Com presença do embaixador do Japão e chuva no sábado, 64º Tooro Nagashi tem balanço positivo

(Aldo Shiguti)
(Aldo Shiguti)

Realizado em três dias – 1, 2 e 3 de novembro – pela Associação Cultural Nipo-Brasileira de Registro (Bunkyo), Associação Cultural e Esportiva de Registro (Acer), Nichirenshu Emyoji e Prefeitura de Registro – o Tooro Nagashi de Registro, no Vale do Ribeira – que chegou a sua 64ª edição este ano – contou com um convidado especial. Ou melhor, dois. O primeiro, o embaixador do Japão no Brasil, Akira Yamada. O outro, na verdade, já é um frequentador “costumaz” da festa, mas a presença de Renato Bolsonaro no Tooro Nagashi deste ano ganhou notoriedade por causa do irmão famoso, o presidente eleito Jair Bolsonaro. Renato foi “ovacionado” e, aos gritos de “mito”, posou para fotos e acenou para o público. Ao Jornal Nippak, Renato disse que mora em Miracatu – cidade próxima a Registro – há 20 anos e que o irmão, nascido em Jundiaí (SP), foi para o município de Eldorado – também no Vale do Ribeira, onde viveu até os 17 anos de idade. “É por isso que ele tem um carinho muito grande pelo Vale do Ribeira [a mãe e uma das irmãs ainda moram em Eldorado e uma outra irmã mora em Registro]”, disse Renato, afirmando que antes de ir para a festa ligou para o irmão.
“Ele admira muito o Japão como admira a Coreia do Sul, os Estados Unidos e Israel, países com quem pretende ter uma maior aproximação, mas sem viés ideológicos, apenas econômico e progressista”, disse Renato Bolsonaro, que em 2016 lançou sua candidadura a prefeito de Miracatu mas não foi eleito.
Já o embaixador Akira Yamada aproveitou sua passagem por Registro para visitar o Sitio Shimada, onde Dona Ume Shimada comanda uma pequena fábrica de chá artesanal, e a fábrica de chá Amaya – a única grande que sobrou dos anos dourados no Vale do Ribeira, que ficou conhecida como a “capital do chá. No sábado, 3, Yamada – sempre acompanhado do cônsul Kenji Iwashima, visitou o Centro de Treinamento da Yakult (leia mais na página 8), em Ibiúna, e também o pesqueiro de propriedade de Kounoike, em Vargem Grande Paulista.

Autoridades organizadores e convidados perfilados para a cerimônia de abertura do Tooro Nagashi (Aldo Shiguti)
Autoridades organizadores e convidados perfilados para a cerimônia de abertura do Tooro Nagashi (Aldo Shiguti)

No Tooro Nagashi – que recebeu a visita de um embaixador pela primeira vez – Akira Yamada destacou sua admiração com a festa e revelou ter ficado emocionado com a cerimônia. Em seu discurso, frisou que a colonização japonesa no Vale do Ribeira teve início em 1913, com o Núcleo Katsura, em Iguape, e “a partir daí formou-se a sólida comunidade japonesa que conhecemos hoje”. O embaixador lembrou, também, que os primeiros anos foram árduos, mas com disciplina e trabalho os pioneiros superaram os obstáculos e conquistaram respeito pela sociedade brasileira, ocupando importantes postos em diversas áreas. Yamada encerrou sua fala com um “Viva o Brasil, Viva Registro”.

Religiosidade – A cerimônia oficial de abertura do Tooro Nagashi foi realizada na sexta-feira, 2, pouco depois da celebração do Ato Inter-Religioso que contou com a participação de diferentes tradições que se unem em plena harmonia para homenagear os ancestrais e fortalecer a paz. O reverendo Josué, da Igreja Epíscopal Anglicana de Registro, destacou que “todos nós buscamos a paz”. O missionário Masahiro Akiyama, da Oomoto do Brasil, lembrou que “dependemos dos nossos antepassados para que possamos estar presentes” e que a instituição, com sede no Japão, “prega a paz, a harmonia e o amor ao próximo”. Já o preletor da Seicho-no-Ie, Henrique Tsutomu, ensinou que “somos todos irmãos, independente da religião”.
Já era noite quando os convidados se dirigiram ao local da cerimônia de abertura. Passando pelo belísismo complexo do KKKK (Kaigai Kogyo Kabushiki Kaisha ) – que hoje abriga a primeira unidade do Sesc no Vale do Ribeira – era possível contemplar os cerca de 2 mil tooros do outro lado da margem do Rio Ribeira, como que sinalizando o caminho para os antepassadosparticiparem da homenagem.

Prefeito Gilson Fantin (Aldo Shiguti)
Prefeito Gilson Fantin (Aldo Shiguti)

Abertura – No palco montado na Praça Beira Rio, além do embaixador do Japão e do irmão do presidente Jair Bolsonaro, Renato Bolsonaro, participaram o presidente do Bunkyo de Registro, Irineu Makoto Kawajiri; o presidente da Acer, Mario Soshin Sakugawa; o prefeito de Registro, Gilson Fantin; o deputado federal Samuel Moreira (PSDB); o secretário da Cultura do Estado de São Paulo, Romildo Campello; o presidente da Câmara Municipal de Registro, Marcelo Comeron; o vice-presidente do Bunkyo (Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social), Osamu Matsuo; e o representante sênior da Jica (Japan International Cooperation Agency) em São Paulo, Hiroshi Sato, além do presidente da Uces (União Cultural e Esportiva Sudoeste) e Fenivar (Federação das Entidades Nikkeis do Vale do Ribeira), Toshiaki Yamamura, entre outros.
Este ano, a Comissão Organizadora prestou homenagens especiais a seis dirigentes que presidiram o Bunkyo de Registro e também a Acer: Hideo Nasuno, Satoru Sasaki, Isao Takiute e Rubens Shimizu, além de Kuniei Kaneko (in memorian) e Kiyoshi Seimaru (in memorian).
Irineu Kawajiri destacou que o Tooro Nagashi deste ano comemorava também os 110 Anos da Imigração Japonesa no Brasil e revelou que ficou surpreso ao ver “tanta gente” na festa. O presidente do Bunkyo de Registro agradeceu a todos que tornaram possível a realização do evento, em especial os pioneiros, “que desbravaram essas matas e deixaram um importante legado para nós, como a cultura, educação, e sobretudo, a culinária, tão apreciada por todos nós”.

50 dias – Toshiaki Yamamura fez um agradecimento especial ao embaixador, “que há muito tempo não visitava a cidade”. “E sua presença acontece justamente em um ano memorável em que comemoramos os 110 anos da imigração japonesa e os 105 anos da colonização japonesa em Registro, uma importante data em que nós rendemos nossa homenagem, nosso respeito e nosso sentimento aos pioneiros”, disse Yamamura, lembrando que os primeiros imigrantes desembacaram no porto de Santos após 50 dias de uma cansativa viagem.

Toshiaki Yamamura (Aldo Shiguti)
Toshiaki Yamamura (Aldo Shiguti)

“Aqui chegando encontraram várias adversidades e obstáculos, mas com trabalho e dedicação e dotados sobretudo de honestidade e ética, venceram todas as dificuldades e deixaram para nós um legado de prosperidade e harmonia”, explicou o presidente da Uces e Fenivar, acrescentando que hoje o Brasil conta com cerca de 1,9 mi de japoneses e seus descendentes. “Graças aos esforços dos pioneiros, hoje estamos presentes em todas as áreas, contribuindo para o desenvolvimento da nossa cidade, do nosso Estado e do país. Faço aqui uma homenagem ao povo brasileiro que recebeu os pioneiros de braços abertos e que possibilitou construirem aqui sua segunda pátria”, afirmou.

Secretário de Estado da Cultura, Romildo Campello (Aldo Shiguti)
Secretário de Estado da Cultura, Romildo Campello (Aldo Shiguti)

O secretário estadual de Cultura, Romildo Campello destacou a importante contribuição da imigração japonesa para o desenvolvimento do Estado de São Paulo enquanto o deputado federal Samuel Moreira lembrou a importância de eventos como o Tooro Nagashi, que celebram a paz.
Segundo Moreira, no ano passado o país registrou mais de 63 mil homicídios. “Um número equivalente a população de Registro”, disse, acrescentando que basta de intolerância e violência verbal – “que também é uma forma de violência”.

Deputado federal Samuel Moreira (Aldo Shiguti)
Deputado federal Samuel Moreira (Aldo Shiguti)

Tempestade – “Precisamos refletir, pois não podemos desejar para os outros o que não queremos para nós. E o Tooro Nagashi nos mostra exatamente isso, que é possível viver em paz e em harmonia. Esse é o Brasil que nós queremos”, finalizou o deputado.
Em seguida, o prefeito Gilson Fantin, declarou aberto o 64º Tooro Nagashi, que este ano ganhou um dia a mais – o sábado. Destaque para a queima de fogos de artifício, na noite de de sexta-feira, e apresentações de taiko e danças folclóricas, além de uma concorrida praça de alimentação.

Renato Bolsonaro (c) com Mario Sakugawa (Aldo Shiguti)
Renato Bolsonaro (c) com Mario Sakugawa (Aldo Shiguti)

Segundo Mario Sakugawa, a tempestade que caiu sobre o Vale do Ribeira nosábado, pouco antes do show do cantor Joe Hirata, causou transtornos para a organização. “Tivemos um prejuízo de 50% porque desativamos praticamente metade das barracas, entre a praça de alimentação e bazaristas”, disse ele, acrescentando que cogitou-se suspender o restante da atividade. “Parar naquela altura seria prejuízo certo, então decidimos arriscar e continuar com a programação”, disse Sakugawa, afirmando que o evento prosseguiu depois até o final.
“Tirando essa parte da chuva, que aconteceu no dia ‘extraordinário’, o restante foi muito bom, incluindo a mudança para a Praça Beira Rio. Ainda não tivemos uma reunião, o que deve acontecer nesses dias, mas todos aprovaram e a ideia é continuar no mesmo local nos próximos anos”, explicou.

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