Centro Cultural e Esportivo de Ibiúna comemora 70 anos com inauguração de Pedra Memorial

(Jiro Mochizuki)
(Jiro Mochizuki)

Uma cerimônia singela mas revestida de grande significado não só para seus associados bem como para a comunidade nikkei marcou o 70º Aniversário de Fundação do Centro Cultural e Esportivo de Ibiúna e os 110 Anos da Imigração Japonesa no Brasil. Realizado no último dia 14, na sede social do CCEI, em Ibiúna (SP), o evento contou com a presença do prefeito João Mello (PSD); do presidente da Uces (União Cultural e Esportiva da Sudoeste), Toshiaki Yamamura; do presidente do Sindicato Rural de Ibiúna, Mauricio Tachibana; do diretor da Academia da Seicho-no-Ie, Gil Kanashiro; do presidente da Cooperativa Agrícola de Ibiúna (Caisp), Márcio Ideriha; da representante da Nissin, Kátia Machado; do presidente da Cooperativa de Eletrificação de Ibiúna e Região (Cetril), Nélio Leite e do sargento da Polícia Militar Soares, além de dirigentes de Bunkyos da região, como Silvio Furukawa (de Vargem Grande Paulista), Sussumu Araki, da Acenbo (Associação Cultural e Esportiva Nipo-Brasileira de Osasco) e lideranças locais, como o ex-secretário da Segurança Urbana de Ibiúna, Choji Miyake.

Presidente da Uces, Toshiaki Yamamura participa de ritual budista (Fotos: Jiro Mochizuki e Aldo Shiguti)
Presidente da Uces, Toshiaki Yamamura participa de ritual budista (Fotos: Jiro Mochizuki e Aldo Shiguti)

Um dos pontos altos da festa foi o descerramento da Pedra Memorial Comemorativa, erguida no jardim do CCEI. Antes dos discursos, o monge Satoshi Sakurai celebrou um Ritual Budista em Memória aos Falecidos da Comunidade Nikkei de Ibiúna. Sakurai comparou o Centro Cultural a uma flor, “que necessita de uma raiz forte para crescer e superar as adversidades”. “Para nós, nossa raiz são nossos antepassados que fundaram este Centro Cultural”, disse o monge.

Maeda discursa observado por Yamamura e Tachibana (Fotos: Jiro Mochizuki e Aldo Shiguti)
Maeda discursa observado por Yamamura e Tachibana (Fotos: Jiro Mochizuki e Aldo Shiguti)

Gratidão – O presidente do CCEI, Hirofumi Maeda, abriu a série de discursos expressando sua gratidão aos pioneiros. “Ao rememorarmos o passado, verificamos que o embrião do Centro Cultural e Esportivo de Ibiúna foi a Associação de Pais e Tutores com o pensionato de estudantes implantado há exatos 70 anos, nos idos de 1948, após o término da Segunda Guerra Mundial”, disse Maeda, lembrando que “a vinda dos primeiros imigrantes japoneses nessas terras remonta ao ano de 1932”.
“E foi aumentando paulatinamente até chegarmos em 1938 quando foi implatado um núcleo da extinta CAC (Cooperativa Agrícola de Cotia). Em 1942 foi fundado o que na época seria o primeiro grupo cooperativo de transporte coletivo no âmbito da CAC. Mas o fato que mais gostaria de ressaltar, ainda nos dias de hoje, com respeito e admiração, é o caloroso ímpeto dos associados daquela cooperativa interessados na questão da educação de seus filhos e familiares”, explicou Maeda, acrescentando que em 1956 a administração do pensionato foi transferida da CAC para a Associação de Pais e Tutetores daquela época, mudando sua denomição para Centro Cultural de Ibiúna.
O Centro Cultural prosseguiu sua trajetória de atuação em setores como o esporte, com destaque para o beisebol infantil e o atletismo, e no setor cultural e social, além da prática de boas convivências e outras atividades, sempre na busca contínua de sua evolução.
Maeda recorda que em 1981 foi inagurada a tão sonhada sede nova, “que veio solidificar ainda mais os nossos alicerces”. “Em 1993, já na antevéspera do fechamento da CAC, mediante imenso esforço dos diretores da época, foi viabilizada a aquisição de um terreno de quatro alqueires que até então abrigava o Centro Cultural sob o regime de comodato, renascendo assim o CCI efetivamente independente e soberano sob todos os aspectos”.

A mudança para CCEI, nome que perdura até hoje, ocorreu em 2014, com o objetivo de “melhor nos adequarmos aos tempos atuais e à conjuntura atual e ainda visando dar maior clareza aos objetivos da instiuição”.
Maeda lembra que, nessas sete décadas, passaram pelo Centro Cultural e Esportivo de Ibiúna pessoas que contribuíram para o desenvolvimento de Ibiúna e do Brasil em suas respectivas áreas, desde a agricultura até a atividades políticas, econômicas e científicas.

Homenagens – Em seguida, foram prestadas homenagens a Ex-Presidentes; Ex- Diretores com mais de 10 anos de contribuição; Professores com longos anos de dedicação; Associados com longos anos de contribuição aos seus respectivos Departamentos; Funcionários com longos anos de dedicação; Idosos com mais de 85 anos de idade e a Ex-Diretores Colaboradores.
“Povo que não sabe de onde veio, não sabe para onde vai”, foi a frase que o prefeito usou para iniciar sua fala. Segundo João Mello, “a comunidade japonesa de Ibiúna muito nos ensinou”. “Este Centro Cultural é a concretização de uma filosofia e de uma visão que os japoneses trouxeram para Ibiúna. Desde que os japoneses para cá vieram, impactaram muito no nosso municipio, que é um município agrícola. Eles trouxeram técnicas mais avançadas de uso do solo, que deram uma produtividade melhor. Isso faz de Ibiúna o carro chefe que é hoje em relação a hortifrutis, especialmente os folheosos. Chegamos a abastecer mais de 40% do setor de hortifrutis do Ceagesp e isso é fundamental para nós”, disse o prefeito à reportagem do Jornal Nippak.

Brasileiro de coração e alma – O presidente da Uces, Toshiaki Yamamura parabenizou a diretoria do CCEI “por este grande acontecimento”. “Ao longo desses 70 anos, o CCEI vem crescendo e contribuindo assim com o desenvolvimento cultural, esportivo e econômico do município”, destacou Yamamura.
As palavras de encerramento ficaram a cargo do vice-presidente Ricardo Iwakura. Ele agradeceu a presença de todos e lembrou que, “para nós é muito importante para a nossa entidade poder contribuir não só em setores como no esporte, na tradição e nos costume, mas principalmente, na formação e educação de nossos pequenos que certamente irão contribuir para o desevolvimento deste município e do país”. E finalizou afirmando sentir-se orgulhoso de sua origem japonesa e de ser brasileiro de coração e alma.

Convidados e diretoria diante da Pedra Memorial Comemorativa (Fotos: Jiro Mochizuki e Aldo Shiguti)
Convidados e diretoria diante da Pedra Memorial Comemorativa (Fotos: Jiro Mochizuki e Aldo Shiguti)

Pedra – Em seguida os convidados se dirigiram à área externa para o descerramento da Pedra memorial Comemorativa dos 70 Anos de Fundação do Centro Cultural e Esportivo de Ibiúna. Antes da inauguração, que contou com a participação do prefeito, do presidente do CCEI e de dois alunos da escola de língua japonesa, além de Silvio Furukawa, o monge Sakurai conduziu um ritual de purificação.
A festa prosseguiu no salão com o corte do bolo – com Choichi Ogino, de 93 anos, e Haruko Takagi, de 101 anos – e atrações do Fujinkai, Taiko, Gakko e Karaokê.

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