Brasileiros dominam os Campeonatos Sul-Americanos Masculino e Feminino

Atletas brasileiros que participaram do Campeonato Sul-Americano realizado no Bom Retiro (Aldo Shiguti)
Atletas brasileiros que participaram do Campeonato Sul-Americano realizado no Bom Retiro (Aldo Shiguti)

Os sumotoris brasileiros confirmaram a hegemonia nos Campeonatos Sul-Americanos Masculino e Feminino realizados nos dias 15 e 16, no dohyo do Ginásio de Sumô do Centro Esportivo e Cultural Brasil-Japão, no Bom Retiro, em São Paulo. Tanto no 23º Campeonato Sul-Americano Masculino quanto no 11º Campeonato Sul-Americano Feminino – competições que contaram também com a presença das delegações da Argentina e do Paraguai – os brasileiros dominaram as primeiras colocações no pódio. E no Torneio Por Equipes também não foi diferente.
Com a ausência daquela que poderia representar uma ameaça para os brasileiros, a Venezuela – que cancelou sua participação por falta de recursos financeiros – as competições ganharam ares de Campeonato Brasileiro, o que não impediu algumas surpresas.
Como no caso da categoria peso médio masculino, com a segunda colocação do “veterano” Antenor Yuzo Sato. Aos 49 anos, o nikkei do Rio Grande do Sul mostrou que ainda tem muita lenha para queimar ao conquistar a segunda colocação – perdeu a final para seu conterrâneo Gustavo Rocha. “Vim só para acompanhar os meninos”, disse Yuzo Sato, que no 57º Campeonato Brasileiro Masculino de Sumô, realizado em julho, também no Bom Retiro, foi homenageado pela Confederação Brasileira de Sumô (CBS) por seus 30 anos de participação em Campeonatos Brasileiros.

Adiecson na fnal contra Felipe Ishimaru (Aldo Shiguti)
Adiecson na fnal contra Felipe Ishimaru (Aldo Shiguti)

Rio Grande do Sul – A performance de Yuzo Sato e Gustavo Rocha apenas confirmou a evolução do sumô praticado atualmente no Rio Grande do Sul. Tanto que outra boa surpresa foi o desempenho de Adiecson Gross Bobsin, vice-campeão no Absoluto e terceiro colocado na categoria Pesado. Para chegar à decisão do título na Absoluto contra Felipe Ishimaru, de Osasco, Adiceson derrotou, em uma das semifinais, o campeão da Pesado, o paranaense Rui de Sá.
“Não foi surpresa porque o Adiecson vem treinando muito forte depois do Mundial”, explicou Rui. Para Adiecson, apesar de não ter conquistado o título, sua campanha já foi vitoriosa. “Todos os finais de semana tenho que percorrer cerca de 250 quilômetros para poder treinar”, conta Adiecson, que mora em Itati e treina em Gravataí com Yuzo Sato. “O Adiecson cresceu uns 200%”, atesta Yuzo Sato, explicando que a delegação gaúcha formada por quatro atletas poderia ser maior “caso tivéssemos recursos”.

Sumô é vida – Para Adiecson, que pratica sumô desde os 13 anos de idade, o sumô não é apenas um hobby. “Quando comecei a praticar, em 2004, Itati, uma cidadezinha com pouco mais de 2 mil habitantes, tinha cerca de 30 atletas”, lembra ele, explicando que em 2009 teve que interromper a carreira por causa de um acidente. “Retomei em 2011 com a ideia de retribuir tudo que fizeram por mim”, conta Adiecson. Com apoio da Prefeitura local, este ano ele colocou em ação o projeto “Sumô é vida, sumô é educação”, em que ensina o esporte para crianças carentes dos 5 aos 18 anos de idade.
“Era uma ideia antiga, que estava engavetada há muito tempo. O objetivo é resgatar os valores japoneses como discplina, honradez e honestidade que tantas alegrias trouxeram para minha vida. O mais importante do sumô é que se trata de um esporte que ajuda a preparar pessoas para a vida”, diz Adiecson, destacando que a ajuda e apoio de sua esposa, Elen Witt, está sendo fundamental em sua vida.
“Ela e minha cunhada, inclusive, começaram a praticar sumô depois do projeto e já chegaram a competir”, conta o gaúcho, acrescentando que para o Campeonato Brasileiro deste ano, em julho, trouxe três “crias” do projeto.
Já entre as mulheres, destaque para Sanuza Chagas, da Nova Central, campeã das categorias pesado e absoluto. Na absoluto, Sanuza derrotou a campeã dos médios, Fernanda Rojas. Sanuza, que voltou a competir no Campeonato Brasileiro do ano passado após quase dez anos afastada do sumô – a atleta chegou a conquistar uma medalha de bronze no Mundial de Aomori, no Japão – disse que atualmente está trabalhando à noite e por isso quase não teve tempo para treinar.
“Mas precisava ganhar de qualquer jeito”, comentou a atleta, afirmando que os títulos darão ainda mais estímulo para continuar lutando aos 36 anos de idade. Para Fernanda Rojas, “ela lutou bem, por isso me venceu”. “Mas é assim mesmo. Somos de categorias diferentes”, explicou.

Dohyo Matsuri com Masaaki Tsutsumi (Diogo Miyahara)
Dohyo Matsuri com Masaaki Tsutsumi (Diogo Miyahara)

Abertura – Antes da competição, foi realizada a Cerimônia do Dohyo Matsuri com o sensei Masaaki Tsutsumi, de Capão Bonito, que realizou a benção com um ramo de sakaki. Muito utilizada em rituais e encontrada no Santuário de Ise, na Província de Mie (Japão), a sakaki, àrvore considerada sagrada do xintoísmo, foi trazida ao Brasil pelo presidente de honra da Confederação Brasileira de Sumô, Hatiro Shimomoto, que também é um grande apoiador do sumô brasileiro.

Dirigentes e convidados participam do plantio de cerejeiras (Aldo Shiguti)
Dirigentes e convidados participam do plantio de cerejeiras (Aldo Shiguti)

Cerejeiras – “Por minha iniciativa, este ano foi realizado a 21ª do Campeonato Feminino. Sempre incentivei a prática das mulheres não só com o intuito de fortalecer o esporte no Brasil mas também para que o sumô pudesse fazer parte da programação olímpica, uma vez que uma das exigências do COI (Comitê Olímpico Internacional) para que o esporte tenha status de olímpico é que ele seja praticado seja praticado em pelo menos 75 países e quatro continentes na categoria masculina e em pelo menos 40 países no caso de mulheres. Além disso, é um esporte que enaltece o ser humano e requer muita vivacidade”, explica Shimomoto.
Logo após a cerimônia de abertura, os convidados e dirigentes participaram do plantio de mudas de cerejeiras no Jardim das Cerejeiras, localizado ao lado do Ginásio de Sumô. Além de Hatiro Shimomoto, estiveram presentes o vereador Aurélio Nomura (PSDB), o representante do Escritório da Jica no Brasil, Hiroshi Sato e o presidente da Acal (Associação Cultural e Assistencial da Liberdade), entre outros.

Aurélio Nomura discursa na abertura (Diogo Miyahara)
Aurélio Nomura discursa na abertura (Diogo Miyahara)
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