ERIKA TAMURA: Balonismo brasileiro no Japão

Para mim, a ideia mais recorrente na minha cabeça, quando se fala em balão, é a Turma do Balão Mágico. Eu vivi aquela época, sabia todas as músicas, conhecia tudo sobre o grupo, pois é… Estou velha mesmo!
Mas por indicação de amigos, eis que conheço um piloto de balão. E, pasmem, brasileiro!
E o que um piloto de balão brasileiro está fazendo no Japão? Ele veio participar de um campeonato realizado no Festival de Balão em Saga.
Como assim? Eu nem sabia desse festival, isso porque vivo aqui há 20 anos! E olha que Saga ken, é o estado de origem da minha família!!
Christian Kuerken Kalousdian, 24 anos, brasileiro, natural de São Paulo, respira balonismo desde sempre. Christian vem de uma família de balonistas, e que em São Paulo possuem uma fábrica de balão, voam de balão, competem, enfim, tudo sobre balão…
Atualmente, Christian vive na Alemanha e vem ao Japão quase todos os anos, para o Festival em Saga. Para quem nunca ouviu falar, eu pesquisei sobre o evento, e vi que é um mega festival. A ilha de Kiyushu, no sul do Japão, pára, literalmente, para acompanhar o evento.
Único brasileiro na competição esse ano, Christian ficou 17º lugar, entre 70 competidores do mundo todo.
Nada mal para um esporte onde não é preferência nacional, com pouca visibilidade e, poucos patrocínios, por enquanto.
O mais legal é que Christian é apaixonado pelo Japão, e mesmo sem falar nada de japonês, sempre foi bem recebido pelos japoneses. E assim, Christian achou uma maneira de retribuir o carinho dos japoneses, indo em escolas japonesas na região de Saga e dando palestras, explicando sobre a profissão de piloto de balão.
E foi numa dessas vezes, em que o piloto estava no Japão que, uma professora de inglês, com alunos entre 8 e 9 anos, teve a ideia de passar um trabalho para seus alunos, onde todos deveriam escrever uma carta para o Christian, em inglês. O mais legal foi que, Christian respondeu à todas as cartas, tudo escrito a mão, uma a uma. Quando voltou ao Japão, esse ano, Christian foi pessoalmente entregar as cartas, e chamando nominalmente cada aluno. As crianças ficaram surpresas e empolgadas.
Conversando com o piloto, surgiu a ideia de alguns projetos na área educacional, envolvendo as crianças brasileiras no Japão, e eu fiquei extremamente empolgada para que possamos realizá-los o mais breve possível.
E é nesse contexto que, a cada dia que passa, percebo qual é o meu papel nesse mundo. Sou aquela pessoa que conecta todos à um único objetivo, o da solidariedade. E que a minha jornada, apenas esteja começando, porque a minha cabeça não para.
Por mais “Christians” nesse mundo…

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