10ª edição do FIB exalta celebrações dos 110 Anos e ‘prepara construção’ para o legado dos 120

Toshio Koketsu, Osamu Matsuo, Walter Ihoshi, Hitomi Sekiguchi, Jorge Yamashita e Eiji Ohashi (Jiro Mochizuki)
Toshio Koketsu, Osamu Matsuo, Walter Ihoshi, Hitomi Sekiguchi, Jorge Yamashita e Eiji Ohashi (Jiro Mochizuki)

Com o tema “110 + 10 anos: o que você está fazendo pelo futuro da comunidade japonesa?”, a décima edição do FIB (Fórum de Integração Bunkyo), realizada nos dias 29 e 30, no Salão Nobre do Bunkyo (Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social), convidou os palestrantes a refletir sobre qual o legado que as comemorações dos 120 anos da imigração japonesa no Brasil, portanto daqui a dez anos, deixará para as próximas gerações.

Cônsul Yasushi Noguchi (Jiro Mochizuki)
Cônsul Yasushi Noguchi (Jiro Mochizuki)

O tema foi discutido através de dinâmicas de grupo e palestras com convidados especiais, como o cônsul geral do Japão em São Paulo, Yasushi Noguchi; a cônsul geral do Japão em Manaus (AM), Hitomi Sekiguchi; a chef Telma Shiraishi (Aizomê); Cláudio Sassaki, fundador do Movimento Jovem Brasil e da Geekie; Henry Yuzo Arimura, sócio-diretor de Ikeen Publicidade e do ex-presidente da Sony do Brasil, Masayoshi Morimoto.

Também estiveram presentes na abertura, que contou com a participação do cantor Joe Hirata – que interpretou a música tema dos 110 Anos da Imigração Japonesa no Brasil, Arigatô Brasil – o presidente do Conselho Deliberativo do Bunkyo, Jorge Yamashita; o vice-presidente da entidade, Osamu Matsuo; o presidente do Instituto Brasil-Japão de Integração Cultural e Social, Roberto Nishio; o deputado federal Walter Ihoshi e o Representante Regional da Alta Sorocabana, Toshio Koketsu. Na oportunidade, foram homenageados os presidentes das edições passadas e os coordenadores das primeiras edições: Marcelo Hideshima e Tomio Katsuragawa. Idealizador do primeiro FIB, Hideshima destacou o crescimento do evento, com quase 90% de participação das Regionais.

Marcelo Hideshima (Jiro Mochizuki)
Marcelo Hideshima (Jiro Mochizuki)

Dois momentos “família” do evento foram protagonizados por Claudio Sassaki, que recebeu o certificado de participação das mãos de seu pai, o presidente do Nippon Country Club, Valter Sassaki; e pela chef Telma Shiraishi, cujo certificado foi entregue pelo marido, o presidente da Associação Brasileira de Ex-Bolsistas do Gaimusho Kenshusei, Marcelo Shiraishi.

Claudio e Valter Sassaki (Jiro Mochizuki)Abertura – Osamu Matsuo deu as boas-vidas aos participantes em nome do Bunkyo e lembrou que, mesmo passados 110 anos da imigração, “nossa entidade tem conseguido trasnmitir valores e deixar um legado para as próximas gerações”. Destacou ainda que os Fóruns Regionais vem possibilitando ampliar o FIB, “um legado plantado em 2007.
Em seu discurso, o deputado federal Walter Ihoshi lembrou que participa do FIB desde a sua primeira edição e destacou sua importância. “Trata-se de um movimento liderado pelos jovens e que conta com apoio do Bunkyo “cujo objetivo é manter e divulgar a cultura japonesa, em especial, os valores, em nosso país”. “Este ano participei de dois fóruns regionais no interior, um em Bastos e outro em Presidente Prudente, e hoje estou vendo a presença de muitos jovenms destas regiões, inclusive de outros Estados”, disse o parlamentar, acrescentando que o FIB vem se consolidando “a cada ano que passa”. “Essa missão é muito importante e é de todos nós para que o país possa assimilar os valores do povo japonês, valores tão importantes num momento como esse que estamos vivendo”, explicou.

(Jiro Mochizuki)
(Jiro Mochizuki)

Energético – Jorge Yamashita lembrou que 2018 é um ano “histórico” para a comunidade. “Estamos comemorando os 110 anos anos da imigração japonesa e dando os primeiros passos para os próximos para os 120 anos. Ao falarmos em imigração japonesa, devemos nos lembrar sempre da nossa origem pois neste ano comemoramos também os 150 anos da modernização do Japão, onde iniciou-se um movimento de imigração japonesa para o mundo começando pelo Havaí. É um ano bastante significativo e bastante energético para todos os nikkeis”, disse Yamashita.
Já Toshio Koketsu destacou os objetivos do FIB. “Só nos damos conta da importância do FIB ao olharmos para o seu conteúdo, o seu objetivo. As divergências e o indvidualismo são como linhas pareleas que nunca se unem, mas a união, a integração e cooperação são linhas convergentes que se unem, se entrelaçam e se fortalecem. Esse são os objetivos do FIB: fortalecermos juntos com as associações. Portanto, mude a forma de ver as coisas que você consegue ver diferente. Mude o modo de olhar apara as coisas, daí as coisas que você olha também mudarão”, ensinou Koketsu.
Morimoto, que há cinco anos vem ao Brasil especialmente para participar do FIB, disse ao jornal Nippak que o faz “por gostar muito do Brasil”. “Aqui, tenho mais amigos que no Japão”, disse, afirmando que o brasileiro “tem o coração mais aberto e são mais simpáticos”.
“Passei dez anos trabalhando neste país e nos primeiros três anos passei momentos muitos difíceis por conta da alta inflação, que foram superados graças a ajuda dos funcionários nikkeis da empresa, a Sony. No Brasil me sinto em casa e os jovens me parecem mais motivados e com mais garra”, disse Morimoto, que considera fundamental para a preservação da cultura japonesa nas próximas gerações o aprendizado da língua japonesa, “mesmo que de forma rudimentar, e a educação dos filhos através dos valores japoneses”.

Cônsul de Manaus com participantes (Jiro Mochizuki)
Cônsul de Manaus com participantes (Jiro Mochizuki)

Com passagem pelo Consulado Geral do Japão em São Paulo, onde atuou como cônsul adjunto entre setembro de 2015 e abril deste ano, Hitomi Sekiguchi fez um resumo dos fatos mais marcantes, como as comemorações dos 120 Anos do Tratado de Amizade, Comércio e Navegação Brasil-Japão, dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016 e da inauguração da Japan House São Paulo.

Washoku – “Depois, achei que fosse ficar mais calmo, mas tive que assumir interinamente como cônsul geral, quando tive oportunidade de me apximar mais da comunidade, em especial dos jovens”, lembra Sekiguchi, acrescentando que gostaria de ter ficado em São Paulo “só mais um pouquinho para registrar com meus próprios olhos a cerimônia oficial dos 110 anos.
Hitomi Sekiguchi dividiu sua palestra sobre o legado dos nikkeis da Região Norte em duas partes: antes e depois da guerra. Falou sobre a produção da juta – cuja auge de sua produção chegou a 90 mil toneladas/ano – e da participação da comunidade, além da atuação do Consulado e concluiu convidando a todos para prestigiar as comemorações dos 90 anos da imigração japonesa na Amazônia, em 2019. Segundo ela, apesar de todas as dificuldades, como a distância, “são jovens que querem se projetar”

Nishio, Telma Shiraishi e Marcelo Shiraishi (Jiro Mochizuki)
Nishio, Telma Shiraishi e Marcelo Shiraishi (Jiro Mochizuki)

O sábado contou ainda com as participações do cônsul geral do Japão em São Paulo, Yasushi Noguchi, e de Claudio Sassaki. No domingo, foi a vez da chef Telma Shiraishi falar sobre Washoku – a culinária japonesa – e a grande importância da cozinha nipo-brasileira para a identidade nikkei.

Balanço – Eiji Ohashi, coordenador e integrante do Comitê de Jovens do Bunkyo, fez um balanço positivo do evento que, segundo ele, “cumpriu o seu objetivo reunindo líderes de diferentes associações nikkeis, como participação das regionais de Manaus, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Salvador e cidades do interior do estado refletindo sobre a atuação e oxigenando com novas ideias e discussões sobre a comunidade nikkei no Brasil”.
“O FIB deste ano foi muito importante para, aproveitando a força e a união gerada pela comemoração dos 110 anos da imigração japonesa, iniciarmos a construção do legado que deixaremos na festa dos 120 anos”, explicou Ohashi.

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