ELEIÇÕES 2018: Na reta final, candidatos nikkeis devem intensificar campanha em redes sociais e contato com eleitores

Passado pouco mais de um mês do início da campanha eleitoral daquela que está sendo considerada “a eleição mais importante dos últimos tempos” e a menos de 20 dias para o primeiro turno, o clima de “estranheza” permanece no ar. Com poucos recursos e quase sem tempo no horário eleitoral gratuito – uma vez que o espaço é praticamente dominado pelos candidatos à Presidência e a corrida ao Palácio dos Bandeirantes – os postulantes à Assembleia paulista e à Câmara dos Deputados continuam sua saga na tentativa de convencer os eleitores.

O deputado federal Walter Ihoshi (divulgação)
O deputado federal Walter Ihoshi (divulgação)

Como explica o deputado federal Walter Ihoshi (PSD-SP), que busca seu quinto mandato em Brasília. “De todas as campanhas eleitorais que participei, esta, talvez, tenha sido a mais difícil. Uma eleição diferente das demais, uma eleição onde grande parte dos brasileiros está distante da política, está distante das eleições. Muitos apresentando até uma certa descrença em relação à política. Tem sido um desafio, primeiro, conscientizar esses eleitores mostrando a importância da participação de cada um nesse processo que vai definir o futuro do nosso país”, destaca Ihoshi.

Aurélio Nomura (divulgação)
Aurélio Nomura (divulgação)

Opinião semelhante a do vereador Aurélio Nomura (PSDB), que busca uma vaga na Assembleia Legislativa. “Esta é uma das campanhas mais difíceis da qual participei, seja pelo aspecto financeiro, pelo pouco tempo e pelo desânimo da população com relação à política”, diz Nomura, acrescentando, porém, que “nas reuniões que temos realizado em várias regiões do estado e da cidade, temos tido muita receptividade, o que mostra que a maior parte do eleitorado tem plena consciência que a eleição de pessoas sérias, honestas e que trabalham de fato é o caminho para tirar o nosso país da maior crise de sua história”. “E isso nos deixa muito confiantes na candidatura”, conta.

Hélio Nishimoto (divulgação)
Hélio Nishimoto (divulgação)

Eleito em 2014 para o 3º mandato consecutivo – foi o deputado mais bem votado na Região Metropolitana do Vale do Paraíba e o 9º mais votado do partido com 137.249 votos – o deputado estadual Hélio Nishimoto (PSDB) também considera esta campanha “diferente”, “com prazo e recursos financeiros menores”. “Porém, eu estou muitíssimo satisfeito com a receptividade dos eleitores pois demonstram conhecer nosso trabalho e manifestam apoio para darmos continuidade”, afirma Nishimoto, que tenta seu quarto mandato.

Juliano Abe (divulgação)
Juliano Abe (divulgação)

Já Juliano Abe (MDB) tem opínião diferente. Vice-prefeito de Mogi das Cruzes, Juliano explica que “não sinto na população um afastamento do processo político-eleitoral”. “As pessoas estão interessadas em conhecer as propostas”. “Nossas ideias vêm sendo amplamente recebidas e, durante a campanha, isso é muito válido, pois não objetivamos somente o resultado das urnas. Mas sim o impacto que uma campanha ficha limpa, sustentável, propositiva e participativa pode ocasionar, contagiando toda a sociedade”, destaca Juliano, acrescentando que “o foco é ouvir as pessoas, fazer com que a locomotiva do Brasil, que é o estado de São Paulo, deixe essa situação enferrujada e estacionada e passe a se movimentar”.
Iniciando na carreira política mas com experiência em administração – é presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis de São Paulo (ABIH-SP) – Bruno Omori (PODE) tem como base a tese de colocar como política pública econômica o turismo como fator de desenvolvimento econômico para gerar empregos. “E com as divisas poder aplicar na educação, segurança e saúde”, completa. “Minha luta tem sido no sentido de integração das lideranças e comunidades a partir da ideia e da necessidade urgente de renovação real da politica na Assembleia Legislativa de São Paulo”, afirma Bruno Omori, que vê uma necessidade de ser criada “uma maior união e integração da comunidade nikkei”.

Bruno Omori (divulgação)
Bruno Omori (divulgação)

Pulverização – Segundo ele, somente o Estado de São Paulo, com mais de 1,2 milhão de japoneses e seus descendentes, poderia eleger uma bancada de 12 deputados estaduais e pelo menos 7 deputados federais, “se como outras comunidades, como a judaica ou a árabe, fizessem com 1 ano de antecedência um processo democrático e de união com a análise de todos que desejam disputar as eleições, integrando estratégicas sinérgicas para união de candidaturas e apoio formal das diversas entidades representativas e dos mercados que cada pré-candidato possui”. “Desta forma fortaleceríamos a divulgação e integração das candidaturas e teríamos mais espaço e liderança política em São Paulo e no Brasil”, acredita Omori.
Este ano, somente no Estado de São Paulo, são cerca de 30 candidatos de origem japonesa para a Câmara dos Deputados e outros cerca de 30 concorrentes a uma cadeira na Assembleia Legislativa. Para Walter Ihoshi, “esse fenômeno sempre aconteceu, inclusive nas eleições passadas”. “Claro que isso se deve ao sistema partidário brasileiro, que oferece cerca de 35 partidos e cada partido busca seus candidatos por segmento, seja nas igrejas, ou no setor do agronegócio. Enfim, cada setor da sociedade tem seu representante e com a comunidade nipo-brasileira não é diferente”, diz Ihoshi, lembrando que o Brasil conta com a maior comunidade fora do Japão – com cerca de 2 milhões de japoneses e seus descendentes.
“Naturalmente, os partidos buscam os seus candidatos para fortalecer suas chapas e procuram líderanças que possam participar”, explica o parlamentar, que lamenta, porém, que essa fragmentação “em algumas eleições acabou sendo danosa para aqueles candidatos com mais chances de se eleger, já que acabou dividindo os votos”. “E uma comunidade como a nossa, que é muito grande mas está pulverizada, muitas vezes tem dificuldade de se integrar e consolidar candidaturas viáveis”, conta Ihoshi, que espera que a comunidade possa se unir nesses últimos dias e “concentrar suas energias nos bons candidatos, que tem propostas mas que sejam viáveis eleitoralmente”.
Nishimoto também lamenta. “Muitos candidatos faz com diminuam as chances de termos mais representantes na Assembléia Legislativa e na Câmara Federal. É uma pena que não consigamos fazer uma triagem eficaz para garantirmos maior representatividade”, explica.
Já Aurélio Nomura considera o fato “parte da democracia e que a quantidade reflete a integração e a participação dos descendentes em todos os setores da vida nacional, inclusive na política”. No entanto, o ex-líder de João Doria na Câmara Municipal vê a necessidade de uma reforma política. “Sou da opinião de que existem muitos partidos no Brasil. São 34 registrados e 73 em processo de formação. São números exagerados e, por isso, sou favorável a uma reforma política ampla que contemple todas as tendências políticas, mas que também, as legendas deixem de serem usadas como moeda de barganha”.

‘Três S’ – Para Juliano Abe, que nessa reta final pretende continuar sua “jornada participativa visitando cidades e apresentando nossas plataformas de trabalho aos eleitores”, a diversidade de candidatos “favorece e enriquece o poder de escolha para o eleitor”.
Com o tempo exíguo e escassez de recursos, a campanha baseada nos “três S” – suor, saliva e sola de sapato – parece ganhar a preferência da maioria dos candidatos.
Bruno Omori, deve aproveitar os últimos dias para intensificar sua campanha nas redes sociais e investir também em “caminhadas da vitória em pontos estratégicos da Capital, interior e litoral”, além de contar com o trabalho de mais de 2500 voluntários.
Hélio Nishimoto e Walter Ihoshi também devem intensificar as conversas com os eleitores nas ruas e nas redes sociais. “Sinto que assim atingirei os meus potenciais eleitores”, afirma Nishimoto. “Nesses últimos dias vamos visitar os municípios que ainda não foram visitados, visitar os segmentos de amigos que ainda não foram visitados, intensificar nossa campanha nas redes sociais, massificar o nosso número e estar juntos das pessoas para que a gente possa ter um resultado favorável no dia 7 de outubro”, antecipou Ihoshi.
“O que temos feito é um corpo a corpo intenso mostrando o nosso trabalho e as propostas que temos para melhorar nosso Estado e a qualidade de vida da população, e que vamos levar essa mesma atuação, pautada pela seriedade e honestidade, para a Assembleia Legislativa de São Paulo. Nesse corpo a corpo, temos percebido que os eleitores estão muito receptivos aos candidatos que já têm uma história política, que tem um trabalho concretizado, tem experiência e ficha limpa”, diz Aurélio Nomura, para quem hoje o eleitor “tem muito mais condições de se informar sobre os candidatos pesquisando pela Internet”.

Conservadorismo x renovação – “Ele tem condições de conhecer a ‘ficha corrida’ de cada um dos candidatos e se decidir em qual votar. Por isso, acredito que o voto do eleitor será ao candidato, independente de partido. Com certeza, os eleitores brasileiros estão muito mais amadurecidos, muito mais consciente e muito mais informados e vão se decidir pelo candidato que realmente trabalha, seja honesto e tenha propostas concretas e realizáveis para o Estado de São Paulo”, avalia.
Enfático, Bruno Omori é da opinião que, “com a crise econômica, gerada principalmente pela política corrupta no Brasil, se torna imprescindível votar pela total renovação da Assembleia Legislativa de São Paulo se quisermos melhorar a economia, a vida das pessoas agora e, principalmente, para as gerações futuras”.
Juliano Abe acredita existir espaço para a renovação, “para novos nomes”. “Assim como também acredito que aqueles que coroaram bons trabalhos devem ser reconduzidos para continuar e ampliar ainda mais a sua atuação. O momento atual pede por qualidade no serviço público. E qualidade é sinônimo de experiência comprovada”, destaca.
Para o deputado Hélio Nishimoto, os eleitores devem ser mais conservadores, “pois as regras eleitorais favorecem quem já tem mandato”. “Mas eu espero que o resultado traga algumas novidades boas para a política pois estamos precisando”, afirma.
Para Walter Ihoshi, “é até natural que o eleitor tenha uma expectativa de renovação tanto nas Assembleias Legislativas como nos Congressos. “Até porque existem movimentos em torno desse foco, dessa tentativa de mudnça. Mas, na prática não sei se esse será o resultado final porque não é fácil um candidato novo fazer sua exposição num periodo tão curto como esse que nós estamos vivendo nessa campanha atual”, diz Ihoshi, acrescentando que “tudo pode acontecer, inclusive vamos testar agora a importância e a força das redes sociais, onde os novos candidatos estarão se apresentando”.

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