ERIKA TAMURA: Minha experiência como mesária

No dia 7 de outubro tivemos mais um momento histórico, afinal, quem duvida que essas eleições não entrará para a história?
Nunca vi em Tóquio tantas pessoas aglomeradas para votar, inacreditável. E soube que não foi somente em Tóquio, todas as seções eleitorais tiveram problemas com as filas imensuráveis.
Para o eleitor que acha que houve uma má organização por parte dos consulados, preciso informar que a desorganização maior acho que partiu do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), porque até a eleição de 2014, cada seção eleitoral contava com cerca de 400 eleitores aptos e inscritos, e nesse ano, em cada seção foram 800 eleitores aptos e inscritos em cada seção. Resumindo, foi um caos.
Trabalhei pela primeira vez como mesária. Foi desgastante e cansativo, para estar no consulado às 7:00, saí de casa as 4:30 da manhã. Trabalhamos em 3 pessoas na mesa, todos nós sem almoço, sem paradas para esticar as pernas, sem descanso, pois se parássemos a fila iria duplicar, e pensando em cada eleitor que estava ali para exercer o seu papel de cidadão, optamos por trabalhar sem parar. Mas quer saber? Faria tudo de novo! E por que?
Porque eleição é coisa séria! Vejo alguns brasileiros, inclusive os voluntários das eleições, levando tudo na brincadeira, achando que tudo pode se resolver de forma displicente. E isso me irrita muito!
Na rede social, já vi presidente de seção reclamando por ter sido intimada a trabalhar de graça! Fico inconformada com isso, revoltada e triste ao mesmo tempo, pois somos intimadas sim, mas antes da intimação vem a convocação, onde temos a chance de recusar ou aceitar, se aceitou, aceite quieta, sem reclamar. Não está recebendo, mas ninguém está! E não vi ninguém reclamar…
Oras, sou brasileira de corpo e alma, e não é porque vivo fora do Brasil há muito tempo que, virarei as costas no momento em que o Brasil precisa de mim.
Esse tipo de brasileiros não me representam, tampouco não honram o passaporte que carregam. Sinto vergonha dessas pessoas.
Eleição não é brincadeira, é coisa séria! Já falei isso e repito, e volto a repetir mil vezes se precisar, até entenderem o quão importante é o voto de cada cidadão, mesmo morando no exterior.
O que mais me chamou a atenção nessa minha experiência como mesária, é a quantidade de pessoas que não sabem falar português, mas foram lá votar. É um motivo para parar e se pensar, não é mesmo?
E vi vários, eu disse vários idosos que não têm mais a obrigatoriedade em votar, mas estavam lá, exercendo o seu papel, porque fizeram questão de votar!
Na nossa seção atendemos 441 eleitores, em Tóquio foi o de maior número, como disse, foi cansativo, mas me senti bem, como disse, se essa é uma das formas de poder ajudar o meu país, então podem contar comigo, estarei lá sempre!

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