Cerimônia no Bunkyo marca lançamento da 4ª edição de ‘O Nikkei no Brasil’ e premia vencedores de concurso de monografia

Kiyoshi Harada com a esposa, Felicia Harada, e os participantes do concurso de monografia (Jiro Mochizuki)
Kiyoshi Harada com a esposa, Felicia Harada, e os participantes do concurso de monografia (Jiro Mochizuki)

Realizado na noite desta terça-feira, 30, no Salão Nobre do Bunkyo (Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social), no bairro da Liberdade, o lançamento da 4ª edição do livro “O Nikkei no Brasil”, contou com presenças do cônsul geral adjunto do Consulado Geral do Japão em São Paulo, Akira Kusunoki; do coordenador da obra, jurista Kiyoshi Harada e sua esposa, a advogada Felícia Harada; do vereador Aurélio Nomura; do ministro do STJ (Supremo Tribunal de Justiça), Massami Uyeda; da presidente do Bunkyo, Harumi Goya,; do professor emérito da Universidade de São Paulo, Sedi Hirano, do ex-presidente do Tribunal de Justiça Militar, Silvio Oyama; do presidente da Fundação Kunito Miyasaka e do Instituto Brasil-Japão de Integração Cultural e Social, Roberto Yoshihiro Nishio; da presidente da JCI Brasil-Japão, Patricia Murakami; de Regina Hirosi, da Advocacia Geral da União; do presidente do Conselho Deliberativo do Bunkyo, Jorge Yamashita; do desembargador Kioitsi Chicuta e do advogado Mario Iwamizu, além do ex-bolsista Jairo Uemura.
Conduzido pelo Mestre de Cerimônias Carlos Fukuhara, Harada abriu a série de discursos enaltecendo o dia “triplamente feliz”. “Em primeiro lugar porque na madrugada de hoje nasceu minha quarta neta, Maya. Segundo porque estamos procedendo esse lançamento e em seguida faremos a cerimônia de premiação do concurso de monografia”, explicou o jurista, que agradeceu aos familiares “pelo tempo roubado nos finais de semana”.
Harada lembrou que a primeira edição foi lançada em 15 de janeiro de 2008 por ocasião das comemorações do Centenário da Imigração Japonesa no Brasil no hall monumental da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, em cerimônia oficial presidida pelo então presidente daquela Casa, deputado Vaz de Lima. “Depois, seguiram-se a segunda e terceira edições e nesta quarta incorporamos, com o auxilio de seis novos autores, o capítulo 17, que cuida exatamente da homenagem aos 110 Anos da Imigração Japonesa no Brasil”, disse o coordenador, explicando que “os demais capítulos, apesar da diversidade da matéria, existe uma conexão entre eles e como um todo o livro assume uma feição monográfica”.

Felícia Harada, vereador Aurélio Nomura e Kiyoshi Harada (Jiro Mochizuki)
Felícia Harada, vereador Aurélio Nomura e Kiyoshi Harada (Jiro Mochizuki)

Mercosul – O vereador Aurélio Nomura destacou a importância da obra lembrando das mais recentes negociações de parceria econômica entre o Mercosul e o Japão. “Espero que este livro venha a trazer uma luz a essa discussão e tenho a certeza que a partir do esforço em nome daqueles pioneiros, sem dúvida nenhuma, nós estaremos renovando os votos de amizade e estreitando as relações culturais e econômicas entre os países do Mercosul e o Japão”, frisou Aurélio Nomura.
Já a presidente do Bunkyo destacou que trata-se de uma obra de “suma importância ao ressaltar a necessidade de reavivarmos e ampliarmos os conhecimentos sobre as nossas raízes históricas e, principalmente, sobre o passado de luta de nossos antecessores”.
“Trata-se de um documento de referência, elaborado por diferentes especialistas e autoridades, que enfoca variados aspectos da trajetória dos imigrantes, incluindo também um capítulo com informações atualizadas sobre os 110 anos da imigração japonesa no Brasil. Além dessas informações, o livro inclui dados sobre a imigração japonesa nos países da América Latina e igualmente destaca os inúmeros aspectos do intercâmbio Brasil-Japão, ressaltando o elo humano que consolida o relacionamento com nossos países vizinhos e o Japão”, disse Harumi Goya, acrescentando que, além da “cuidadosa edição de cada capítulo, o livro destaca-se por sua belíssima capa baseada na obra de Kazuo Wakabayashi, artista plástico símbolo dos 110 anos, responsável pela criação do logotipo adotado nesta comemoração”.
O cônsul adjunto comentou que a publicação reúne especialistas em diversas áreas e “será uma importante ferramenta de conhecimento para as futuras gerações que se interessam pelo tema”.

Monografia – Na oportunidade, foi realizada também a cerimônia de premiação do concurso de monografia que teve como tema “Causas e Consequências da Imigração Japonesa no Brasil”. Instituído por Harada, a iniciativa, pioneira – diga-se de passagem – contou com apoio do Bunkyo, da Associação Brasileira dos Ex-Bolsistas “Gaimusho Kenshusei” e da JCI Brasil-Japão.
Nesta primeira edição, que incialmente teve 15 inscrições,o vencedor foi o diretor de Operação da Japão House São Paulo, Claudio Kurita, que recebeu um prêmio de R$ 10 mil, além de uma luxuosa medalha alusiva ao evento – extensiva também a todos os participantes, que foram avaliados por uma comissão julgadora, presidida por Massami Uyeda e composta ainda pelo jurista Kiyoshi Harada, Jorge Yamashita, Roberto Nishio, Mario Iwamizu, Sedi Hirano e Patricia Murakami.
A comissão levou em consideração critérios como a qualidade da pesquisa; organização e qualidade da escrita; originalidade; apresentação e contribuição da monografia para abrilhantar os festejos comemorativos dos 110 anos da imigração.

Oscar – Coube ao presidente da Comissão Julgadora, ministro Massami Uyeda, a tarefa de anunciar o nome do vencedor. Antes, Uyeda destacou a contribuição da obra “O Nikkei no Brasil”, através de seu coordenador, Kiyoshi Harada, “personalidade que todos nós conhecemos e que vem contribuindo decisivamente para difusão da cultura e história da comunidade japonesa”. “Esta quarta edição é de fundamental importância como registro para a sociedade nipo-latino-americana”, disse o ministro, que parabenizou todos os participantes.
“Tivemos até uma certa dificuldade em escolher o vencedor porque todos que aqui participaram escreveram sob vários aspectos, várias angulações e todos eles relevantes”. Segundo Massami, “tal qual a premiação do Oscar, o vencedor foi conhecido no anonimato”.

(Jiro Mochizuki)
(Jiro Mochizuki)

Depoimentos – Claudio Kurita, que não participou da cerimônia por motivo de trabalho – foi representado pela ex-presidente da JHSP, Ângela Hirata – disse que ficou surpreso. “Entrei muito mais para participar – quero até agradecer e parabenizar o doutor Harada pela iniciativa – mas minha intenção foi mais no sentido de contribuir”, explicou Kurita,destacando que sua monografia foi baseada em muitas experiências vividas. “Passei pelas comemorações dos 90, dos 100 e agora dos 110 anos da imigração japonesa – e para mim todo esse tempo foi de amadurecimento, de poder entender todo esse processo. Também tive oportunidade de conhecer vários países e suas respectivas comunidades, o que me ajudou muito nesta monografia. Tinha vários textos que em algum momento queria reuni-los e através dessa monografia isso foi possível”, disse Kurita, que anunciou que pretende doar o prêmio para o Museu Histórico da Imigração Japonesa no Brasil como “retribuição”. “É uma forma de agradecer todas as oportundades que tive dentro da comunidade”, afirmou.
Alexandre Kawase e Esther Yoshinaga também elogiaram a inciativa. “Foi uma oportuidade para os jovens estudarem a história da imigração japonesa no Brasil, e acima de tudo, poder refletir sobre qual foi a contribuição que esse processo deixou como legado, além de sugerir visões de futuro”, disse Kawase.
Para Esther Yoshinaga, “essa preocupação da transmissão do legado da cultura japonesa é muito importante”. “Acho que a gente, como nova geração, precisa fazer essa transição com a segunda geração até para manter esse legado vivo para as próximas gerações”, ressaltou Esther.
Após a cerimônia foi servido um coquetel ao estilo oriental.

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