecer que, se existe um responsável pelo desenvolvimento da Amanda como artista, essa pessoa é o Jin, que desde o princípio acreditou no potencial artístico da Amanda.
E lidar com crianças autistas é isso. Entender o que cada criança é capaz, qual é o dom de cada uma. E, nunca, jamais repreender, nem desestimular, com as ferramentas adequadas, essas crianças voam, e voam alto. Surpreendendo à todos.
Confesso que estou escrevendo esse artigo com lágrimas nos olhos, e escrevo o que o meu coração carrega, e não é pelo fato da Amanda ser uma criança especial, é o fato dela ser criança, apenas. É incrível a arte da Amanda!!
E a apresentação da exposição não exagerou quando fala que: “Amanda não se comunica verbalmente. Sua alma não se cala, segura sua obra e sem perguntar a ninguém expressa a sua visão do mundo. No momento em que pousar os olhos nas obras será tomado por uma sensação de surpresa e emoção jamais sentida por qualquer pessoa até hoje.”
E foi essa sensação que senti! É sensacional!
Acho até que a exposição deveria mudar o nome para: As sensações ao conhecer o mundo de Amanda.

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