Câmara Municipal de São Paulo homenageia Kodomo-no-Sono pelo seu 60º aniversário

Sergio Oda, José Taniguti, Andre Korosue, Masatoshi Hasegawa, Aurélio Nomura e George Hato (Aldo Shiguti)
Sergio Oda, José Taniguti, Andre Korosue, Masatoshi Hasegawa, Aurélio Nomura e George Hato (Aldo Shiguti)

Por iniciativa do vereador Aurélio Nomura (PSDB), a Câmara Municipal de São Paulo realizou, no último dia 21, Sessão Solene em Comemoração aos 60 anos de fundação da Associação Pró-Excepcionais Kodomo-no-Sono. A Mesa foi composta pelo cônsul geral do Japão em São Paulo, Yasushi Noguchi; por Masatoshi Hasegawa (filho do fundador, Ryoshin Hasegawa), pelo presidente da Enkyo (Beneficência Nipo-Brasileira de São Paulo), Akeo Yogui; pelo presidente da Aliança Cultural Brasil-Japão, Yokio Oshiro; pelo vereador George Hato (MDB); pelo bispo Eduardo Sasaki e pela secretária adjunta da Secretaria Municipal de Pessoas com Deficiência, Marinalva Cruz (representando o titular da pasta, Cid Torquato), além do presidente da entidade, André Korosue e do presidente da Comissão de Comemoração do 60º Aniversário, José Taniguti, e o vereador proponente, Aurélio Nomura.

Também por iniciativa do vereador Aurélio Nomura, a Câmara Municipal de São Paulo concedeu o Prêmio Chico Xavier a Masatoshi Hasegawa. De acordo com Nomura, o objetivo da premiação é reconhecer publicamente atitudes de fraternidade e solidariedade, atos e obras de amor ao próximo e de estímulo à elevação do espírito humano.

Na ocasião, em gratidão, a Comissão do 60º Aniversário homenageou seis personalidades e entidades que contribuíram para o desenvolvimento da Kodomo-no-Sono ao longo dessas seis décadas. Foram homenageados Masatoshi Hasegawa. Renato Nakaya, a Fundação Kunito Miyasaka, a Shibata Comércio e Atacado de Produtos em Geral e a Trovão Pescados.

Em seu discurso, André Korosue agradeceu o empenho do vereador Aurélio Nomura lembrando que, “desde a época do seu saudoso pai, o deputado Diogo Nomura, a família vem batalhando bastante pela comunidade nikkei dentro da área social”.

Kanreki – O presidente da Kodomo-no-Sono explicou que, no Japão, existe uma celebração popular conhecida kanreki que, quando a pessoa completa 60 anos se veste de vermelho e começa a retornar no tempo. “Ela volta a viver uma segunda infância”, diz. “Mas, 60 anos de uma entidade é o momento de a gente pensar: o que foi que aconteceu neste longo período? É momento da gente refletir e falar: ‘bendita hora que o reverendo Ryoshin Hasegawa esteve aqui, fundou o Templo Nippakuji e posteriormente voltou seus olhos para uma minoria portadores de necessidades especiais e falou: vamos ajuntar esse pessoal no meu templo e depois com a ajuda de toda a comunidade, no ano seguinte, foram todos para Itaquera, onde está localizada a nsssa sede”, contou Korosue, lembrando que a associação iniciou suas atividades com 13 crianças de 7 a 10 anos.
“No início, pelo estatuto ao completar 18 anos de idade, nós teríamos que devolver essa pessoa para o seio familiar. No início, até tínhamos uma formatura, em dezembro, e algumas pessoas conseguiam ser inseridas dentro da sociedade. Hoje, no entanto, muitas famílias não tem essa condição e aquelas crianças de 7 a 10 anos tem hoje de 67 a 70 anos, com idade média de 53 anos. Mas para nós elas serão eternas crianças”, disse Korosue, afirmando que, “hoje nós temos sim, uma cerimônia onde eles se apresentam, cantam e fazem teatro”
Segundo ele, além de um estímulo para continuar trabalhando a cada dia com mais afinco em prol dos mais necessitados, o reconhecimento é um momento propício para recordar. “Recordar, além do nosso fundador, recordar todos os nossos diretores, funcionários e todos que dedicaram parte da sua vida para que estas pessoas fossem felizes”, destacou.

Equipe da Kodomo-no-Sono (Aldo Shiguti)
Equipe da Kodomo-no-Sono (Aldo Shiguti)

Dignidade – José Taniguti, que também presidiu a entidade, disse em seu discurso que, desde que o professor Ryoshin Hasegawa fundou a Kodomo-no-Sono, muitas coisas aconteceram, “a começar pela construção do refeitório e alojamento dos internos”. “O que mais se denota é a transformação daquelas crianças que outrora tinham idade média de 10 anos, e hoje estão com idade média perto dos 55 anos”.
“Já não são mais crianças, são adultos, a maioria pendendo para a terceira idade. Porém, continuam dependentes da mesma forma de quando entraram na entidade. Ao longo desse período os internos viveram nessa casa, conhecida por Kodomo-no-Sono, como se morassem com suas famílias. Tiveram e continuam tendo uma vida digna e feliz e consideram aquele ambiente como o seu verdadeiro lar. Tudo isso foi possível graças a um trabalho constante e dedicado dos nossos funcionários, com amparo da Diretoria. Mas, tão importante quanto isso foi o suporte financeiro mantido pela comunidade, a quem temos uma dívida de gratidão e um profundo respeito a todos”, destacou Taniguti.

Respeito – Presidente da Enkyo, Akeo Yogui lembrou as dificuldades que é comandar uma entidade assistencial. “Temos um respeito muito grande por todos os diretores, funcionários e pessoas envolvidas na direção da Kodomo-no-Sono. Sabemos que é um trabalho difícil e que só é possível porque nós temos o apoio da comunidade, de muita gente que, anonimamente contribui para que todos nós possamos continuar trabalhando em prol dos nossos irmãos que necessitam desta ajuda”, disse Yogui.
Visitante ilustre, Massatoshi Hasegawa, diretor-presidente do Compexo Educacional Shokutoku, também destacou a solidariedade e espírito de ajuda. “É uma ocasião de muita alegria, mas a Kodomo-no-Sono não teria chegado até aqui não fosse a ajuda enfática das famílias e empresas que sempre apoiaram essa instituição e isso tem sido um grande elo afetivo entre os dois países”, frisou Hasegawa, admitindo que “não é fácil dirigir uma instituição como o Kodomo-no-Sono”. “Vendo o esforço de toda a comunidade para fazer com que essa entidade cumpra seu papel, tenho certeza que, ao retornar ao Japão, terei muito do que falar para transmitir o quanto maravilhoso é esse trabalho”, elogiou Hasegawa.
Já o vereador George Hato manifestou seu respeito, gratidão e admiração pelo trabalho realizado por funcionários, diretores e voluntários. “A Kodomo-no-Sono é um orgulho para comunidade, um orgulho para Itaquera e um orgulho para São Paulo”, disse o parlamentar, lembrando que cresceu na zona Leste de São Paulo. “Itaquera faz parte da minha vida”.

Todos os homenageados pela Comissão (Aldo Shiguti)
Todos os homenageados pela Comissão (Aldo Shiguti)

Luta da Pessoa com Deficiência – Secretária adjunta da Secretaria Municipal da Pessoa Com Deficência, Marinalva Cruz lembrou que no dia 21 de setembro comemora-se também o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência. “Temos muito que comemorar. Primeiro porque hoje a gente comemora muitos avanços, como por exemplo, os 60 anos dessa instiução e os avanços no que o país já tem em termos de garantia dos direitos para mais de 45 milhões de brasileiros com algum tipo de deficiência. Mas é momento também de reflexão. Apesar das conquistas, ainda temos uma luta muita árdua pela frente. Ainda falta muita acessibilidade e sem essa acessibilidade muitas pessoas não conseguem nem sair de suas residências”, afirmou Marinalva, que teve oportunidade de conhecer pessoalmente o trabalho desevolvido no Kodomo-no-Sono.
“Tive o privilégio de conhecer pessoalmente o trabalho da instituição e uma das das coisas que mais me chamou a atenção foi ver autonomia dos internos. Foi difícil sair da fábrica sem querer levar tudo que eles produzem lá, porque são profissionais comprometidos, que vestem a camisa e com muito amor pelo que fazem. E por outro lado, muitas pessoas, que já não são mais crianças, tem toda uma autonomia que antes, lá no passado, alguém achou que jamais pudessem ter. Todos muito conscientes do seu papel, com suas limitações, mas com muita personalidade, determinação e produzindo o que muitos de nós não teríamos como fazer se não tivessem todo esse preparo, essa capacitação de entidades como a Kodomo-no-Sono que, no passado, abriu suas portas para dar condições melhores de sobrevivência para um grupo minoritário – que naquela época era considerado minoritários e hoje é uma maioria significativa – num momento em que o país não tinha lei, não tinha obrigatoriedade e muitas vezes, nem a própria família queria ou tinha condições de criar e de dar condições de sobrevivência”, ressaltou Marinalva, destacando que “esse trabalho vem ganhando força e as pessoas vem ganhando seu espaço na sociedade porque existiu, lá no passado, instituições como o Kodomo-no-Sono que não só acolheram como também deram condições para que essas pessoas hoje pudessem ter 50, 60, 70 anos de idade quando, na época, a expectativa de vida era de poucos anos”.
“Que a gente tenha muitos mais anos para comemorar e que a gente tenha muitos outros espaços garantindo, de fato, esses direitos, fazendo com que a lei saia do papel e se torne uma realidade na cidade na vida de muitos brasileiros”.
O cônsul Yasushi Noguchi também destacou sua admiração pelo trabalho da Kodomo-no-Sono. “Fico impressionado pelos esfoços para arrecadar fundos e recursos financeiros para que a Kodomo-no-Sono tenha sustentabilidade”, afirmou o cônsul, que também elogiou a comunidade nikkei por apoiar a insituição. “Isso mostra a generosidade japonesa, de prestar atenção às pessoas com muitas dificuldades e o Consulado Geral do Japão vai contiunuar apoiando essas atividades”, garantiu.
Proponente da homenagem, Aurélio Nomura iniciou sua fala citando a campanha da Globo “O Brasil que eu quero”. “Acho que a comemoração dos 60 anos de fundação do Kodomo-no-Sono, uma das entidades mais importantes que temos na nossa cidade, no nosso país pelo trabalho altruísta e pela dedicação aos mais necessitados, mostra exatamente isso: o trabalho, a dedicação, o equilibrio, a competência e o amor que nós queremos para o Brasil. A homenagem da Câmara Municpal hoje se faz presente nesse modelo de respeito e dignidade àquelas pessoas que mais necessitam da gente”, disse o parlamentar, que entregou também o Prêmio Chico Xavier para Masatoshi Hasegawa.

Pioneirismo – “No ano em que celebramos os 110 anos da imigração japonesa, portanto, 60 anos atrás, o professor reverendo Ryoshin Hasegawa, que veio ao país para estabelecer o templo Nippakuji, já tinha essa preocupação humanista em criar uma entidade de assistência às crianças com deficiência intelectual e de orientação também para os familiares”, lembrou Nomura, afirmando que esses mesmos objetivos são mantidos até hoje pela Kodomo-no-Sono.
“É importante destacar que essa entidade foi a pioneira no acolhimento de portadores de deficiência intelectual no nosso país, tornando-se hoje uma grande referência, sendo visitada por inúmeras instituições congêneres interessadas em conhecer o que é aplicado na Kodomo-no-Sono”. E finalizou citando o lema do fundador: ‘Não para eles e sim, junto com eles’ “para mostrar que a filosofia assistencial desta entidade ainda permanece moderna e interativa nos dias de hoje”.

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