1º Torneio Mundial de Kenjutsu fecha comemorações de 25 anos do Instituto Niten com ‘chave de ouro’

1º Torneio Mundial de Kenjutsu realizado em outubro, em São Paulo, reuniu cerca de 400 praticantes de nove países (divulgação)
1º Torneio Mundial de Kenjutsu realizado em outubro, em São Paulo, reuniu cerca de 400 praticantes de nove países (divulgação)

Realizado nos dias 20 e 21 de outubro, na APCD – Associação Paulista de Cirurgiões Dentistas –, na zona Norte de São Paulo, o 1º Torneio Mundial de Kenjutsu encerrou com chave de ouro as comemorações dos 25 anos do Instituto Niten. A competição contou com a participação de mais de 400 atletas das 70 unidades estabelecidas em nove países: Brasil, Argentina, Chile, Colombia, Uruguai, México, Estados Unidos, Portugal e Inglaterra. Na ocasição, o fundador e presidente do Niten, sensei Jorge Kishikawa recebeu uma homenagem do governador do Estado de São Paulo, Márcio França (PSB). A placa foi entregue por Massaki Shimada, do Conselho do Patrimônio do Estado de São Paulo e ex-presidente da Ceagesp.

Kishikawa recebe homenagem do governador Márcio França entregue por Massaki Shimada (divulgação)
Kishikawa recebe homenagem do governador Márcio França entregue por Massaki Shimada (divulgação)
Yoshimitsu Kishikawa atira com arcabuz japonês de 1850 (divulgação)
Yoshimitsu Kishikawa atira com arcabuz japonês de 1850 (divulgação)

Houve disputas em todas as categorias, desde a infantil (5 a 11 anos) até a sênior, incluindo o Torneio Por Equipes. Na categoria máxima, Gilberto Vieira, de São Paulo, ficou com o título entre os homens enquanto entre as mulheres, a argentina Paula Cintioni surpreendeu ao vencer a brasileira Ana Lucia Pieri.
Na disputa por equipes, o Brasil ficou nas duas primeiras colocações no Masculino – com Brasil “A” e Brasil “B”, respectivamente – enquanto que no Feminino deu Brasil “A” em primeiro e Argentina “B” em segundo.
Além das disputas, os praticantes puderam assistir aos duelos mais reais dos samurais depois de 400 anos e também presenciaram um fato inédito nas Américas: o tiro com um arcabuz japonês de 1850 (hinawaju) disparado pelo filho mais velho do sensei, Yoshimitsu Kishikawa. Segundo Kishikawa, a arma é idêntica a usada no filme “O Último Samurai”, estrelado por Tom Cruise.

Empurrãozinho – Para os alunos, o torneio “demorou”. “Disseram que foram precisos 25 anos anos para que pudéssemos realizar um evento deste porte. Mas tudo na vida tem seu momento certo”, explica Kishikawa, admitindo que nem mesmo ele esperava chegar tão longe.
“Culpa”, em parte, da esposa, Mika, companheira há quase três décadas e que acompanhou de perto toda a trajetória do Niten. Responsável atualmente pelo treinamento das crianças, Mika também orienta a parte administrativa e foi dela o “empurrãozinho” necessário que permitiu a expansão do Niten para além da capital paulista.
“No início, ainda na Unidade Itaim, aliás, nossa primeira Unidade, recebíamos muitas cartas e e-mails de pessoas do Rio de Janeiro, de Minas Gerais e até do Rio de Janeiro interessadas em praticar. Insitia para o sensei ir para esses lugares, mas ele sempre alegava que não conseguia dar conta de uma única unidade”, diverte-se Mika, lembrando que, na época, Jorge Kishikawa ainda dividia seu tempo entre os ensinamentos e os plantões no Hospital Geral do Exército.
Mika começou a fazer o inverso: pedia para que essas pessoas viessem até São Paulo. E elas vinham. Foi assim que o Niten começou a formar seus primeiros monitores. Hoje já são quase mil praticantes que procuram o Niten pelos mais diversos motivos.

Ao longo dos anos, Instituto Niten passou a ser procurado também por crianças (divulgação)
Ao longo dos anos, Instituto Niten passou a ser procurado também por crianças (divulgação)

Vazio – “Antes, as pessoas buscavam o Niten para preencher o vazio que não encontravam em outras artes marciais. A maior parte era de meia idade, que já tinham praticado outas marcias e que viam no Instituto uma proposta para preencher a parte filosófica que não encontravam em outras artes marciais”, conta Kishikawa, acrescentando que ele mesmo, duas vezes pentacampeão Brasileiro de Kendô, largou a modalidade em busca de desafios maiores.
“Depois que atingi o auge no kendô em termos de Brasil, tanto na conquista de medalhas como na graduação, senti que não poderia encerrar o meu caminho assim. Tinha que continuar me aprimorando, me desenvolvendo. Foi quando comecei a sentir um vazio espiritual e esse vazio espiritual, em parte, era a tradição que me chamava. Então meu interesse se voltou em buscar as origens do que estava fazendo com o kendô”, diz Kishikawa, acrescentando que, com o passar dos anos, a faixa etária dos praticantes começou a mudar para uma faixa etária mais jovem e, com eles, começaram a vir muitos descendentes de japoneses, que no início eram raros.
“Muitos desses descendentes procuram o Niten em busca de suas origens porque o Niten se firmou como uma referência na busca das origens por ser um lugar onde se preserva a tradição, onde se ensina as coisas mais antigas”, explica o sensei.
Segundo Kishikawa, o Niten nasceu não só com o intuito de difundir os ensinamentos milenares das artes da espada samurai, “mas com o propósito de fazer um trabalho que não fosse voltado somente para conquistas de medalhas e graduações, priorizando também a parte filosófica”.
“Tanto que o nome é Instituto Cultural Niten porque pressupõe que você tem que estar sempre pesquisando e se desenvolvendo, não é para ficar estagnado nas suas regras. Esse foi outro motivo que me fez sair do kendô. As regras são as mesmas e não pode mudar. Ou seja, não trinha liberdade de me manifestar de forma artística porque tudo é regulamentado”, diz Kishikawa, lembrando que, com o nascimento dos seus três filhos – Yoshimitsu (15), Takemitsu (14) e Hiromitsu (12) – criou o KIR Jovem KIR Jovem, voltado para as crianças de 5 a 11 anos de idade. “No KIR Jovem sim, cerca de 70 a 80% são descendentes de japoneses. São crianças cujos pais querem que os filhos conheçam suas origens e aprendam a tradição japonesa”, diz Kishikawa, destacando que, que ao longo dos anos, o Niten acabou se tornando referência também em cultura japonesa. “Inclusive, o nosso objetivo no curso para as crianças é que elas sejam educadas à maneira samurai, isto é, nosso objetivo com elas é a educação”.

Uma das primeiras fotos dos praticantes do Niten, na Unidade Itaim (divulgação)
Uma das primeiras fotos dos praticantes do Niten, na Unidade Itaim (divulgação)

Momentos de Ouro – “Não posso falar sobre espirtualidade nem sobre cultura com crianças como falo com adultos”, diz Kishikawa afirmando que no Niten os alunos aprendem a técnica mas também o lado espiritual e a filosofia passadas, principalmente, através de conversas, os chamados Momentos de Ouro, quando, ao final de cada treino, os alunos se reúnem em torno do sensei ou do senpai responsável pelo treinamento para ouvir ensinamentos sobre a cultura samurai e a filosofia japonesa. “Nessas relações mestre-discípulos, abordamos conceitos como disciplina, auto-controle, concentração e controle do estresse sob a ótica samurai e os alunos aprendem como utilizar os ensinamentos da espada em seu dia a dia”, conta Kishikawa, explicando que esse convívio também ocorre fora das aulas habituais, em forma de gashuku, os treinamento intensivos realizados em parques, montanhas e clubes.
“Já realizamos em localidades como o Nippon Country Clube, no Cooper e na Colônia Pinhal”, diz Kishikawa, que, futuramente, espera chegar a 10 mil alunos e ter um Mudial “com pelo menos mil participantes”. “Se neste tivemos cerca de 400, acho que teremos que esperar outros 25 anos”, brinca Kishikawa, concluindo que, no Niten, o mais importante é ver as pessoas felizes.
“Digo para os meus alunos que você não vai ser feliz lendo livros de auto-ajuda e sim treinando e convivendo. Essa é a forma que tenho, Se existem outras não sei. E posso afirmar que nesses 25 anos estou conseguindo fazer as pessoas felizes”, assegura.

1º Torneio Mundial de Kenjutsu realizado em outubro (divulgação)
1º Torneio Mundial de Kenjutsu realizado em outubro (divulgação)

RESULTADOS DO 1º MUNDIAL DE KENJUTSU

KENJUTSU Infantil (5 – 11 anos, demonstrativo)
1º Renan Franco (Santo André)
2º Eduardo Chen (São Paulo)
3º Lucas Cortes (Rio de Janeiro)
3º Massaru Shimonaga (Florianópolis)
KENJUTSU Juvenil (12 – 15 anos, demonstrativo)
1º Yoshimitsu Kishikawa (São Paulo)
2º Hiromitsu Kishikawa (São Paulo)
3º Rafael Puig (São Paulo)
3º Felipe Gallinaro (São Paulo)
KENJUTSU Iniciantes (sem Bogu, demonstrativo)
1º Luiz Pacheco (Belo Horizonte)
2º Luiza Perazzini (Brasília)
3º Vitor Botinhão (Rio de Janeiro)
KENJUTSU Feminino 0-7ºKYU
1º Luz Citlaly (México)
2º Bianca Degasperi (Ribeirão Preto)
3º Beatriz Romanellia (Argentina)
3º Noemi Lopes (Caxias do Sul)
KENJUTSU Masculino 0-7ºKYU
1º Chigeo Tsuyama (São Paulo)
2º Juan Borrero (Miami)
3º Jocemar Balthazar (Caxias do Sul)
3º Samuel da Silva (Brasília)
KENJUTSU Feminino 6ºKYU
1º Fernanda Fonseca (Juiz de Fora)
2º Sayuri Oshiro (São Paulo)
3º Toshi Nagumo (São Paulo)
3º Carla Puertas (Argentina)
KENJUTSU Masculino 6ºKYU
1º Alejandro Barrientos (Chile)
2º Ariel Catalan (Chile)
3º Rodrigo Contreras (Chile)
3º Leonel Moreira (Uruguai)
KENJUTSU Feminino 5ºKYU
1º Luciana Rovere (Ponta Grossa)
2º Larissa Botelho (Campinas)
3º Barbara Huarte (Argentina)
3º Nagyla Barros (Curitiba)
KENJUTSU Masculino 5ºKYU
1º Carlos Verzine (São Paulo)
2º Carlos Morales (Chile)
3º Rafael Palacios (Chile)
3º Thomas Spanos (USA, Denver)
KENJUTSU Feminino 4ºKYU
1º Luiza Estevão (Brasília)
2º Laura de Marsico (Argentina)
3º Paula Cintioni (Argentina)
3º Tai Cheng (Argentina)
KENJUTSU Masculino 4ºKYU
1º José Pereira (Sorocaba)
2º André Kiryu (Campinas)
3º Isao Yoshimura (Chile)
3º Gabriel Dalla Pria (São Paulo)
KENJUTSU Feminino Sênior
1º Carla Puertas (Argentina)
2º Beatriz Romanella (Argentina)
3º Yumi Kanemaru (Rio de Janeiro)
3º Mara da Silva (Porto Alegre)
KENJUTSU Masculino Sênior
1º Takeshi Kamimura (USA, Miami)
2º José Pereira (Sorocaba)
3º Dierk Roesler (São Paulo)
3º Marcio Neubauer (São Paulo)
KENJUTSU Feminino Categoria Máxima
1º Paula Cintioni (Argentina)
2º Ana Lucia Pieri (São Paulo)
3º Marina Saieva (Argentina)
KENJUTSU Masculino Categoria Máxima
1º Gilberto Vieira (São Paulo)
2º Ronaldo Costa (Rio de Janeiro)
3º Alexandre Vaz (Rio de Janeiro)
KENJUTSU Feminino por Equipes
1º Brasil A (Estevão-DF, Larissa-CAMP, Kate-SOR, Tiemi-PR, Ana Lúcia-SP)
2º Argentina A (Saieva, Paula, Sabrina, Laura , Bárbara)
3º Brasil B (Gabriella-MG, Cavalheiro-RS, Uenojo-RJ, Gabrielle-RS, Bianca-PR)
KENJUTSU Masculino por Equipes
1º Brasil B (Marques-SP, Mendes-RS, Silva-SP, Vaz-RJ, Gilberto-SP, Estevão-SP)
2º Brasil A (Costa-RJ, Meloni-SP, Drawin-MG, Massao-SP, Kenzo-RJ, Felipe-SJC)
3º Argentina A (Basilio, Huarte, Sangiorgio, Osella, Joel)

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