ERIKA TAMURA: O encontro de Abe e Putin

Em 12 de setembro, ocorreu na Rússia o encontro do Primeiro Ministro do Japão, Shinzo Abe e o presidente da Rússia, Vladmir Putin.
Foi um encontro muito aguardado para ambos os países, pois em pauta está a disputa das ilhas que a União Soviética tomou no final da guerra, expulsando todos os 17.000 residentes japoneses. A posição oficial do Japão é que as ilhas – que abrigam áreas de pesca ricas – são parte inerente de seu território e estão sob ocupação ilegal. A Rússia insiste que é dona das ilhas.
Mas, durante esse encontro, nada foi resolvido. Somente prorrogado o prazo para que, até o final desse ano, seja selado um acordo.
A verdade é que Putin é muito inteligente e esperto, tanto é que durante o encontro no Eastern Economic Forum, em Vladivostok, o presidente russo estendeu as mãos para o Premiê japonês, dizendo: “Então, vamos selar aqui o nosso acordo de paz!”. Abe, somente deu um sorriso amarelo e não correspondeu ao ato do Putin.
Sei que não sou ninguém nesse assunto todo, mas me dou ao luxo de emitir a minha opinião, afinal, é para isso que escrevo. Então vamos lá…
Se eu fosse o Abe, ou se pelo menos eu estivesse presente nesse evento, eu falaria: “Que acordo de paz? O que eu e o meu povo quer, são as ilhas de volta, ilhas essas que pertencem ao Japão!”.
Mas como eu disse, eu não estava lá, e nem sou o Abe. Que aliás tem agido diplomaticamente em muitas ocasiões, e acaba por perder a chance de fazer com que o Japão se posicione em assuntos políticos mundiais. Mas enfim, é um país que passou por guerra e perdeu… Então talvez, ele tenha suas razões para agir dessa maneira.
E o Putin hein, querendo se aproveitar de um grande evento econômico para tentar encerrar esse assunto das ilhas, uma disputa que tem mais ou menos 70 anos, e ele achou que poderia enrolar o ministro japonês com esse papo de “Acordo de Paz”. Francamente…
A atitude de Abe, em não responder ao acordo de paz, proposto por Putin, atraiu aplausos no fórum. Desde que chegou ao poder em 2012, ele e Putin se encontraram 22 vezes para tentar avançar na disputa sobre a soberania de quatro ilhas – conhecidas como Territórios do Norte no Japão e as Kurilas do Sul na Rússia.
Putin pediu paciência na busca por uma solução para o problema, desapontando Abe, que pensou que tudo seria resolvido nesse encontro. O próximo encontro dos dois líderes será em maio, em Kremlin.
A verdade é que o Japão tem pressa e está ansiosamente esperando por uma resolução nesse caso, pois quer contrabalancear a crescente influência da China na região. Em contrapartida, Putin, parece não ter pressa nenhuma para discutir o assunto.
Vamos aguardar o desenrolar das negociações, pois o Japão não parte para nenhuma ofensiva, o que parece contraditório em relação a sua pressa. O primeiro passo para isso quem deu foi a Rússia, onde o seu presidente, espertamente quis selar um acordo de paz, perante a imprensa mundial, pegando o Abe de surpresa e tentando resolver na base da esperteza.

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