ERIKA TAMURA: Brasil ou Japão

Vim ao Brasil à passeio, e a pergunta que mais ouço é: Prefere o Brasil ou o Japão?
Para mim, a resposta é um tanto quanto complexa, pois eu amo o Brasil, mas amo viver no Japão.
O Brasil é acolhedor, tem a minha família e os meus amigos, o que me faz sentir o aconchego seguro. Mas o Japão, é onde eu construí uma vida, e de certa forma é o meu porto seguro.
E muitas pessoas me falam que querem sair do Brasil, e que se pudessem largariam tudo para irem ao Japão. Eu entendo que a economia do Brasil não está muito boa, entendo que tudo é muito bagunçado, desde a ordem pública, até o setor de prestação de serviços. Mas você, que diz não ver a hora de sair do Brasil, está mesmo preparado para isso?
Especificamente para quem pesa em ir para o Japão, você tem certeza disso?
Coloquem na balança, absolutamente tudo o que é importante, e listem as prioridades. Segurança é importante? Sim! E muito! Mas a convivência familiar também é, a qualidade de vida, calor humano, futuro dos filhos…
Tudo tem que ser levado em consideração para não chegar no Japão com alguns estereótipos, e com algumas ilusões utópicas.
A vida no Japão não é fácil. São horas estressantes de trabalho, carga horária puxada, cansaço, falta de tempo com a família, choque cultural… Mas também tem o lado bom: segurança, povo educado, país onde tudo funciona…
Por isso é importante saber o que é prioridade e o que pode-se abrir mão.
A comunidade brasileira no Japão, passa por alguns problemas, na sua maioria causadas pela depressão por uma falta de perspectiva.
Temos que lembrar que, toda escolha tem um preço a ser pago. Para se ter algo, abriremos mão de alguma coisa.
Para mim mesmo, também não foi fácil, e não é até hoje. Eu apenas aprendi a priorizar os meus objetivos e parar de sofrer pelas consequências das decisões que tomei.
Sair do Brasil, morar no exterior, pode ser uma experiência ótima e enriquecedora. Pois a mente se abre e começamos a dar valor em coisas simples que jamais prestaríamos atenção.
Hoje, eu sei o que eu gosto no Brasil, e o que não gosto. O que eu gosto no Japão e o que não gosto. E tento desfrutar de tudo, sem reclamar.
E é isso, só teremos a nossa essência respeitada, se respeitarmos a essência alheia.
Pensa em ir para o Japão? Pense bem, porque estar disposto a se abrir para uma nova cultura e um novo mundo, não é fácil. Precisa-se aprender a resetar-se a todo momento…
Eu me propus a isso. Às vezes tenho medo do novo, mas ao mesmo tempo o novo me atrai, como se diz nas redes sociais: Deus me livre, mas quem me dera!
Tão antagônico, mas tão arrebatador.

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