50ª edição do Toyo Matsuri recebe mais de 100 mil visitantes e confirma parcerias para 2019

(Aldo Shiguti)
(Aldo Shiguti)

Realizado pela Acal (Associação Cultural e Assistencial da Liberdade) nos dias 1 e 2 de dezembro, a 50ª ediçao do Toyo Matsuri – Festival Oriental – atraiu uma multidão ao bairro da Liberdade. Apesar da chuva que caiu sobre a capital paulista na noite de sexta-feira – no sábado e domingo o tempo ficou firme – o público prestigiou a festa que este ano ganhou o “reforço” de Takao Sato, da Tasa Eventos, na organização.
O festival foi aberto oficialmente no sábado, com a realização de uma cerimônia xintoísta próximo ao torii. Estiveram presentes na solenidade de abertura o anfitrião do festival e presidente da Acal, Hirofumi Ikesaki; o cônsul geral do Japão em São Paulo, Yasushi Noguchi; o presidente do Comitê Executivo para Comemoração dos 110 Anos da Imigração Japonesa no Brasil, Yoshiharu Kikuchi; o presidente do Kenren (Federação das Associações de Províncias do Japão no Brasil), Yasuo Yamada; o vice-presidente do Bunkyo (Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social), Osamu Matsuo; o sempre deputado Hatiro Shimomoto e o secretário de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Turismo de São Bernardo do Campo, Hiroyuki Minami, além de dirigentes de associações nikkeis e patrocinadores.

Cônsul Yasushi Noguchi participa da cerimônia de abertura do 50º Toyo Matsuri (Aldo Shiguti)
Cônsul Yasushi Noguchi participa da cerimônia de abertura do 50º Toyo Matsuri (Aldo Shiguti)

Seguindo a tradição, as autoridades caminharam do torii ao palco montado na Praça da Liberdade acompanhadas do dragão de Nagasaki. Abrindo a série de discursos, Hirofumi Ikesaki disse que o Toyo Matsuri é uma realização da Acal e seus associados com o objetivo de agradecer os clientes “que vieram e trouxeram bons negócios durante o ano, engrandecendo e fortalecendo o bairro da Liberdade”.
Ikesaki lembrou que o Toyo Matsuri também é realizado em comemoração ao Dia do Bairro da Liberdade, instituído no dia 4 de dezembro. “A Liberdade sempre foi conhecida como ‘Bairro Japonês’ e agora também é oficialmente reconhecido pelos governos municipal e estadual que mudaram a denominação da praça para Praça da Liberdade-Japão e da estação de Metrô para Japão-Liberdade”, disse o empresário, acrescentando que “para nós é uma grande honra pois este ano comemoramos os 110 Anos da Imigração Japonesa no Brasil”.

Hirofumi Ikesaki, presidente da Acal
Hirofumi Ikesaki, presidente da Acal

No entanto, para que esse reconhecimento possa “ter sentido”, Ikesaki disse que “precisamos de união, força e mais trabalho, em todos os sentidos, para que possamos fazer da Liberdade um bairro exemplar para a cidade de São Paulo”.

Integração – Ao Jornal Nippak, o presidente da Acal fez um balanço positivo do 50º Toyo Matsuri. “Foi bom, graças ao empenho de todos. Ficamos um pouco preocupados porque a chuva de sexta-feira atrapalhou a montagem e instalação dos equipamentos, ms no fim deu tudo certo”, disse Ikesaki, revelando que a ideia para os próximos anos é convidar também outras comunidades asiáticas que compõem o bairro, como a coreana, a chinesa e a taiwanesa, a participarem da festa. “Afinal, o bairro é de todos”, concluiu.
Presidente do Comitê Executivo da Comissão para Comemoração dos 110 Anos da Imigração Japonesa no Brasil, Yoshiharu Kikuchi parabenizou a Acal pelas 50 edições do Toyo Matsuri.
Já o cônsul Yasushi Noguchi constatou a presença de muitos não descendentes de japoneses na festa, “numa clara evidência que os japoneses são considerados muito queridos e populares pelos brasileiros”. “Como cônsul geral do Japão em São Paulo, fico muito feliz e orgulhoso com esses sentimentos”, disse o cônsul, que felicitou o empenho do presidente da Acal que resultou na mudança de nome da Praça da Liberdade para Praça da Liberdade-Japão “no ano em que comemoramos os 110 anos da inmigração japonesa”. “Espero, sinceramente, que essa praça seja símbolo de integração da comunidade japonesa com outras comunidades e também com a sociedade brasileira”, concluiu o cônsul.

Takao Sato, da Tasa Eventos (Aldo Shiguti)
Takao Sato, da Tasa Eventos (Aldo Shiguti)

Evento único – Estreando na organização do evento, Takao Sato conta que “seguramente mais de 100 mil pessoas prestigiaram a festa nos dois dias”. Responsável pela organização de Matsuris como o Indaiatuba Matsuri Japan Festival, Costão Matsuri, Rio Matsuri – Festival da Cultura Japonesa, Festival Nipo-Brasileiro da Acema e Barueri Matsuri, Sato conta que não conhece nenhum outro Matsuri com a longevidade do Toyo Matsuri. “Acredito que é um dos mais tradicionais, se não o mais tradicional”, explicou Sato, que elogiou também a “cenografia real” que compõem a festa. “Nenhum outro Matsuri tem o conjunto de estabelecimentos comerciais e a arquitetura – como o Jardim Japonês e o torii – como tem o Toyo Matsuri. Isso, por si só já seria um diferencial”, destaca, acrescentando que “se fôssemos criar um ambiente assim teríamos que gastar muito”.
“Tudo isso, somado ao conjunto de expositores – que também participam de outros matsuris organizados pela Tasa – agrega um público familiar”, conta ele, que elogiou também a programação artística, “correta” – na sua opinião – com apresentações de cantores como Karen Ito, Joe Hirata e Ricardo Nakase, grupos de dança e de taiko e atrações como Diogo Miyahara.
“É uma programação muito rica, que mescla gastronomia, cultura tradicional e cultura pop. Quem visita o festival pela primeira vez vai sentir realmente como se estivesse no Japão”, diz Takao Sato, afirmando que hoje os Matsuris são os responsáveis pela popularização da cultura japonesa no país. “Isso é muito bacana porque faz com que as novas gerações sintam orgulho de participarem, o que não acontecia no meu tempo”, conta, acrescentando que todas essas características tornam o Toyo Matsuri um evento único. “É um matsuri de rua como os realizados no Japão”, garante Sato.

Turismo – Para ele, porém, em time que está ganhando é possível sim introduzir melhorias. Segundo o organizador, apesar de ser um evento já consolidado, o Toyo Matsuri pode crescer ainda mais. A ideia para os próximos anos é inserir o festival – assim como o Tanabata Matsuri – nos materias turísticos tanto da cidade como do Estado de São Paulo. “Eventos como o Toyo Matsuri e o Tanabata Matsuri têm potenciais turísticos muito grandes. Podemos estimular quem vem à Capital nos finais de semana para fazer compras a conhecerem o bairro da Liberdade. Não é somente a Liberdade que sairá ganhando, a cidade de São Paulo ganhará pois o turismo movimenta a economia”, concluiu Sato.

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