Diretora Yagi: “Quero que saibam da verdade”=Sessão exibe “Behind The Cove”=A verdade sobre a controvérsia da caça às baleias finalmente revelada

A diretora Yagi respondendo s perguntas da plateia
A diretora Yagi respondendo às perguntas da plateia

No luxuoso Hotel Maksoud Plaza, no bairro da Bela Vista, em São Paulo, foi exibido,  na noite do dia 28 de agosto, o filme “Behind The Cove – Buscando a Verdade sobre a Controvérsia da Caça às Baleias” (2015), o polêmico documentário da diretora japonesa Keiko Yagi que revela a verdade por trás da questão da caça às baleias que sempre coloca o Japão como alvo das críticas da comunidade internacional. O evento foi organizado pelo Centro de Estudos Nipo-Brasileiros (CENB) em São Paulo. Trata-se de um filme que poderá despertar polêmica no Brasil, pois o país, além de ser contra a caça às baleias, também irá sediar a “67ª Reunião Anual da Comissão Internacional para a Regulamentação da Pesca da Baleia”, em Florianópolis, Santa Catarina, a partir do dia 4 de setembro.

“Por que somente a caça às baleias do Japão é tão criticada? Fui buscar as respostas e isso acabou se transformando em um filme. Quero que as pessoas saibam um pouco mais da verdade antes de começar a Reunião Internacional” comentou a diretora Yagi (51 anos, Tóquio) que fez uma participação especial na exibição do documentário em meio aos repórteres da mídia local que vieram cobrir o evento.

Esta é uma obra que apresenta uma contraprova ao documentário ganhador do Oscar de 2010, “The Cove”, que abordava a caça aos golfinhos em Taiji-cho, província de Wakayama. A obra foi filmada em 2014, quando coletou opiniões contra e a favor da caça às baleias tendo como palco a mesma cidade onde a tensão entre os pescadores locais e os membros do grupo de defesa ambiental “Sea Shepherd” estava crítica logo após o Japão ter perdido a disputa no Tribunal de Justiça Internacional com relação à caça para fins científicos.

Os ambientalistas do Sea Shepherd fazem uma perseguição insistente contra a prática, emitindo argumentos unilaterais enquanto os moradores se mostravam confusos e irritados diante do que consideravam ser uma violação do espaço onde moravam. A diretora Yagi foi entrevistar ambos os lados, incisivamente. “O que fiz foi juntar o maior número de fatos. Coletei opiniões vindas dos dois lados sobre o mesmo assunto, me preocupando em transformar em um diálogo entre os japoneses e ocidentais”.

Em meio á tensão e embate, são mostrados os pescadores da cidade que arriscam suas vidas na caça às baleias e a vida cotidiana e calma das crianças que gostam de comer carne de baleia e “tatsuta age (fritura à base de carne de boi, peixe, frango ou baleia temperada com shoyu e mirin)”.

O filme apresenta a cultura baleeira japonesa que não apenas consome a carne, mas inclusive os intestinos e a pele, além de também aproveitar os ossos e as barbas da baleia, sem desperdiçar nada. É uma obra que faz uma reflexão mais aprofundada sobre a caça à baleia abordando o aspecto cultural e do artesanato tradicional que se desenvolveu ao longo de muito tempo resultando na crença da baleia, na música e na dança.

E é não parte final que é revelada a verdade crua sobre a questão da caça às baleias. Ainda durante a Guerra do Vietn, em 1972, quando a Conferncia das Nações Unidas para o Meio Ambiente Humano estava para colocar em pauta a operação desfolhante empreendida pelo exército norte-americano, os Estados Unidos fizeram presso para alterar a pauta e destacar o problema da caça às baleias. Nessa conferência foi estabelecida a moratória no comércio baleeiro e, desde então, a caça comercial baleeira foi sendo reduzida aos poucos.

Logo os Estados Unidos que, mais de um século antes, exigiram na base da ameaça que o Xogunato japonês abrisse os portos porque precisavam de um porto intermediário que desse apoio à atividade norte-americana de caça às baleias e que culminou na dizimação desenfreada do animal. Agora os norte-americanos passavam para o lado oposto e levantavam a bandeira da proibição da caça às baleias. E mesmo quando já ostentavam a fachada de estarem se opondo à caça dos animais, o filme revela que os Estados Unidos sigilosamente importavam o óleo da baleia japonês, imprescindível para o desenvolvimento espacial da época, apelando para um truque barato de registrar o produto importado como sendo um “álcool de alta qualidade”.

Atualmente, a Noruega e a Islândia realizam a caça comercial e os Estados Unidos autorizam a caça às baleias aos nativos do Alasca. A verdade é que existem espécies de baleia em perigo de extinção e outras não. O Japão caça as baleias que não estão em risco. Apesar de o Japão seguir as normas da IWC, restringindo sua atividade à caça para fins científicos, o país é abertamente criticado internacionalmente devido ao insensato jogo político.

Depois da exibição e durante a sessão de perguntas e respostas, houve questionamentos duros como: “Se existem tantas outras coisas gostosas, por que insistem tanto na carne da baleia?” ou “Vale a pena brigar por isso mesmo tendo que enfrentar críticas duras da sociedade internacional?” A uma dessas perguntas, a diretora respondeu com outra: “Nesse caso, por que somente a carne de baleia é proibida?” e defendeu: “é preciso dar informações corretas. Alguns se preocupam com o perigo de levar as baleias à extinção, mas não bem assim”.

E por último, opinou: “Alguns dão alertas sobre a destruição ambiental, no entanto, trs quartos dos recursos naturais da Terra são marítimos. Em vez de desmatar as florestas em nome da dependência que temos do gado e dos cereais, aproveitar melhor os recursos marítimos pode nos ajudar a proteger a natureza”. O filme está disponível pelo Netflix em 189 países do mundo através de vídeo streaming(https://www.netflix.com/br/title/80132127). Disponível também em português. (31/08/2018,Jornal Nikkey Shimbun)

 

 

Rascunho ①

Atualmente temos 84 espécies vivas de baleia identificadas. Dizem que, “com exceção de algumas poucas espécies, a grande maioria das baleias não estão em risco de extinção”. Aliás, o número de baleias-minke (também conhecidas como baleias-anãs) caçado pelo Japão para fins científicos, de novembro de 2017 a março deste ano, foi de 333 baleias e isso equivale a apenas 0,0004% da população total estimada em 7 milhões de baleias. A diretora Yagi explica que “a população de baleias tem crescido na taxa de 4% ao ano e fico com receio de que o aumento não vá acabar com as espécies de peixes que servem de alimento”. Entre os participantes não descendentes, houve opiniões favoráveis falando que “já que existem espécies que não estão em risco, talvez a opção de comer ou não fosse somente uma escolha individual”.

 

Rascunho ②

Os argumentos daqueles que so contra a caça às baleias gira em torno de “os golfinhos são muito inteligentes” e ” é muita crueldade matar animais tão bonitos”. Por que podemos comer bois, porcos e frangos, mas não podemos comer golfinhos e baleias? É uma questão de inteligência do animal? O Brasil é um país que preza por respeitar a diversidade étnica e a multiplicidade da cultura. Se alguns ativistas se dizem contra a caça às baleias, sintam-se livres de exercer a liberdade de expressão, mas daí a exigir a proibição total e indiscriminada da ação soa radical demais.

 

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