Embaixador do Japão prestigia inauguração de monumento na ‘Praça da Liberdade-Japão’

A Acal (Associação Cultural e Assistencial da Liberdade), que já tinha vibrado com a mudança da denominação da Praça da Liberdade para Praça da Liberdade-Japão – conforme publicado no Dirário Oficial do Estado de São Paulo do dia 19 de julho – e da estação Liberdade para “Japão-Liberdade” – por intermédio de decreto assinado pelo governador Márcio França (PSB) no dia 24 de julho – ganhou mais um motivo para comemorar.

Com a presença do embaixador do Japão no Brasil, Akira Yamada, e do cônsul geral do Japão em São Paulo, Yasushi Noguchi, a Acal realizou nesta segunda-feira, 27, solenidade de inauguração do Monumento que homenageia o novo nome da Praça “Liberdade – Japão” em comemoração aos 110 anos da Imigração Japonesa no Brasil.

A homenagem contou ainda com o presidente da Acal, Hirofumi Ikesaki; o Subprefeito da Sé, Eduardo Odloak (representando o prefeito Bruno Covas); o presidente do Comitê Executivo para Comemoração dos 110 Anos da Imigração Japonesa no Brasil, Yoshiharu Kikuchi; o presidente da Aliança Cultural Brasil-Japão, Yokio Oshiro; o presidente do Hospital Santa Cruz, Renato Ishikawa; o vice-presidente do Bunkyo (Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social), Osamu Matsuo; o presidente do Kenren (Federação das Associações de Províncias do Japão no Brasil), Yasuo Yamada; o presidente da Assistência Social Dom José Gaspar – Ikoi-No-Sono, Sunao Sato; o presidente da Federação de Sakura e Ipê do Brasil, Pedro Yano; o vice-presidente do Enkyo, Jun Suzaki e o ex-deputado Hatiro Shimomoto, além do delegado aposentado da Polícia Federal, Mario Ikeda, e os vereadores George Hato (MDB) e Ota (PSB), autores  – ao lado dos também vereadores Rodrigo Goulart e Milton Leite – do projeto de Lei sancionado pelo prefeito Bruno Covas.

O embaixador, que um dia antes participara de um Campeonato de Shogui realizado na mesma Liberdade, aproveitou sua rápida passagem pelo bairro para conhecer a Vitrine de Ikebana da estação Japão-Liberdade da Linha 1-Azul do Metrô e o letreiro com o novo nome.

Em seu discurso, Yamada lembrou que os imigrantes passaram por muitas dificuldades desde a chegada do navio Kasato Maru e, graças aos esforços dos pioneiros, foi constituída a comunidade japonesa no Brasil. Ele também agradeceu o apoio de todos durante a visita da princesa Mako.

Odloak destacou a liderança exercida por Ikesaki no bairro – não à toa o empresário é carinhosamente chamado de ‘prefeito da Liberdade’ – “não só do ponto de vista da promoção da cultura japonesa como também em sua defesa, que se desdobrou na mudança do nome e que inicia uma nova fase”.

Segundo o subprefeito,o monumento simboliza “a amizade e respeito que sempre tivemos com osjaponeses”.

 

Zeladoria – Criado e idealizado pela Acal, que em março deste ano assinou o termo de cooperação para zeladoria e paisagismo da praça, o monumento chamado “Monumento histórico em homenagem aos 110 anos da imigração japonesa no Brasil” 1908 – 2018 é uma pedra com cerca de 3 metros de altura com os dizeres cravados em japonês na parte da frente e em português na parte de trás: “Neste ensejo, a praça foi renomeada ‘Praça da Liberdade-Japão’, e consagrada pela honrosa visita à São Paulo de sua alteza imperial princesa Mako. Ao povo e ao governo brasileiro, por terem recebido a comunidade japonesa nesta abençoada terra, a nossa eterna gratidão”. Segundo apurou a reportagem do Jornal Nippak, a Acal desembolsou cerca de R$ 150 mil (incluindo o frete) pela pedra.

 

Conquista – “Estou muito satisfeito. Realizei um sonho que carrego desde 1947, quando vim para a Liberdade. Sempre quis alguma coisa que ficasse marcado como sendo o bairro da comunidade japonesa e hoje, 90 anos depois, conseguimos esse monumento histórico que, acredito, ficará eternamente. Agora, vamos convocar todas as pessoas, de todas as nacionalidades, para fazer da Liberdade um bairro exemplar. Tudo o que for bom em outros lugares do mundo nós vamos adotar aqui”, disse um Ikesaki ainda eufórico.

Idealizador da mudança do nome da praça, Mario Ikeda disse que a nova denominação “é uma vitória da comunidade”. “Se não fizéssemos isso agora, com certeza as futuras gerações não fariam”, afirmou Ikeda, acrescentando que, “tudo começou no Centenário, quando não foi feito nada que perpetuasse a história da imigração”. “E aí surgiu a ideia que fizéssemos algo nos 110 anos”, explicou Ikeda”.

Para Hatiro Shimomoto, “a comunidade nipo-brasileira sempre respeitou e respeita a cultura local e não se esquece que a Liberdade tem uma história ligado à morte do militar Francisco José das Chagas, o Chaguinhas, que morreu enforcado em praça pública”. “Isso para mostrar que, em respeito à memória, foi apenas agregado o nome Japão à praça”, disse Shimomoto.

 

48º Província – Para Ikesaki, as festas realizadas no bairro pela Acal daqui para frente ganharão outros ares. “Ainda não tive oportunidade de falar com o cônsul nem com o embaixador, mas vou pedir para que eles ajudem a  promover melhorias no bairro. Não quero que ajudem sempre, mas que deem um impulso, uma saída porque gostaria muito que esse monumento representasse, simbolicamente, a 48ª província japonesa como a união de dois povos”, destacou Ikesaki.

(Aldo Shiguti)

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